<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284</id><updated>2012-01-24T09:30:24.213-08:00</updated><title type='text'>Questões que me atormentam...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-1862560782039235458</id><published>2008-12-14T17:26:00.001-08:00</published><updated>2008-12-14T17:26:59.758-08:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>Este espaço foi criado para publicar algumas manifestações em papel que tenho feito nos últimos anos. Após divulgar com amigos através de e-mails, recebi a recomendação de depositá-las num blog, para que fiquem acessíveis para mais gente, além de dar acesso a todos os textos para quem só recebeu alguns deles.Os textos estão publicados mais ou menos em ordem cronológica de criação (dos mais recentes para os mais antigos), sempre acompahados de uma seção "Contexto", que descreve o momento em que as idéias registradas surgiram na minha cabeça.Esteja à vontade nesse espaço, inclusive para não ler os textos. Mais à vontade ainda para emitir comentários, interagir e lançar mais questões para aumentar o meu prazeroso tormento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-1862560782039235458?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/1862560782039235458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=1862560782039235458' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/1862560782039235458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/1862560782039235458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/12/apresentao.html' title='Apresentação'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-6278304406683658468</id><published>2008-12-14T17:22:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T17:30:52.047-08:00</updated><title type='text'>Capital por um dia</title><content type='html'>Não há praticamente mais nada a se falar sobre o ciúme mútuo entre Campina Grande e João Pessoa. Tudo já se disse sobre o que cada cidade tem de muito mais que a outra e quem tem razão de se proclamar, sempre com sobra, o melhor lugar entre as duas.&lt;br /&gt;Dentre os argumentos clássicos de cada banda, o título de capital é um golpe doloroso aplicado pelos pessoenses nos entreveiros com os nascidos na Borborema. É daqueles acachapantes, que deixa o rival sem um troco a altura, perdido entre "mas, mas, mas, mas ....".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, 26 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada acontece em nenhum outro metro quadrado desse estado hoje. Não há uma instância da sociedade civil que esteja operando em outro lugar, senão em Campina Grande. Por um dia, por apenas um, longo e delicioso dia de outubro, Campina Grande deixa de ser apenas extraordinária como cidade do interior, e passa a circundar a perfeição, se tornando a capital do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo do estado está aqui, na pessoa do governador e todo o seu staff. As polícias, justiça e o exército têm sede aqui também hoje. Houvesse um rio perene nesse estado, cruzando Campina em algum lugar, e a marinha também estaria aqui, tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maiores sistemas de comunicação do estado e de fora da Paraíba se instalaram em estúdios improvisados, transmitido ininterruptamente os únicos fatos, do único lugar que pode trazer alguma atenção ao paraibano nesse dia, e cada um deles de algum recanto de Campina Grande. "Eu admiro esse espírito do campinense", "se todas as cidades fossem assim, a Paraíba seria outra", "que povo de uma verve impressionante", "todo campinense é superlativo, é apaixonado. Seja pela sua cidade, pelo seu time, pelas suas festas, pelo seu candidato, etc...", "o povo de Campina dá uma lição em cada esquina", "viemos preparados para cobrir uma guerra e encontramos uma festa". Entre essas e outras, os jornalistas visitantes se espantavam com tudo aquilo que para um nativo compunha um retrato bem acabado do óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia, os destinos do estado estarão decididos aqui. O projeto de político de todas as forças que regem o estado sofrerá um cheque-mate, publicado através do resultado da apuração. Quem se candidata a ser pujante, quem está ameaçado ao ostracismo, quem dará as cartas dos próximos jogos e quem terá a missão dolorosa de ressuscitar no cenário político. Campina Grande dará hoje todas estas respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como em 1808, quando a corte de Portugal se transferiu para o Rio de Janeiro, a transferência da corte do TRE para Campina definiu uma nova capital para o império paraibano. Por um dia, apenas. Um mero e curto dia de domingo, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que você não é nascido em Campina Grande, se definir esse dia assim. Porque se for, sabe: 26 de outubro de 2008 - O maior e melhor dia de domingo de todos os tempos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo turno da eleição municipal de 2008. Vim de João Pessoal para trabalhar em Campina Grande, num domingo que, assim como o TRE, todos os aparelhos do Estado se instalaram na cidade para a realização de um pleito que prometia ser acirrado e tenso. Essas foram as minhas impressões do clima da cidade, acompanhadasde uma provocação típicamente campinense ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-6278304406683658468?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/6278304406683658468/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=6278304406683658468' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/6278304406683658468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/6278304406683658468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/12/capital-por-um-dia.html' title='Capital por um dia'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-4427392029314406509</id><published>2008-08-10T13:08:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T13:10:28.703-07:00</updated><title type='text'>“Eu não sou daqui. Eu não tenho nada...”*</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois que vira adulto, a gente pode descrever a vida que viveu, construiu e está construindo através de um conjunto de decisões que tomou. Às vezes tomou de forma até displicente, em momentos que não tinha a menor noção do impacto que aquela opção escolhida teria daquele dia em diante em tudo que vivemos. Repare que dessa lista de decisões algumas são comuns a quase todo mundo, e a opção selecionada nesse tal questionário da vida define muito a personalidade de cada pessoa, o jeito de viver e o que hoje se chama comumente de perfil. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ultimamente uma destas decisões tem reincidido nos meus momentos de devaneios, em que fico sozinho, mesmo que rodeado de gente, matutando a vida, nas decisões tomadas, nas opções escolhidas e nas que estão por vir. A decisão que tenho muito avaliado recentemente é aparentemente boba: qual a melhor opção, ir ou ficar? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A pergunta parece ser simples, mas a resposta e as conseqüências dela são enormes, gravíssimas e às vezes definitivas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ficar em sua terra ou ir morar fora, em busca de uma vida melhor, ou maior?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho amigos que optaram por ir morar fora. Uns fora de suas cidades natais, outros fora do país. Uns estão fora há alguns meses, outros há alguns anos. Em comum, todos eles eventualmente, com mais ou menos freqüência, mais cedo ou mais tarde, acordam se perguntando se realmente vale a pena. Eles conhecem outras culturas, até falam outras línguas, alcançam uma condição econômica e qualidade de vida que certamente não teriam em suas cidades. Eles viajam para vários lugares, assistem a shows, eventos, espetáculos incríveis, alguns andam na rua tarde da noite e não precisam olhar de lado nem guardar o relógio, outros se batem na rua com grandes novidades que só vemos aqui pela TV. De certa forma eles encontram tudo que foram lá buscar, ou até mais que esperavam alcançar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas o perturbador é que eles também carregam um buraco gigante que só poderia ser preenchido contraditoriamente com tudo “daquela vida vulgar” que eles levavam onde estavam,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;lááá longe, no meio de tudo de ruim, atrasado, provinciano ou restrito que eles fizeram questão de largar para trás. O buraco no coração deles só poderia ser preenchido com uma gargalhada escrachada, uma gentileza gratuita, um gesto de intimidade, uma paisagem ou rua específica, com o aconchego que só certos pequenos cheiros, vozes, pessoas e lugares poderiam preencher. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho, por outro lado, muitos amigos que ficaram em suas terras natais, e mesmo com todo o chamego que estar em casa pode nos fornecer, em vez daquele enorme buraco da saudade, eles carregam no peito uma grande curiosidade, uma sensação de que está faltando, cenas que imaginam sempre de como seria morar fora, acordar em outra cultura, sentir zero grau no inverno, comer e fazer aquelas coisas incrivelmente diferentes que se come e adotar uma série de atitudes interessantes que seriam bizarrices aqui e banalidades lá. Eles tocam a vida com a incômoda dúvida se estão sendo pequenos, tacanhos, minúsculos diante de tudo que poderiam ser. São pessoas que têm capacidade, formação e oportunidade para morar em Salvador, São Paulo, Paris, Oxford ou Califórnia, mas resolveram ficar por ali, juntinho de sua gente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como em todas as decisões marcantes da vida, esta nos coloca aparentemente em uma encruzilhada. E dessa vez, com duas péssimas opções: ficar sendo “medíocre” ou ir para ser saudoso. De uma forma ou de outra, é estar condenado a ser incompleto. Perceba que para sair da encrenca, é preciso topar uma postura não muito simpática. Ou se assume que o cantinho onde nasci, os domingos com minha família e ver meus filhos convivendo com os primos é um mundo suficiente vasto e interessante para mim, ou se livra dos laços afetivos que trazia do berço, tornando suas principais referências e saudades em uma coisa menor, incapaz de fazer sua felicidade incompleta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É ou não é uma dúvida cruel? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como na música de Rita Lee, pode-se conseguir ficar livre daquela vida vulgar lá de casa e, no final, concluir que se tem tudo, só que “agora só falta você”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É ficar no apartamento confortável comendo filé mignon, ou sair nas madrugadas cantando, fazendo serenata como naquela música que diz “nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres”. É escolher de que lado vai ficar, seja daqueles que ficam como eu, ou dos que vão como o andarilho Ramon, na canção de Bráulio Tavares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Parece que meu professor não estava brincando. O mundo é cruel mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h1&gt;Contexto&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por ser de Campina Grande e ter cursado universidade lá também, eu convivi com um grupo de pessoas cuja metade estava buscando formação e qualificação para em seguida ir para longe de casa, e outra metade já estava longe de casa adquirindo a formação superior. Essa disputa entre a saudade e a prosperidade tem me acompanhado até hoje, com experiências próprias em alternar períodos perto e longe “de mãe”, com Milena e as baianas que moram com a gente, com meus amigos agora formados, casados, pais e longe de casa, etc..&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;*Conta a lenda que morando em Londres e mesmo eventualmente acometido pelo deslumbre que uma mega metrópole exerce, Caetano Veloso estava tomado pela saudade de tudo que considerava seu, do micro mundo de onde tinha vindo. A forma que ele achou de traduzir essa falta foi cantando uma de suas memórias mais singelas, e que era ao mesmo tempo a maior de suas saudades: a risada de sua irmã mais velha, Irene.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Eu não sou daqui, eu não tenho nada&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quero ver Irene, quero ver Irene&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dar sua risada”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Caetano) &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-4427392029314406509?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/4427392029314406509/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=4427392029314406509' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/4427392029314406509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/4427392029314406509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/08/eu-no-sou-daqui-eu-no-tenho-nada.html' title='“Eu não sou daqui. Eu não tenho nada...”*'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-576932053284443143</id><published>2008-02-12T06:22:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T07:03:56.158-08:00</updated><title type='text'>“Desenha um carneiro pra mim?”</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;“Filhos?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;melhor não tê-los! Mas se não tê-los, como sabê-los?”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Genial esse Vinícius. Genial de novo. Sempre achei o verso a síntese mais perfeita dessa dúvida que, pelo menos um dia, paira em toda cabeça adulta entre o Alasca e a Antártida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;A tradução em prosa dela eu passei a infância e adolescência ouvindo em casa: só quem tem filho é que sabe o que é ter filho. Isso pra mim sempre foi uma verdade cristalina, e baseado nela eu decidi que teria, porque com a vontade que tenho de experimentar a vida na maior amplitude e profundidade possíveis, não ter filho significaria abrir mão de quase a metade das experiências humanas disponíveis no planeta. Definitivamente, eu não ficaria sem uma fatia desse tamanho do tal negócio chamado viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Agora que tenho, ganhei uma nova certeza. Além de só quem sabe o que é ter filho é quem tenho, eu estou 110% convicto que só quem tem é que sabe o tamanho exato dessa verdade. Eu sabia disso na adolescência, mas acontece que agora o “eu sei disso” está multiplicado por pelo menos por cem. Eu vou tentar expressar a seguir como eu sei dessa verdade hoje. Pena que, ironicamente, não tenho dúvida que só quem tem filho vai conseguir captar exatamente o que estou contando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Crianças passam por várias fases e cada uma é encantadora ao seu modo. &lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Quanto mais ela consegue se comunicar, mais prazeroso se torna o processo de der pai, e além do mais que essa evolução da comunicação ocorre ao mesmo tempo da diminuição do trabalho físico que os pequenos lhe demandam.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou seja, todo dia ele se torna um ser mais interativo e menos cansativo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Então, com dois anos ele já fala e repete tudo que você pedir para ele repetir. Nesse momento eles são um brinquedinho maravilhoso. Você diz uma frase e ele prontamente pronuncia até com a mesma entonação que você falou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Daí você lança declarações de amor ao pai e ele, na hora, diz aquelas coisas lindas que, mesmo com essa forçada de barra, lhe fazem babar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mandar eles dizerem palavrão então é uma delícia. Com a mais cândida das purezas, eles olham sorrindo e largam: “agora fodeu!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Foi nessa idade de dois anos, dois anos e pouco, que eu assisti ao Pequeno Príncipe com Antônio. Assisti e tomei uma séria de surpresas. A primeira delas é que daquela idade ele parou por quase duas horas na frente da tela para ver um musical, falado em português, mas cantado em inglês, em um formato completamente diferente dos desenhos animados que conseguiam prender a atenção dele por mais de dez minutos até então.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A surpresa seguinte foi ele me pedir várias vezes dias depois para assistir ao “Pequeno Piiinpe”, em detrimento do arsenal de Relâmpago Macqueen e Backyardingans que ele já dispunha.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquilo me renovou a fé na humanidade, sabe? Olha aí, ainda há quem prefira Saint-Exupéry em pleno 2008! E em plena fase do “papai-fala-eu-repito”, o Pequenorinha na porta do Príncipe continuou por alguns meses sucesso absoluto de bilheteria lá em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;O que eu não imaginava é que aquele filme faria uma marca definitiva na minha memória, para o resto da vida, pela forma inesquecível que Antônio migrou da frase “papai-fala-eu-repito” para a fase “agora-eu-tenho-frases-próprias”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Um dia, eu estava deitado na cama com o controle remoto na mão, canal pra cima, canal pra baixo, quando apareceu uma figurinha na porta do quarto, com uma toalha de criança envolvendo o corpo, capus branco na cabeça, carregando um pedaço de pau na mão, uma cara muito tristonha e repetindo uma frase inicialmente incrompreensível: &lt;i style=""&gt;zenha nerinhamim, zenha nerinhamim, zenha nerinhoamim...&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;A minha inicial foi uma expressão de sorriso amarelo, misturado com “que porra é essa?”, onde eu fazia um esforço concentrado para traduzir aquela frase, como a gente faz em uma prova de &lt;i style=""&gt;listenning&lt;/i&gt; no curso de inglês.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Na quarta ou quinta vez que ele repetiu, finalmente eu saquei!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Em um estalo, aquela cena bizarra se transformou em uma das mais gostosas alegrias que senti nessa experiência de ser pai, De repente, eu captei que Antônio imitava uma cena marcante do Pequeno Príncipe, em que o príncipe loirinho aparece pela primeira vez, surgindo do nada no meio do deserto, pedindo repetidamente ao aviador acidentado: “desenha um carneirinho pra mim?” “desenha um carneirinho pra mim?” “desenha um carneirinho pra mim?”...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Ninguém pediu pra ele dizer aquilo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi a primeira frase “inventada” por Antônio. E como ela veio com performance, figurino e tudo, se tornou em um momento muito intenso e especial. Momento daqueles que por mais que eu tente detalhar, só quem tem filhos vai saber exatamente do que eu estou falando.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Agora, quem não tem, se chegar a ter um dia, pode estar certo que em uma hora qualquer, no meio de um dia banal, vai passar por alguma que vai fazê-lo sorrir, lembrar do poema de Vinícius e dizer:&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Filho da mãe!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://silveira.files.wordpress.com/2006/12/capa_pequeno_principe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 132px; height: 180px;" src="http://silveira.files.wordpress.com/2006/12/capa_pequeno_principe.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; Contexto:&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;Isso aconteceu no meio do ano de 2007. Mas só agora parei para escrever.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zsnLvjEVYwU"&gt;Clique aqui para ver a cena citada no texto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-576932053284443143?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/576932053284443143/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=576932053284443143' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/576932053284443143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/576932053284443143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/02/desenha-um-carneiro-pra-mim.html' title='“Desenha um carneiro pra mim?”'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-4583335759320869516</id><published>2008-02-12T06:19:00.000-08:00</published><updated>2008-02-12T06:34:18.677-08:00</updated><title type='text'>Compra! Compra! Compra!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu me encontrava a uns milhares de kilômetros de casa, quando liguei para Mi dizendo que um evento que se repete cerca de duas ou três vezes por ano estava em pleno curso: eu estava muito tentado em fazer uma compra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A alegria que ela ouvia a narração era provavelmente pela raridade do fenômeno e, com aquela voz incisiva que ela sabe fazer pra botar pressão, gritava do outro lado da linha “Compra!”, a cada frase que eu falava . Eu morria de rir pelo entusiasmo dela e, mais que tudo, pela forma engraçadíssima de expressá-lo. E entre risadas de cá e gritos de lá, assim seguiu nosso diálogo, eu descrevia o troço que tinha visto e ela gritava “Compa! Compra! Compra!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Alguns meses se passaram e com a chegada do natal (que cada ano tem menos a ver com o nascimento de Cristo) eu começo a ouvir aquela voz gigantesca pairando na atmosfera, gritando de cima pra baixo, de maneira mil vezes mais coercitivamente que Milena , Coooooompra.... Coooooompra.... Coooooompra. Essa voz que me reporta a um livro de um italiano, sobre um tal do “Ócio produtivo”, que quando li eu cheguei à conclusão que o pessoal da ecologia pode desistir, porque esse planetinha não tem chance. Ele não emplaca mais um século de jeito nenhum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O que o italiano descreve é um ciclo criado com a evolução do capitalismo que, em resumo, não tem outra, só para quando a terra estiver um deserto total. O capitalismo em sua evolução tem tido como característica motriz e intrínseca o desenvolvimento tecnológico. Ora, o que ele faz com esse desenvolvimento que alcança? Consegue produzir mais, em maior escala, em menor tempo. São revoluções em cima de revoluções, todas a serviço da engrenagem produtiva. O resultado disso é a necessidade constante de um esforço equivalente para criar consumidores para essa produção. Veja, por exemplo, a definição da atividade de Marketing, que a economia capitalista respira 24h por dia. A priori se confundia com propaganda, que dava visibilidade a um produto, de maneira que quem necessitava dele ficava sabendo que ele existia e partia para adquiri-lo. Com o aumento exponencial da produção, o bem produzido não pode mais esperar pela descoberta por parte do consumidor, por isso o Marketing não mais identifica necessidades para bolar produtos, o Marketing agora cria necessidades para que possam dar vazão ao que está sendo produzido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando você se perguntar “como se vivia sem tv por assinatura?” ou “Como os pés aguentavam calçar aqueles tênis?” ou “O povo tinha carro sem &lt;i style=""&gt;air bag&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e sem freio ABS?!” ou “Como é que eu alguém podia passa sem MP3 &lt;i style=""&gt;player&lt;/i&gt;?” etc., a resposta é muito simples: eram muito felizes. Eles não tinham sido pegos pelo tal do Marketing. Só que agora, depois de pegos, a gente preciiiiisa disso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, essa produção desenfreada gerou a necessidade de criação de uma sociedade que consome sem freio também. Daí meu filho mais velho, que tem menos de três anos, não exita em expressar cada vontade que lhe dá na cabeça com a frase “vou comprar um qualquercoisadessa pra mim”. Já pensou? Com menos de três anos, já americanóide,  ele captou que a solução para suas necessidades é comprar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Perceba que chegamos a um degrau a menos na escala de grandeza da espécie. Descemos do topo do pódio quando deixamos de ser pessoas cuja razão de existir era SER (feliz, pai, mãe, doutor, culto, cristão, amado, inteligente, etc) e passamos a seres que vivem para TER(grana, posição, imóvel, carro, parafernalha eletrônica, etc.)&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De uns anos para cá, demos mais um salto pra baixo. A razão dos nossos dias agora não é mais ter, é o mero e efêmero momento de compra. Passado aquele momento, passado um pouco mais ou um pouco menos, dependendo do quanto aquilo está na moda, ou no máximo custou pra adquirir, o prazer de ter se esvai. Quer a prova? &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Dê uma olhada dentro de casa, no guarda-roupa, na área de serviço, e veja quantas coisas estão amontoadas, completamente esquecidas, coisas que algum tempo atrás lhe deram enorme prazer de tê-las, ou pelo menos de comprá-las.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para cada uma delas, o que aconteceu foi um fenômeno que meu amigo Bruno descreve ironicamente como “o capitalismo lhe pegou!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Chegou em casa com um troço que acabou de comprar e já está arrependido? O capitalismo lhe pegou, amigo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Entrou na padaria pra compra bolo e saiu com sorvete, pizza, pilha e chiclete que estava pendurado perto do caixa? O capitalismo lhe pegou. Não gostava ou precisava de algo, que lhe era indiferente e, de tanta gente ao seu lado usando, foi lhe dando vontade de ter um e agora está doido pra comprar? Hiiii, o capitalismo lhe pegou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se você reparar, todos os dias produtos, serviços, modas, itens candidatos a se tornarem indispensáveis estão pulando em cima da gente. Seja em comerciais hipinotizantes, em prateleiras de supermercado que praticamente jogam produtos em quem passa ou, claro, nas inúmeras pessoas que estão ao seu lado que já foram pegas e tentam lhe convencer de todas as formas que você precisa ser pego pelo capitalismo para ser feliz.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E ai daquele que tentar resistir. Eu tenho até pena desse coitado, porque tem só tem um destino pra ele: que é ser julgado e condenado pelo crime da resistência.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aí vai ter que andar por aí com um carimbo na testa dizendo solenemente “esse cara é um tremendo chato/esquisito/revoltado/radical/metido”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Portanto, já sabe, certo? Neste natal não raciocine, não analise, não pense, não pondere, não pergunte se precisa, não calcule se pode, não bote dificuldades, não resista, pelo amor de deus não complique: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;COMPRA! COMPRA! COMPRA!&lt;/p&gt;  Natal de 2007. Vi no jornal uma daquelas cenas de uma grande loja abrindo suas portas e sendo invadida por uma multidão ensandecida, que esperava desde a madrugada, como numa largade de maratona, correndo em direção aos produtos em promoção. Aquilo foi como um símbolo de uma espécie que pode ser tanto, mas que tem sido tão pouco. Como já de costume, peguei um monte de idéias que pairam no meu juízo  resolvi registrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-4583335759320869516?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/4583335759320869516/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=4583335759320869516' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/4583335759320869516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/4583335759320869516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/02/compra-compra-compra.html' title='Compra! Compra! Compra!'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-3041033761249812662</id><published>2008-02-12T06:15:00.000-08:00</published><updated>2008-02-12T06:19:34.935-08:00</updated><title type='text'>Estou ficando velho...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Uma das coisas mais chatas de ter irmão mais velho, principalmente quando são vários, é que nada que você vive, faz, curte, usa, etc., é bom.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nada presta. Tudo está piorado. No tempo deles era muito melhor...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eles não passavam horas na frente da TV, não compravam carrinhos, não passavam férias dentro de casa, ou na calçada conversando com outros abestalhados como você. Eles sabiam fazer carrinhos de madeira, do zero, quebrando as caixas de tomate pra fazer a carroceria, rasgando a lata de óleo pra fazer a cabine, cortando sandálias havaianas (era coisa de pobre, naquele tempo) e batendo cada prego. Eles não queriam bicicleta. Faziam carrinho de rolimã e desciam aquela ladeira gigante, com muita adrenalina. De férias, eles iam para o sítio, construíram até uma casa numa árvore! Brincavam de guerra de estilingue (balieira, antigamente) e tudo mais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por mais que você se achasse moleque, se comparasse com a infância que eles tiveram, sempre acabaria se sentindo um bobão, menino-criado-com-vó ou, pra resumir, um leso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando você começa a gostar de futebol, eles têm as histórias dos times que jogaram, das vezes que pisaram no gramado do Amigão, do time maravilhoso do 13, com João Paulo de centroavante, ou do time de Zé Pinheiro, hexacampeão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eles viram Pelé jogar, lembravam quando o Brasil foi campeão do mundo e conheciam a escalação do Internacional de Falcão e Batista decorada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se considerar uma aventura uma viagem que fez, é muita empolgação, porque eles já foram muito mais longe, muito mais vezes, e de carona. Se achar que vence dificuldades no dia-a-dia, é pura manha, porque eles passaram de tudo para chegar onde estão, enquanto você tem uma vida mansa e ainda se cansa e reclama. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Chega a hora de consumir um pouco de cultura, como música e cinema e tudo se repete.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Que música é essa?! Eles não escutavam música, faziam. Tinham um grupo de samba, cujo repertório era de qualidade infinitamente melhor que o barulho que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;você gosta e escuta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os filmes agora são só mentiras e explosões, não tem clássicos, grandes personagens, não durarão nem uma década, enquanto no tempo deles eram eternos, como E o Vento Levou, Ben Hur, 2001- Uma Odisséia no Espaço e A Lagoa Azul. Ouvir rock e gostar de filmes de ação é coisa para gente sem cultura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Com essa convivência, a gente tem a impressão que a geração anterior era feita por pessoas muito mais inteligentes e interessantes que a nossa. Como se em dez ou quinze anos o mundo que restou para a turma mais jovem tivesse ficado burro e chato, porque tudo que os atuais habitantes fazem ou é chato ou coisa de gente burra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aí é que está o problema!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não sei se é problema, mas é aí que está.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu olho para os meus sobrinhos e amigos deles, dez ou quinze anos mais jovens que eu e, com raras exceções, e acho um povinho burro, que leva uma vida chata da porra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Primeiro, eles não consomem música, são consumidos por elas. As rádios FM e os programas de auditório na TV determinam com extrema facilidade tudo que eles vão gostar e cantarolar nos próximos meses. Nunca vi uma adolescente desse escolhendo uma música. Descobrindo um som que ninguém conhece e se interessando por ele. Tudo que eles conhecem e gostam é sucesso. Isso que dizer, pelos padrões atuais, que alguém pagou uma grana à Rádio ou à TV para aquilo tocar, se tornar conhecido e ser do gosto do adolescente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Segundo, e mais grave, eles não lêem. Não lêem e ponto. Não é que não leiam romances muito longos, ou não leiam clássicos da literatura muito densos, ou não leiam revistas sobre qualquer área, ou jornalísticas de publicação nacional. Eles simplesmente não lêem nada! Só legenda de filme, e se for comédia romântica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eles nunca foram ao teatro. Não sabem nem quando tem alguma atração chegando, ou evento mais empolgante no único teatro da cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eles não discutem política, não se interessam por nada que está acontecendo ao seu redor, não são contra ou a favor nenhuma decisão ou opinião que determine os rumos do mundo, do país, da cidade, ou da sua rua. Não são capitalistas, comunistas, liberais, socialistas nem sociais-democratas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Isso soa palavrões para o vocabulário deles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Nunca passou pelas cabeças deles mudar o mundo. A rigor eles não têm noção de como o mundo está, imagine querer fazê-lo diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É incrível como a quantidade de informação a que eles têm acesso é centena de vezes maior das pessoas que tinham aquela idade quinze anos atrás e, paradoxalmente, essa enxurrada de informação parece fazer com que eles não se foquem em nada, e fiquem simplesmente abrindo a boca e engolindo, sem pensar, como meu filho de dois anos toma uma sopa. São TVs com cem canais, Rádios com dezenas de emissoras e Internet com milhões de &lt;i style=""&gt;sites&lt;/i&gt;. Parece que para se livrar da confusão desse oceano, o adolesce se agarra no site do Orkut, no canal da Globo e na FM de mais sucesso (empurrando os livros para longe, claro).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Diante de tudo isso, posso concluir que estou é ficando velho mesmo. Que não passo de um irmão mais velho, que está olhando para os mais jovens com aquela mesma indignação e desdém que meus irmãos me olhavam anos atrás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tomara!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Senão eu vou ter que concluir que meu mundinho de classe média está ficando um lugar muito chato mesmo, habitado por gente cada vez mais burra e menos interessante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Primeiro semesre de 2007, não lembro bem a data. Um dia que devo ter amanhecido "com os pés pra trás", perdi a paciência com superficialide de meninos e meninas de classe médias, colégios famosos da cidade e carinhas bonitas que me rondam e resolvi registrar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-3041033761249812662?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/3041033761249812662/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=3041033761249812662' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3041033761249812662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3041033761249812662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2008/02/estou-ficando-velho.html' title='Estou ficando velho...'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-3215157965015777768</id><published>2007-08-24T10:58:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T11:01:14.246-07:00</updated><title type='text'>André Ariano</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Exatamente dois anos e seis meses depois de ter nascido de novo, lá estava eu para mais um parto. Exatamente como eu imaginava, estava acompanhado de uma trupe de Oliveiras que dava uma sensação de conforto absurda para quem estava vivendo um momento que cabia muita ansiedade, angústia e apreensão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O fato de estar em casa, vendo Mi assistida por uma grande amiga, fazia do nascimento de André um passeio delicioso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando surgiu nas mãos de doutora Salete, o moleque mostrou a parte ítalo-bahiana do sangue e deu um berro que fez tremer as paredes do centro cirúrgico. Depois limpinho nas mão de Dra Denise, pudemos constatar que André era perfeito como eu tanto queria, lindo como Milena dizia e muito, muito, mais parecido com Antônio que a gente poderia imaginar. Pela primeira vez desde a notícia da gravidez, eu senti uma sensação tão forte ou até mais intensa que da primeira vez que passei por aqueles minutinhos mágicos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Além das lágrimas nos olhos e a moleza nas pernas, eu tinha no coração uma noção muito clara da razão para estar vivo, do que realmente importa na vida. Ser pai pela segunda vez me dava uma sensação de super-herói deliciosa, como aquele jogador que faz o gol consagrador e em êxtase corre para torcida batendo no peito e repetindo: “eu sou foda!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Têm sido inevitável repetidas comparações entre as coisas que estamos vivendo agora e tudo aquilo que a gente viveu na primeira vez que passou por toda essa aventura da nova cria. A grande diferença é como sexo e amor naquela música de Rita Lee: O primeiro filho é poesia, o segundo é prosa. O primeiro é paixão, o segundo é amor... e por aí vai. Tudo que a gente tem vivido em relação a André é mais sereno, mais calmo, mais sob controle. Ao contrário do que eu projetava, isso não torna a experiência menos especial, ou menos intensa. É muito forte e gostoso, entretanto é também tudo muito mais tranquilo. Eu comparo a diferença entre a primeira paixão e o amor definitivo, aquele que você vai envelhecer com ele.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os dois são muito fortes, só que o segundo você tem muito mais respostas que perguntas, e mesmo a eventual falta de resposta não lhe aflige. Curtir a chegada de André tem sido assim, muito contemplativo, mesmo com as madrugadas animadas, todas as dores de Mi e o cuidado adicional com Antônio. Além da experiência, o fato de estarmos na nossa casa, equipe de apoio completa, com tudo arrumadinho tem deixado o processo controlável. Numa definição &lt;i style=""&gt;nerd&lt;/i&gt;, eu apostaria que no terceiro filho a gente consegue um selo ISO, de tão organizado que está o negócio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A sensação mais nova que tem me batido é de certa forma a mais chata de admitir:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a chegada de André decretou minha maturidade definitiva.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É como um ingresso sem volta no mundo dos adultos, já que agora sim eu sou, de maneira irreversível,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um pai de família. Eu lembro que minha amiga Silvia questionava se quando a gente tiver segundo filho, as pessoas passariam a nos perguntar “a aí, quando é que morre?”. Segundo ela, esse processo começava com “quando é que casa?”, seguia com “e então, o herdeiro vem quando?” e terminava com “e outro?”. Ou seja, segundo esse rito, eu já fiz tudo que se espera de alguém na vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não sei quanto tempo isso vai durar até que me bata aquela vontade descrontolada de fazer alguma prezepada, mas no momento estou assim, muito plantado, senhor de si, cheio de responsabilidades para com a vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tomara que passe logo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Tem uma parte muito engraçada do processo atual. É que Antônio, de repente, ficou um gênio, gigatesco e adulto para mim.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como passo muitas horas tirando cocô daquela micro fralda de André, dou banho e troco roupa pegando naquelas perninhas que parecem gravetos, quando Antônio aparece me abraçando as pernas, conversando, pesando aquilo tudo, dá a impressão que pra ele se passaram 15 anos. O póbi de André fica muito lesinho perto do irmão. Imagine um que só se comunica pra informar aos berros que está puto, com fome, cagado ou mijado, e outro que conta histórias que começam com “era uma vez” e de vez em quando faz chantagem do tipo “eu estou muito &lt;i style=""&gt;tiste&lt;/i&gt;, você não é mais meu amigo”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É como ter na sala um Atari ao lado de um &lt;i style=""&gt;play station 3&lt;/i&gt;. É uma comparação muito cruel. Com todos os avisos que recebemos, ainda assim corremos o risco de negligenciar um pouco o mais velho, já que de repente ele parece um ser grande, que “se garante”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No meio disso tudo, eu só quero que André cresça com a gente, encantando e ensinando mais sobre a vida. Que esse novo pacto que, naturalmente, se reedita entre mim e a mãe dele perdure e se torne mais firme ainda. Que a gente esteja formando lá em casa um pequeno mas poderoso exercito de pessoas de bem, que lutará nas coisas mais simples por dias melhores, mais justos, mais fraternos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assim como a chegada de André conseguiu reascender o que há de melhor dentro de mim, que a permanência dele por aqui faça com que eu possa repassar tudo isso, devolvendo pra ele, que é&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a maior inspiração do momento (Antônio ainda não sabe ler, ufa!).&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Então é isso. Lembra daquele ponto, branco, lindo, numa mancha escura? Taí, André é o seguinte: dois pontos.&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;15 de Agosto de 2007. Nasceu na CLIPSI em Campina Grande um paraibano arretado, ainda mais agora, que ganhou nome de um paraibano arretado demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-3215157965015777768?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/3215157965015777768/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=3215157965015777768' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3215157965015777768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3215157965015777768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/08/andr-ariano.html' title='André Ariano'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-7954714733090556378</id><published>2007-07-17T12:49:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T10:42:48.754-07:00</updated><title type='text'>"Deixa o bichinho..."</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um dia, quando era professor de faculdades particulares, fui chamado à sala da coordenação para, mais uma vez, tratar de queixas apresentadas por alunos, que sempre rondavam a severidade, excesso de exigência, intransigência e outras características que me definiam nos corredores. O que poderia ser mais uma das dezenas de conversas iguais, onde era obrigado a explicar (imagine!) que o aluno precisava fazer alguma parte do esforço no processo de aprendizado, foi na verdade um divisor de águas. Naquele dia reconheci minha impotência total na tentativa de passar formação àqueles jovens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O aluno tinha tirado zero no trabalho, por ter copiado conteúdo integral da Internet, sem referência alguma, sem aspas, assumindo como se fosse seu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na correção do trabalho, eu havia anotado o &lt;i&gt;site&lt;/i&gt; de onde viera o conteúdo e posto a única nota a que ele fazia jus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Com quase trinta anos de idade, aquele aluno se fazia acompanhar pelo pai, que indignado me argumentava que zero é para quem não fez nada. O filho teria feito alguma coisa, e merecia uma nota baixa, mas zero era resultado da perseguição que eu viria fazendo ao aluno, etc, etc...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Caiu um raio na minha cabeça, naquela hora. Eu precisei de alguns segundos para manter o prumo e montar um discurso que tentasse fazer contato com aquele planeta estranho em que aquelas pessoas viviam. Quando consegui aterrissar, expliquei didaticamente, com muita calma e resignação, que de fato o rapaz tinha feito alguma coisa. Tinha cometido um crime, previsto e tipificado no código penal como plágio e violação de direito autoral, com pena prevista de multa e cadeia de até um ano e meio em caso de reincidência.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aquele cenário me ensinou muito claramente que eu lutava por uma missão impossível.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como poderia tentar dar formação a um cara, cujo pai larga suas atividades para resolver um problema acadêmico de um marmanjo barbado, e vem à escola defender indignado um ato de absoluta desonestidade?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um crime? Nem com trilha sonora do Metálica e Tom Cruise de protagonista dá para passar formação para um cara desses.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É isso que me remete à minha trincheira. Ao que chamo de meu bunker. O lugar onde me armo e me posiciono com todas as forças que tenho para resistir aos ataques maciços desses invasores muito poderosos e perigosos. As paredes da minha casa são como meu campo de batalha, onde travo a guerra entre o que quero deixar para meus meninos e o que o mundinho lá de fora insiste &lt;st1:personname productid="em impor. Um" st="on"&gt;em impor. Um&lt;/st1:personname&gt; mundinho feito em cima de desejos compulsivos de compra, um império absoluto da beleza (não interessa o que significa, o importante é que seja bonito) e uma aversão ao raciocínio independente, individual, pessoal e intransferível. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Como diz Luiz de Sena, o mundo está troncho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Todo mundo concorda com isso. Daí quando me perguntam, com ar de censura, se eu quero mudar o mundo, eu respondo com outra pergunta: por que? Você está gostando do jeito que ele está?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Então, depois que entendi que o mundo não se muda de cima do palanque, mas sim na mesa de jantar, na reunião de trabalho, no ponto do ônibus, etc... tenho dado muito mais importância às coisas que a maioria, por um jeito muito latino de ser, costuma deixar pra lá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E reconheço em experiências terríveis quase todos os dias situações extremas que vieram a acontecer, tiveram aquele desfeche, simplesmente porque láááááá atrás alguém não tomou uma atitude, não se posicionou, e resolveu deixar para lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Veja esses crimes que dão enorme repercussão, porque meninos de classe média estão envolvidos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Onde nascem esses bandidos bem nutridos, lindinhos, com cara de coluna social? Nascem dos “deixa para lá” que eles encontraram na vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando resolveram que não iriam à escola hoje. Quando não tiraram notas boas pela primeira vez. Quando foram pegos na primeira mentira. Quando se esquivaram das primeiras responsabilidades que lhe foram atribuídas. Quando aos 12 anos de idade, aos gritos, tratou o pai ou a mãe como um coleguinha da rua. Alguém deixou isso pra lá, e agora chora nos corredores de delegacia se perguntando o que fez para merecer isso.Na verdade não foi o que fez. Foi exatamente o que não fez que deixou as coisas chegarem àquele extremo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Seja qual for a razão para não ter feito, já que hoje leva-se uma vida que assumir a postura de nunca “deixar pra lá” é quase um ato heróico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Com as inúmeras horas de trabalho, a competitividade eterna, o corre-corre para manter uma vida de classe média, chegar morto em casa, doido por um banho e uma cama, e se depara com um filho empombando para comer chocolate no lugar da janta, dá uma vontade gigante de deixar pra lá. Mas como em quase tudo que experimentei na vida até agora, o caminho mais fácil nunca é o mais correto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É preciso ser Caxias mesmo, ser cri-cri, levar na ponta da faca as coisas dentro de casa, porque a coerção externa é grande demais (para não dizer “foda!”).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu tenho consciência que com toda a dedicação e militância por valores mais humanos, meus hábitos corriqueiros de consumir cultura, falar sobre política, prezar muito por decência, honestidade, simplicidade e não me importar muito para aquelas verdades e padrões, que quase todo mundo quer provar que é verdade só porque é padrão, etc.., mesmo assim, daqui a alguns anos, eu posso olhar para um dos meus filhos e, inconsolável, me perguntar : como é que uma porra dessa pode ser meu filho? Porque as tais dedicação e militância talvez sejam bastante apenas para empatar com o que eles viram na tv, aprenderam com os amigos da escola, ou na turma do bairro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora, e se eu não me entrincheirar? Aí amigo, é derrota de goleada. Tenha certeza que o moleque vai ser o que nos dias de hoje equivaleria a um ouvinte de forró de plástico, pegador marombado, daqueles que passa a semana se planejando para “bombar na balada” e que se conhecer Ariano Suassuna, tem certeza que ele é pernambucano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu tenho buscado sabedoria para não deixar para lá coisinhas importantes e, ao mesmo tempo, não me tornar um cara chato demais, que pareça pedante, mais profundo, mais humano ou mais correto que todo mundo. Tenho a impressão que os anos têm aos poucos me ensinado esse meio termo. Espero muito que um dia acabe aprendendo fazer esse balanço, porque, definitivamente, deixar para lá eu não consigo e nem quero tentar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu posso até perder para a pressão que o mundinho exerce da porta para fora. Mas ele tenha certeza que eu vou vender essa derrota caríssima.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;É possível também que eu não consiga modificar o mundo, fazendo-o deixar de ser um lugar tão escroto como é. Mas o direito de não me sentir cúmplice dessa escrotidão...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;ah,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;desse eu não abro mão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Vendo crimes cometidos por filhinhos de papai, principalmente em grandes cidades, me bateu uma reflexão sobre o pedaço dos pais que tem/falta em cada filho desse. Daí renovei a convicção que o tal do educar (de verdade) é uma missão para pelo menos tropas de elite.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem não estiver disposto, faça um favor a esse planeta: naaaaaada de filhos, tá bom?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-7954714733090556378?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/7954714733090556378/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=7954714733090556378' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/7954714733090556378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/7954714733090556378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/07/deixa-o-bichinho.html' title='&quot;Deixa o bichinho...&quot;'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-3728607613468406298</id><published>2007-05-28T05:48:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T10:44:41.964-07:00</updated><title type='text'>Teatro e mágico</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  Texto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Eu costumo eleger dentre as características que fazem do teatro um tipo de programa especial, bem mais interessante que cinema, por exemplo, a maior possibilidade de entrar no espetáculo uma pessoa e sair outra. Com algo a mais. Sabendo mais, sentido mais, vendo o mundo diferente, ou vendo algo diferente no mundo. Portanto, toda vez que saio de casa para ir ao teatro, já levo comigo uma expectativa de ser surpreendido, de me deparar com algo que me faça franzir a testa, e com um sorriso na cara perguntar: que porra é essa?    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Foi assim que saí ontem rumo ao teatro, como sempre em cima da hora. Eu me julgava prevenido e ao mesmo tempo muito afim de ser surpreendido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Esse espetáculo já tinha sido comentado por minha sobrinha, da forma superlativa, empolgada, frenesi-total, que ele costuma falar sobre qualquer coisa que goste, que esteja envolvida ou fazendo. Então eu dei o desconto em todo aquele chilique Rebequeano&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e me sentei em um teatro lotado, predominantemente por gente com idade dos meus sobrinhos, para assistir a um show que prometia ser bom.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Já na primeira música eu estava com um sorriso gigante aberto, muito feliz e emocionado com tudo que acontecia de uma vez, e isso ainda eram os primeiros minutos do show. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A abertura com uma poesia declamada, super singela, linda e do bem, como seria toda a mensagem composta nas canções e falas seguintes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A música de muito boa qualidade, apesar de harmonicamente simples, era muito bem executada, com elementos como violino, gaita, flauta e tambor de maracatu, tudo perfeitamente misturado a instrumentos mais triviais (violão, bateria, guitarra, etc).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A trupe, como eles se autodenominam, encheu o teatro de coisas agradáveis, de vontade de cantar, sorrir, dançar e compartilhar daquele discurso que fazia o tal de “mudar o mundo” um negócio muito trivial, quase de foro íntimo, alcançável facilmente, no gesto mais simples de um dia qualquer.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Esse astral contaminava uma nação de pessoinhas com cara de colegial ou, no máximo, universitário ainda fedendo a fera. Essa meninada foi um tempero muito especial para o caldo delicioso que se formava ali. Músicas que não tocam na FM, não aparecem no Faustão ou lotam os carrinhos de CDs piratas vendidos nas praias e esquinas. Músicas daquelas em que a compreensão da letra, o entendimento de cada verso, o que o compositor pensou ou sentiu é que cativou o ouvinte. Músicas cujas frases você pode botar em um e-mail, cartão de aniversário ou embalagem de presente que vai para alguém especial. Com todos esses atributos absolutamente extraterrêneos às&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pessoinhas típicas que já citei em outro texto (Estou Ficando Velho), o som dos vocais da banda estavam inundados por um coro muito animado, de uma turminha que pulava e cantava em quase transe cada verso, inclusive das poesias, declamadas de vez em quando.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;“Por que será tão mais fácil a gente cantar dezenas de vezes na Europa que conseguir espaço em Rio/São Paulo?”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;“Baixem nossas músicas da Internet, lá estão os acordes e letras das canções. Nosso CD custa R$5,00 aí fora. Pirateiem, copiem e ofereçam aos amigos. É um crime do bem. Bem mais limpo que a multinacional que vende um DVD por R$65,00 e dá centavos ao artista.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Com esses e outros discursos pela arte independente, muitos elementos circenses como trapezistas, meninas penduradas em performances naquelas longas tiras de pano, malabares, os &lt;i&gt;scratches&lt;/i&gt; modelo &lt;i&gt;hip hop&lt;/i&gt;,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o permanente culto à expressão artística mais pura, fora do circuito zilionário, fazendo até militância por software livre, a trupe lembrou muito claramente o que é (ou deveria ser) o significado de ser artista.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Entre forrós, baladas, maracatus, rocks, HCs, música eletrônica e tudo de mais um pouco, fomos banhados de tudo que é bom. Música boa, poesia boa, idéias boas e uma gente cheia das melhores qualidades humanas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Não sei se pela surpresa, não sei se pela redescoberta de seres pensantes entre os 15 e 25 anos, ou pela certeza renovada que tudo, tudo vai dar pé, com que deixei o teatro. Talvez porque o &lt;i style=""&gt;site&lt;/i&gt; deles não é .com (www.oteatromagico.mus.br), talvez porque com muita verdade eles anunciam os motoristas do ônibus com a mesma consideração que o fazem para o vocalista da banda, ou talvez ainda por parecerem ser pessoas tão simples que se tornam especiais. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Provavelmente por tudo isso junto, eu saí de lá inebriado, doidinho para falar sobre eles.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dizer que são únicos, originais, são muito bons no que fazem e são, sobretudo, gente do bem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A trupe do Teatro Mágico não poderia ser adjetivada de outra forma. Eles são mágicos mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto :&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  Maio de 2007. Depois de semanas de comentários e de dar carona a Rebeca quando ia para o show em Recife, fui ao teatro do SESC assistir ao show do grupo de Osasco-SP, chamado Teatro Mágico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi um daqueles shows que, assim como Mestre Ambrósio, Atônio Madureira ou o Rappa, não dá para contar, você tem que ver para entender &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;por quê é tão bom.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-3728607613468406298?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/3728607613468406298/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=3728607613468406298' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3728607613468406298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/3728607613468406298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/05/teatro-e-mgico.html' title='Teatro e mágico'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-8177719400113503882</id><published>2007-04-26T07:33:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T10:45:48.262-07:00</updated><title type='text'>Uma cervejinha</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Fui assistir ao jogo na casa de uns amigos, tomando uma cervejinha, esticamos até o início da noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Saí do trabalho, encontrei a galera que tinha marcado, tomamos uma cervejinha, botamos o papo em dia. Foi muito legal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Acabou o futebol ontem, a gente ficou tomando uma cervejinha e conversando besteira até meio-dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ontem no show, perdi o freio. Tomei uma cachaça gigante, apaguei som e imagem. Foi demais. Peeeeense numa ressaca!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nada mais normal que essas histórias. Nada mais trivial, banal, comum, absolutamente inerente aos mortais, programas como esses.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu não sei o que me incomoda mais, se é a naturalidade com que as pessoas conduzem amigos, parentes, namorados ou esposas, embriagados pelos bares, corredores de casa, boates ou casas de show, ou se é o espanto com que essas mesmas pessoas reagem, por exemplo, de frente para um cigarro de maconha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu considero a complacência ao álcool um dos mais perfeitos inconscientes coletivos já criados na civilização ocidental. Eu chamo aqui de “inconsciente coletivo” aquilo que é verdade e que todo mundo proclama e aceita, simplesmente porque é verdade e todo mundo proclama e aceita. São aquelas regras pronunciadas sem sujeito, do tipo “não se vai para um aniversário calçando uma sandália de dedo, né?” Ou “O cara casado, pai de dois filhos não vai pra show de axé sambar como um louco, certo?” etc. É aquele tipo de comportamento que os bois lá de traz têm quando são tocados no pasto. Eles só vão naquele caminho porque os bois lá da frente também estão indo. É realmente um fenômeno extraordinário como se conseguiu tirar das pessoas toda a capacidade de pensamento racional, e se mantêm as histórias envolvendo bebida e embriaguez no campo do engraçado e irreverente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não tenho nada contra quem bebe. Bebo, também gosto de beber e da sensação que a embriaguez dá. O que incomoda são as diversas dimensões de tragédias associadas ao consumo de álcool que são totalmente ignoradas, quando ouvimos conversas engraçadas e irreverentes sobre bêbados e bebidas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Álcool é um problema de saúde pública, porque lota hospitais para tratamento de urgência (glicose) e clínicas de reabilitação, gerando gastos astronômicos no sistema público de saúde. Ainda na saúde pública, álcool manda para hospitais e delegacias semanalmente centenas de pessoas vítimas/autores de lesões corporais, surgidas em brigas após embriagues. Álcool povoa as salas de cirurgia todos os finais de semana, por acidentes envolvendo motoristas e/ou pedestres embriagados. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Álcool é um problema familiar terrível. Tudo de ruim que aparece como estatística nas análises referentes à saúde pública se multiplica, ganha tons de tragédia, quando convividos no particular. Filhos traumatizados, com medo e horror aos pais. Famílias destruídas, pessoas desempregadas, decadentes, com histórias pesadíssimas de violência e todas as modalidades de desrespeito que o ser humano é capaz de produzir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Álcool faz pessoas maravilhosas se tornarem violentas e descontroladas. Faz namorados dóceis e carinhosos se tornarem hostis e desrespeitosos. Faz velhos amigos saírem na tapa. Ambientes de perfeita paz e celebração se transformarem em pandemônio. Como? Alguém contando a história vai responder: foi cachaça demais. Só isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu conheço um sem número de pessoas incríveis que são capazes de se tornar criaturas horrorosas, ou até desprezíveis. E a fronteira entre os dois seres é certa quantidade de álcool ingerida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E sabe o que me deixa mais impressionado? A certeza que dez entre dez pessoas que leram as linhas acima o fizeram pensando “é mesmo...”, e lembrando de alguém ou algum caso exatamente igual ao que foi descrito. Eu não lembro uma única pessoa que não tenha um caso triste para contar envolvendo bebida, e com gente muito próxima.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se estivéssemos tratando de seres inteligentes, com capacidade de raciocínio e discernimento, seria óbvio que esses seres não achassem nada de engraçado ou irreverente em histórias envolvendo bêbados e bebidas, não é verdade? Mas sexta-feira, antes do meu futebol, terá uma palestra sobre as cachaças tomadas, os impropérios cometidos, os problemas causados, e, tenha certeza, a platéia vai estar sorrido e se divertindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A questão não é demonizar a bebida alcoólica. Não é discurso evangélico, de purificação do corpo (viva o cão!). É apenas um pedido de coerência a todo mudo. O mínimo que se deve fazer, como seres inteligentes que somos (?), é quando partir para o álcool, beber freqüentemente, oferecer bebida a um amigo ou parente que nunca bebeu, etc., é levar no coração o mesmo medo da AIDS que teríamos transando com parceiro desconhecido sem camisinha, por exemplo. Com a mesma precaução que se teria ao provar ou oferecer um cigarro de maconha. O peso na consciência que teríamos ao pedir para experimentar ou sugerir a alguém que comece a fumar esses cigarros comerciais, com foto de gente morrendo. Claro que nada disso implica em morte certa, mas significa um perigo terrível que precisa ser reconhecido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aí sim, é atitude e raciocínio de um ser inteligente. Ou, pelo menos, coerente.&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Abril de 2007. Pelo menos uma vez por semana me deparo com alguma situação que me recuso a fazer, pensar, reagir como todo mundo. Principalmente porque nesses casos "todo mundo" é incapaz de justificar porque seria certo fazer assim ou assado. É o tal do "incosciente coletivo" (ou burrice coletiva?). Um dos exemplos mais claros desse inconsciente é a diferença de gravidade atribuída a esses dois adjetivos: cachaceiro e maconheiro.&lt;br /&gt;Essa semana saiu uma lei definido uma política pública para tratar do problema do alcool. Aí eu resolvi transforma esse meu recorrente tema de mesa de bar em um texto.&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-8177719400113503882?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/8177719400113503882/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=8177719400113503882' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/8177719400113503882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/8177719400113503882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/04/uma-cervejinha.html' title='Uma cervejinha'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-117381671483433568</id><published>2007-03-13T14:03:00.000-07:00</published><updated>2007-03-13T14:11:54.840-07:00</updated><title type='text'>"Um macho, adulto e branco sempre no comando..."</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março de 2007.  Quem tem convivido comigo ultimamente já deve ter me ouvido comentar muito sobre essa extrema facilidade de ser homem, em face da complicação eterna de ser mulher.  Perto do dia internacional da mulher, eu resolvi registrar essas observações só para agradecer por não existir dia internacional dos homens, do adulto ou da consciência branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Texto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu estava no apartamento de umas amigas para celebrar alguma coisa, aniversário eu acho, e havia mil providências sendo tomadas para que uma farrinha típica de estudantes de mestrado começasse.  Aí Ed Porto abriu a porta do apartamento e cruzou a sala com um botijão grande de água mineral entre os braços, levando um sorriso sacana no canto da boca e recitando um verso de Caetano na canção O Estrangeiro:&lt;br /&gt;-Um macho adulto e branco sempre no comando...&lt;br /&gt;Aquilo que parecia ser mais uma piadinha boa e bem bolada de um dos Los Portos, era na verdade uma das constatações mais sagazes que ouvi de anos para cá.  Convivendo diariamente com mulheres, morando e dividindo tudo na vida com uma delas, cheguei à mesma conclusão que Caetano e Ed. O mundo é todinho desenhado, de cima a baixo, para os homens. Adultos e branco, a rigor. Mas por enquanto vamos tratar só da parte “homem” da frase.&lt;br /&gt;Depois que passamos pelos brevíssimos anos da infância, quando não existe “crianço" homem e criança mulher, e somos apenas crianças, criaturas assexuadas, os caminhos entre os seres eleitos do sexo masculino e os seres lascados do sexo feminino começam assim se apresentar.&lt;br /&gt;Começar a paquerar na escola é um momento de afirmação para o garotinho. Os pais encontram a coleguinha dele no shopping e cochicham aos amigos, cheios de orgulho.. “Ei! Olha a namoradinha de Antônio ali. Não é linda? O bicho tem bom gosto... Puxou ao pai, puxou à mãe...”.   Agora, na casa da menina, essa conversa geralmente não passa nem na esquina.  Ela nem tem paquerinha, detesta essa conversa de namoro e se um dia inventou de puxar esse assunto antes dos quinze anos, passou logo dez dias sem Internet e recebeu visitas inesperadas do pai na hora do intervalo.&lt;br /&gt;Aí vem o namoro. O pai empresta o carro ao filho de menor, que ele mesmo ensinou a dirigir, dá um dinheirinho a mais e, se brincar, a chave de casa.  Afinal ele agora está namorando, né? Gasta mais, precisa pegar a namorada, vai fazer programas mais interessantes, etc.  Na casa dela, a conversa começou dois meses antes, rodeando a mãe, amansando o pai, apresentado como amigo, até que vem a notícia que ela está namorando. Em parte dos casos cai uma nuvem de tensão na família, que lembra a casa branca na crise dos mísseis de Cuba.  Na outra parte dos casos o pau quebra mesmo. Rola grito, castigo e de vez em quando umas porradinha, pra aprender a deixar de ser enxerida.&lt;br /&gt;Quando a gente cresce mesmo, vem o trabalho.  Lá os homens mandam, ganham mais, são chefes, falam grosso e tem as melhores oportunidades. Isso não é teoria, não é hipótese. É estatística, e de todas as partes do mundo.  Para ganhar igual ao homem, a mulher, simplesmente por ser do sexo feminino, tem que ser bem melhor que os colegas. Que tal?&lt;br /&gt;Outro desdobramento muito natural na vida é o casamento.  Desde a cerimônia, aquilo para o homem é muito trivial.  No tal dia, a gente pega a roupa alugada (provavelmente alugada pela noiva), veste, faz a barba, entra no carro e vai para a igreja. Enquanto isso, em algum outro lugar da cidade, tem um exército se descabelando para que todo o longo processo preparatório que antecedeu o momento chegue ao fim sem falhas. As últimas das seiscentas e trinta e oito providências estão freneticamente sendo tomadas, enquanto um corpo tenso, estressado e carregando a obrigação histórica de ficar pelo menos deslumbrante, está sendo apertado, colocado em cima de um troço torturante que ousam chamar sapato, pintado e penteado, tudo simultaneamente, com a maior desfaçatez que se possa produzir para esconder o estresse que paira no ar. &lt;br /&gt;Depois da cerimônia vem o dia-a-dia mesmo. Antes as mulheres tinham uma vida muito desgastante, repleta de tarefas repetidas e infinitas, como cuidar de casa e educar filhos. Agora elas se emanciparam, passaram a trabalhar fora. Isso implica que elas passaram a ter estresse, pressão e tudo que a vida profissional traz de peso para os homens.  Só que tem um detalhe cruel, muuuuito cruel.  Elas não se livraram nem um pouco da vida desgastante de dentro de casa. Ou seja, agora elas se cansam com filhos, com a empregada, a babá, etc em casa e se estressam lá no trabalho. Perfeito.  Enquanto isso o homem continua omisso em casa, e agora tem a mulher dividindo as despesas e assumindo as responsabilidades que eram só deles antes do mundo ficar moderno.  Chato, né?&lt;br /&gt;O que é ter filho para um homem? Emoção, alegria, responsabilidade, realização, etc. Para a mulher? Tudo isso, mais quinze quilos, dois peitos com elefantíase, um sono que nem morfina dá, uma barriga gigantesca para carregar, consulta médica toda semana, dores, riscos de aborto, azia, enjôo, preparação de enxoval, quarto e lembrancinhas, cremes e cremes, desconforto para dormir e, para fechar, uma dor equivalente a se cagar uma jaca. Nesse momento, por exemplo, eu e minha mulher esperamos o segundo filho. Para mim é ver ultrasonografia de mês e mês. Para ela é todo o resto.&lt;br /&gt;Vamos viajar? Bora! O homem tem duas ou três decisões para tomar antes da mala estar pronta e fechada. A mulher, ah a mulher.... Isso eu não vou nem tentar descrever. Só acordando com uma no dia de uma viagem é que se pode saber como aquilo é complicado. Qualquer doutorado é projeto de iniciação científica diante daquele processo.&lt;br /&gt;Agora um dia de praia. Ele bota a sunga, pega óculos, carteira e telefone e está pronto para ir. Ela resolve ir como o sétimo biquini experimentado, sofre por uns 40min se depilando, passa protetor 30 no rosto, 8 no corpo, 15 no cabelo, 10 nos lábios, veste a canga, a sandália e o chapéu, os colares, um relógio que combine e enche uma bolsa que parece viagem, com tudo que não precisará mais na praia. Quando chega lá ele mostra o barrigão tranquilo, porque sempre tem um amigo mais barrigudo na mesa que não tá nem aí pra barriga dos dois. Ela fica sem ar, com a barriga encolhida, completamente traumatizada porque maioria das amigas tem menos barriga e faz questão de lembrá-la disso.&lt;br /&gt;Por fim, só para completar a vida fácil da mulherada, ainda tem aquelas infinitas complicações que as próprias mulheres impõem à classe.  Mulher é um bicho extremamente crítico, exigente, que repara em tudo, acha qualquer defeito existente e se não existir ela inventa, principalmente se for em outra mulher.  Arrancar um elogio verbal de um homem é difícil. Agora, façanha mesmo é arrancar um elogio (sincero!) de outra mulher. Boa parte dos trabalhos que elas executam é exigência de outras mulheres, e só será percebido por elas. Tem um amigo que quando ver essas novas modas e produções femininas diz assim “por que elas não perguntam a gente?!”.  Eu não sei. Mas se perguntassem certamente diríamos que com menos produção e horas de salão, mais  uma passadinha na Riachuelo, elas estariam bem mais lindas.&lt;br /&gt;Seja por fatores externos à classe feminina ou mesmo interna corporis, o fato é que quando Milena ligou pra mim e disse que nosso novo filho seria homem, o primeiro pensamento que me veio logo à cabeça foi:&lt;br /&gt;- Ufa! Cinco a zero para ele no jogo da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-117381671483433568?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/117381671483433568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=117381671483433568' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/117381671483433568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/117381671483433568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/03/um-macho-adulto-e-branco-sempre-no.html' title='&quot;Um macho, adulto e branco sempre no comando...&quot;'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-117381593266156505</id><published>2007-03-13T13:51:00.000-07:00</published><updated>2007-03-13T13:58:52.670-07:00</updated><title type='text'>Maria Aparecida de Amaral Pereira Goes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de dezembro de 2006. Com a iminente devolução de duas funcionárias lendárias do Fórum Eleitoral, além do total descaso e respeito do setor responsável por recursos humanos (chamam "gerência de pessoas", agora), eu resolvi fazer um pouco de justiça à dedicação prestada. sobretudo por Cida, uma das servidoras em vias de retornar para sua repartição de origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Texto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda era aquilo que chamo hoje de “menino amarelo”.  Tinha passado num concurso para trabalhar em João Pessoa e fazia, no mesmo período, graduação em Campina Grande. Isso era um problema porque se “o concurso” me chamasse eu perderia a vaga, já que não perderia a graduação por nada no mundo.&lt;br /&gt;Daí fui lá no Fórum Eleitoral, o único lugar que eu imaginava que tivesse alguém pra me dizer algo sobre aqueles prazos que me afligiam.  Na chegada, passei por todas as etapas que alguém que não tem noção de como funciona a Justiça Eleitoral acaba passando, por procurar a informação no lugar errado.  A fonte correta seria a Secretaria de Recursos Humanos, que fica na sede do Tribunal em João Pessoa. Mais precisamente na Coordenadoria de Pessoal (COPES). Portanto, eu cheguei todo errado, no lugar errado, procurando respostas que as pessoas não tinham e não podiam ter.&lt;br /&gt;Nas primeiras tentativas de obter informação encontrei o óbvio: “aqui ninguém sabe  de nada disso”. Por fim, alguém me recomendou que fosse lá em cima e falasse com Cida. “Lá em cima” eram os dois andares de escada do antigo Fórum e “Cida” era “Cida do Eleitoral” como ela gosta de ser chamada, ou Maria Aparecida de Amaral Pereira Goes, como a chamo até hoje.&lt;br /&gt;Quase tudo se repetiu em relação às pessoas que tinha falado antes. Contei a mesma história, que queria saber quando ia ser chamado, para ver se dava tempo de terminar a graduação. A diferença é que Cida disse “pera aí que eu vou ligar para Ari...”, e começou com uma série de telefonemas que percorreu vários setores da SRH, perguntado e detalhando as informações com cada um dos interlocutores.&lt;br /&gt;Dez minutos depois ela desligou e explicou tudo que eu precisava saber, quais eram as pessoas que eu poderia recorrer caso fosse chamado antes do que desejava, os telefones dos setores, as pessoas mais acessíveis, aquelas que devia evitar e, inclusive, como chegar no TRE em João Pessoa.  Depois me apresentou ao pessoal do NATT, como o programador que tinha passado no concurso. Encerrou dizendo que qualquer dúvida ligasse ou aparecesse que ela veria o que podia em ajudar.&lt;br /&gt;Eu nunca tinha visto aquela figura na vida. Ela jamais tinha me visto. E sem que eu  fosse autoridade, magistrado ou ninguém do topo da cadeia alimentar, fui recebido com absurda atenção e iniciativa.  Eu saí de lá me prometendo que se fosse chamado e me tornasse servidor público, eu seria daquele jeito, prestando meu serviço com aquele grau de empolgação.&lt;br /&gt;Onze anos se passaram, e após retornar da Bahia vi que Cida continua atendendo as pessoas perdidas no Fórum Eleitoral com a mesmíssima presteza.  Como sou certinho demais para esse país, não me tornei um servidor público exatamente igual a ela. Ao mesmo tempo sou testemunha de um grau de dedicação, abnegação e comprometimento com um órgão público que não conheço igual e, de longe, jamais serei capaz de oferecer ao Tribunal ou qualquer órgão da administração pública.&lt;br /&gt;Nesses onze anos vi em vários momentos, sobretudo quando o Tribunal precisou interagir com o Fórum, que não foi muito fácil definir se ela era Cida do Eleitoral ou se o Eleitoral era de Cida.  A sede não consegue mover uma palha, tomar uma decisão, realizar um evento, fazer uma visita ou levantar informação sem que Cida esteja como olhos e  cérebro remotos, a 120 Km, permitindo que o TRE consiga chegar a Campina Grande.&lt;br /&gt;A letra fria da lei agora determina (como o judiciário gosta) que Cida deixe de ser do Eleitoral. Com nostalgia, preciso registrar esse reconhecimento, esse devido agradecimento. Preciso fazer justiça, no sentido estrito da palavra, antes que o Eleitoral deixe de ser de Cida.&lt;br /&gt;Em nome da instituição, Cida, muitíssimo obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-117381593266156505?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/117381593266156505/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=117381593266156505' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/117381593266156505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/117381593266156505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/03/maria-aparecida-de-amaral-pereira-goes.html' title='Maria Aparecida de Amaral Pereira Goes'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116967206807901476</id><published>2007-01-24T12:52:00.000-08:00</published><updated>2007-01-24T12:54:28.096-08:00</updated><title type='text'>Fiat Lux</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;15 de Fevereiro de 2005, no hospital Santo Amaro em Salvador, nasceu a luz que me inspirará por muitos e muitos anos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Então chegou o dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não foi de repente, como antigamente, mas foi emocionante como sempre será.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não é por ser uma cesária marcada que o nascimento do primeiro filho se torna um acontecimento pouco surpreendente ou previsível. É intenso, porque se trata de uma vida. É intenso como a vida tem que ser.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Na noite anterior eu me fazia a mesma pergunta da véspera do casamento e do dia que soube da gravidez: estou pronto para isso?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A resposta também se repetia. Claro que não. Pai, gente. Pai é um negócio muito sério. Uma coisa é ser chamada de tio Guga. Uma coisa é o contato passageiro com o sobrinho, por mais chegado que lhe seja e mais responsável por ele que você se sinta. Agora, “venha aqui no colo do papai”. Vixe! É muito grave.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora é com você mesmo e de uma vez por todas. Não. Sério mesmo, como Oli diz, eu não estou pronto para isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Chegou a hora e, escalado para acompanhar o parto, ouvi do médico a aliviante recomendação que não poderia dar uma de macho. No primeiro sinal de tonteira e fraqueza eu deveria sentar, antes de desmaiar. Ou seja, tem pai que desmaia! Eu fiquei então liberado de qualquer atitude vexatória, porque se desabasse num canto de parede estava apenas seguindo recomendações médicas. Acompanhado da quase-prima estudante de medicina, sabida e metida-a-sabida como todos são, eu era o fotógrafo com direito a narração do procedimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O sorriso de Mi na entrada foi retribuído por um muito amarelo e tenso, ainda bem que escondido pela máscara daquela indumentária Plantão Médico que eu usava. A cirurgia seguia e a conversa fluente entre médico e assistente me lembrava ainda mais o seriado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;À medida que o sangue voltou a correr na cabeça, vi que o diálogo era sobre banalidades, programas de TV e, como o passageiro de avião naquele conto de Luis Fernando Veríssimo, tive vontade de gritar com os dois: presta atenção, gente! Depois relaxei, porque vi que a quase-prima quase-médica estava muito sossegada, sinalizando que a prosa era parte do procedimento. Agarrei-me na seguinte tese: se eu programo ouvindo Marcelo D2, o cara pode operar falando de novela, certo? Certo. Segue a cirurgia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O médico mandou eu dar a volta porque estava chegando a hora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O cenário do outro lado do biombo era absolutamente proibitivo para qualquer um com sensibilidade acima de médico legista.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O visor da câmera digital me salvou, ocultando os detalhes sórdidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;De repente a bunda! Isso é sorte, um bom presságio. Supersticioso por obrigação, algum baiano presente largou que nasceu com a bunda para lua. A operação que segue é dantesca. É um chacoalhado que termina com a cena que mudará a cena. Antônio na mão de doutor James é um lampejo, quase mágico, que transforma um procedimento técnico de medicina em poesia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A constatação do filho saindo literalmente das vísceras da mãe é o primeiro ensinamento definitivo da paternidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A relação filho-mãe é insuperável.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É visceral, na semântica original que deve ter fundado a expressão. É um fato de força superior, que matemático nenhum conseguirá expressar. Naquele segundo constatei de forma muito clara que o meu papel nesse triângulo amoroso que viveremos daquele dia para sempre é de coadjuvante, é menor. Por maior que possa vir a ser, será menor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O choro, inédito para mim, acordou-me da letargia que o nascimento me trouxe. Era ele, era a vida se expressando. Deveria ser permitido no centro cirúrgico pular, gritar, se ajoelhar deslizando, como se faz após um gol aos 47min. A alegria e emoção que senti naqueles minutos inauguraram uma nova coordenada, uma nova dimensão, no espaço de sentimentos da minha vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não tenho parâmetros para comparar, não tenho verbo para expressar. Quando lembro da minha emoção anterior mais forte, vejo um átomo, algo microscópico, junto ao que senti naquela sala. Mesmo faltando um Oliveira para dividir, é um momento que guardarei para vida. Esta lacuna (sem Oliveira) foi uma ressalva, uma alegria que não me queixei por sua falta, apenas guardei para que ainda haja sabores inéditos nos próximos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Assim como nas ocasiões anteriores, saí do centro cirúrgico com a certeza que já foi tarde, que estava pronto para aquilo há muito tempo. Com Antônio como troféu, segui por alguns passos, flutuando e admirando aquele ser iluminado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Horas depois, a gente descobre que ser pai não é só sentir, é também atuar, e muito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pai bota para arrotar, pai troca frauda, pai entrega para mamar, pega de volta, dá complemento alimentar, massageia a mama, bota para dormir, lava, ferve, ferve, lava. Pai faz “de um tudo”! De tudo para ser presente, para cumprir o seu papel, mas logo é novamente lembrado que não é o protagonista. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A mãe, ainda convalescente da cirurgia, vem dar a segunda demonstração de onipotência na sua relação com o filho. Vem mostrar que só a maternidade é realmente natural.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É tão forte que me deixa a impressão, muito bem definida por Mi, que todo pai é de criação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É a convivência que cria a relação de paternidade, porque a mera fecundação do óvulo é muito pouco diante dos aspectos biológicos experimentados pela mãe nessa relação. O próximo ato dessa ópera de amor supremo é a amamentação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não menos forte que a origem visceral, o gesto de alimentar o filho, tirando do seu próprio corpo a sua nutrição, é mais uma conexão insuperável que a mãe desfruta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A cena da amamentação suscita ainda a segunda constatação forte me trazida pela paternidade: não se pode ser mau filho após ser pai.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A concepção, e em seguida a transformação daquele ser indefeso em uma pessoa, é uma tarefa cumprida com abnegação e devoção, que merece a gratidão de uma vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pode ser que uma criança não tenha discernimento para perceber isso. Pode ser que o adulto se sinta muito senhor de si para delegar a alguém os méritos de sua existência. Mas quem já foi pai não pode deixar de perceber que um dia, quando não sabia nem comer, alguém o pegou do zero, do menos um, e transformou em tudo isso que você é hoje. Antônio no peito de Mi é a metáfora perfeita para desenhar o dueto criador-criatura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O aprendizado minuto a minuto, agora deliciosamente dividido com uma Oliveira, sorte que marquei no coração com mais intensidade que no registro de nascimento, é uma experiência recomendável para todo ser vivo. É preciso levar muito a sério aquela definição que a professora do primário repetia: o ser humano nasce, cresce, vive, reproduz e morre.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Sem o capítulo “reproduz”, a vida humana é um livro incompleto, faltando uma das suas vertentes mais intensa. É como se não tivesse conseguido ser tão humano quanto era possível. Ficou faltando. É um capítulo inspirador, porque todos os ideais se renovam, todos os ímpetos se alimentam no rostinho amistoso daquele ser, que merece um mundo ainda melhor que o que você luta para deixar para ele.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É renovador, porque amplifica e sedimenta o amor pela mãe, decretando uma relação definitiva entre a gente, o nosso verdadeiro casamento, como Negão me alertou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Aos poucos os desafios vão sendo vencidos, à três mãos (deus abençoe as sogrinhas nervosas), as dificuldades vão diminuindo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A cada dia se torna mais possível segurá-lo com uma mão só (molhada!) durante o banho. De repente o umbigo já não é tão feio, o cocô já não fede tanto e o pescoço não escapa mais. É recebendo cerca de oitocentos conselhos por dia, dos mais variados assuntos e origens, que a gente vai dominando o trato com essa pessoinha, que chora, cala, come, dorme, caga e, eventualmente, está meio zem, assim paradão, olhando para o nada, ou invocado com a mão coberta pela luva, como quem diz “cadê meus dedos?!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um dia a dia de pai de primeira viagem, cometendo erros, perguntando besteira, desconfiando de tudo, querendo ligar para o médico pelo menos seis vezes por dia, estranhando o choro, o silêncio, a careta, a falta dela, pouco xixi, cocô demais, tudo que for banal, mas que possa significar um sintoma, não importa de que, mas isso é um sintoma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Teremos outros filhos, certamente. Deixamos inclusive para eles algumas emoções inéditas como as contrações, bolsa estourada e a trupe dos Oliveira no corredor. Viveremos grandes alegrias na família que acaba de começar (de repente, dois mais um é igual a um!), claro que viveremos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Só que tanto os demais filhos quanto as alegrias vão ter que nos perdoar, porque nada será tão revolucionário, tão transformador como a chegada de Antônio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um sonho que se vive acordado, que dura dias e dias, que significa ainda mais que o “anjo lindo” que Tunai cantou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Na minha vida, por mais iluminada que ela pareça ter sido até então, fez-se a luz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116967206807901476?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116967206807901476/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116967206807901476' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116967206807901476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116967206807901476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/01/fiat-lux.html' title='Fiat Lux'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116955719840083720</id><published>2007-01-23T04:54:00.000-08:00</published><updated>2007-01-23T05:07:40.820-08:00</updated><title type='text'>Redação - Título: Minhas férias</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Férias de final de ano 2006-2007.  Eu e Mi entre  a Paraíba e a Bahia. Aquela redação que a professora pede pra a gente fazer no primeiro dia da volta às aulas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A perspectiva era maravilhosa. Antônio estava maiorzinho e a gente poderia, quem sabe, deixá-lo com a avó e ter uma semana só nossa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Essa história da semana só nossa expandiu nossas possibilidades. Quase que infinitamente. Mesmo Mi condenada a tirar férias entre vinte de dezembro e vinte de janeiro, até que a morte a separe do LSD, a gente já tinha considerado inclusive a possibilidade de viajar pra fora! Ó praí?! A semana viraria dez dias e dava pra a gente curtir bastante. Mesmo com o frio no hemisfério norte, a gente estava disposto a encarar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fiz contato com Amigos em Londres, Mi já tinha contatos eternos em outros lugares e o roteiro estava se construindo. Tínhamos tempo, dinheiro e tesão. Coisa rara de se reunir durante a vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O prim&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;eiro presságio foi bom. Muito bom, aliás!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mi engravidou, realizando um grande desejo nosso, que era encomendar um(a) parceiro(a) pra Toim.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi ótimo, extremamente ótimo até.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Muita emoção novamente, muita alegria e mil planos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Só que a viagem pra fora minchou, né?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Gravidez recente, horas e horas de avião, corre pra cá, corre pra lá, ficar bebum na madrugada, badalando pelas ruas ... já não dava pra implementar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Então, vamos viajar pra dentro, mesmo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uns vinte dias na Bahia, ora entre os amigos e tudo de incrível do verão de Salvador, ora em Jequié City, com tudo que a gente adora lá. Toim com os avós e a babá, e a gente na vida boa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aí tinha o casamento de Carlinha. Mais uma ótima notícia, grande acontecimento, que deixou a gente muito feliz. Super feliz, mas em Campina Grande, até o final do ano. A babá estava de folga esses dias, mas tudo bem, bom pra matar a saudade do pequeno.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Só que depois do dia trinta, a folga começou a parecer deserção. Começou aquele processo atleta olímpico de Cuba. O cara sai para competir, beija a bandeira, dá continência ao comandante e tudo. Quando ver que está longe, que ninguém pode lhe segurar, o cidadão desaparece e diz: volto mais nunca! E nós ficamos com a cara no chão, em uma novela cujo desfecho seria nós dois, Toim e nada de babá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Seguimos para Bahia. Mi de avião, e eu de carro, por uma questão de merecimento, imagino. BR 101 chovendo e entupida de caminhão. Foi massa a viajem. Num instante a gente chegou. Quatorze horas na direção de um carro 1.0 se passam voando, gente. Incrível!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um calor em Salvador de fazer inveja a Patos, deixava a gente meio confinados num apartamento um pouquinho mais quente que o lado de fora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Conseguimos ter alguns minutos com amigos que vemos de ano em ano. Tive até tardes muito gostosas com amigos que são grande parte da saudade que tenho de lá. Aí chegou a hora de ir para Jequié.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A viagem de carro foi surpreendente, porque Antônio se comportou como um lorde, cantando um repertório que vai de “Ronda”, “Negue”, até cai-cai balão, por horas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando chegamos na “capital do sudoeste baiano”, descobrimos que Salvador até que não estava tão quente assim. Sob temperatura porta do inferno,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;era um misto de escapadas para fazendas e corridas atrás de Antônio, que nos cansavam tanto quanto divertia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Com o passar dos dias, a gente ia pegando o ritmo e cuidar de Antônio já era muito mais prazer que cansaço, porque ele estava naquela fase que deixa de ser bebê e passa a ser criança, falando tudo, entendendo as coisas e saindo com umas frases que fazia a gente se perguntar “de onde esse menino tirou isso?!”. Mas há uma verdade irritantemente verdadeira que diz que nada está ruim o bastante que não possa ser piorado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um telefonema caiu de pára-quedas informando a morte também trágica de um primo de Mi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O mundo desabou de novo sobre nossas cabeças e entre viajar às pressas para Salvador, pegar parentes em aeroporto, velório e dormir em uma casa diferente a cada dia, a sexta-feira da última semana de férias finalmente chegou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A gente estava tão &lt;i style=""&gt;relax&lt;/i&gt; que chegou a ligar para a companhia tentando antecipar o vôo de volta. Que tal? Como não poderia ser diferente, não deu certo, e a gente voltou no domingo mesmo, pra uma casa sem empregada, sem nada pra comer e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sem babá. Somente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Segundo Polyanna, a gente teve um reveillon inesquecível às margens do Atlântico, voltou inteirinhos para casa, conseguiu ver praticamente todo mundo que a gente gosta na Bahia e na Paraíba, esteve &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;nas fazendas, montou a cavalo, curtiu Antônio como não fazia a mais de ano, tem grana pra comer na rua e contratar diarista enquanto as coisas se acomodam &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e etc.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Segundo eu e Mi, na moral, essas férias foram phoda!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116955719840083720?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116955719840083720/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116955719840083720' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116955719840083720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116955719840083720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/01/redao-ttulo-minhas-frias.html' title='Redação - Título: Minhas férias'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116955678607927833</id><published>2007-01-23T04:51:00.000-08:00</published><updated>2007-01-23T04:53:06.103-08:00</updated><title type='text'>Apito Final</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Contexto&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/h1&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Novembro de 2006. Recebi um telefonema de Aroldo, um amigo do racha, informando que Dr Emanuel, proprietário da granja onde fica o campo do nosso futebol, meio que subitamente havia falecido. Estava viajando sozinho de João Pessoa para Campina Grande, e alguns pensamentos sobre a figura do Doutor pairaram na minha cabeça. Como de costume,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;resolvi registrar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Apito Final&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu não tive contato pessoal com aquele velhinho. A única referência que tinha dele, fora o reencontro recente, era uma vaga lembrança dos tempos de infância, quando acompanhava o pai de Aaron em racha lá em Jenipapo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O máximo de conversa que mantive com ele foi responder, meio monossilábico, encabulado, as perguntas que ele fazia quando aparecia de repente, no meio de um jogo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Fora isso, a impressão que guardo dele foi montada quase que totalmente por observação, e eventualmente em sentimentos que suas aparições despertavam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um velhinho, de quase oitenta anos, entrar em um campo de futebol devidamente trajado, equipado como manda a regra e disposto como gostam as torcidas, é uma imagem por si só inspiradora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Daí se esse campo está habitado em sua maioria por uma meninada que paira entre os vinte pouco e os trinta e tantos, é mais gostoso de ver ainda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nessa segunda vez que meu mundo encontrou com Seu Manoel ele me impressionou simplesmente por está ali, de vez em quando, pronto como qualquer um da gente, pra entrar em campo e curtir o futebol.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Com o poder silencioso que os idosos parece ter, Seu Emanuel deu algumas lições pra&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a gente naqueles dias.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Inspirou algumas atitudes que fazem uma brincadeira descomprometida de futebol se tornar um troço educativo, construtivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Era muito interessante como ele se colocava na trave e não aceitava a posição de café-com-leite. Nunca me senti sem goleiro quando o tinha no meu time. Cada vez que a bola era chutada, que passava pela defesa, eu tinha a esperança que um torcedor tem quando o time sofre contra-ataque fulminante: que o goleiro faça aquela intervenção pouco provável, que salvará o gol.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu sabia que era perigo, por sua pouca mobilidade, mas tinha certeza que ainda não era gol.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Essa era a primeira lição.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mesmo aos oitenta, em um ambiente que a condição física é determinante, a gente ainda podia contar com um velhinho e, portanto, tinha que dá-lo o devido valor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Outro efeito educativo que sua participação tinha era arrancar de uma juventude totalmente descompromissada, regada a histórias de cachaças, vaquejadas, mulheres, etc., com aquela postura “to nem aí pra porra nenhuma” que moleque de classe média costuma ter, uma atitude respeitadora, equilibrada, decente e digna de gente muito sábia, com valores invejáveis de humanidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era bonito ver Daniel ou Pedro entrar rasgando a defesa e de cara a cara com Dr Emanuel desferir o chute final, como muito respeito. Respeito duplo. Primeiro por não usar a força que usaria para qualquer goleiro, preservando fisicamente o doutor. Depois por desferir um chute indefensável, totalmente fora das possibilidades de qualquer goleiro, pra deixar claro que tinha na sua frente um goleiro de verdade, que precisava ser evitado se quisesse fazer o gol. Daquela maneira estava dito que o Dr. tinha que ser preservado, mas definitivamente não era café-com-leite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se quando beirar os oitenta, minha hora de repente chegar, sinceramente estarei feliz se deixar pra trás a mesma impressão o doutor me deixou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uma pessoa que esteve viva, contando, influindo, participando, brincando “na vera”, até o último suspiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Como o futebol no final da tarde de domingo, o jogo da vida acabou para Dr Emanuel.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas pelo pouco contato que tive com ele, creio que a resenha, os comentários e as repercussões de sua atuação perdurarão por muito mais tempo que os 90 min da partida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116955678607927833?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116955678607927833/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116955678607927833' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116955678607927833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116955678607927833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2007/01/apito-final.html' title='Apito Final'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292257617114860</id><published>2006-11-07T09:57:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T10:20:21.740-08:00</updated><title type='text'>"O meu partido é um coração partido..."</title><content type='html'>Contexto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro de 2006.  Recebi no tabalho uma grata visita.  Foi inspiradora e  me fez ir pra casa com aquele sentimento gostoso de esperança, que Bob Marley cantou e Gil traduziu: tudo, tudo vai dar pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Acho que Cazuza já tinha AIDS quando escreveu esse verso. Ele é só o primeiro de uma seqüência de afirmações depressivas, negativas e desiludidas, que termina com um apelo meio desesperado: ideologia, eu quero uma pra viver!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cazuza era jovem demais para se desiludir tanto estando são.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu não. Não para os dois casos. Nem estou desiludido, nem tenho AIDS. Continuo empolgado, disposto e com aquela certeza dos deze6, 7, 8, 9 anos,&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;que sou capaz mudar o mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nessa época de eleição, por exemplo, eu fico satisfeito em perceber que minha tese sobre a obrigatoriedade do voto procede.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por enquanto, ainda é importante o dever de votar, porque ele leva à população ter que prestar atenção na política partidária e, como efeito colateral, acabar se politizando socialmente, se importando com o todo além da sua calçada e compreendendo a importância que tem, por mais que durante os dois anos seguintes tudo e todos se esforcem para convencê-la de sua impotência. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É época em que, lá no interior da região mais atrasada do nosso país de terceiro mundo, as pessoas de repente se posicionam como as mais avançadas sociedades de hemisfério norte. Eu não visto essa cor porque é símbolo de tal corrente política da qual eu discordo. Eu não vou jogar cartas hoje, porque vou assistir ao debate entre os candidatos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se na rua alguém está fazendo propaganda de bandeiras que são contra meus pensamentos políticos, eu não “deixo pra lá”, respondo, exponho minhas posições, debato, ensino e aprendo um pouco naquela troca de idéias.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se estou sabendo de alguma irregularidade, denuncio, vou ao Ministério Público, chamo a imprensa, espalho na Internet. Se alguém está envolvido em irregularidades, falcatruas, não perdôo, jogo duro com ele. Embora essa &lt;i style=""&gt;overdose&lt;/i&gt; de cidadania dure só uns meses, vai deixando “seqüelas”, que melhorarão a participação das pessoas mais simples no jogo da sociedade, de maneira que ludibriá-las se&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tornará cada vez uma tarefa mais complexa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Foi nessa atmosfera eleitoral que reencontrei um colega de trabalho, que não via a uns sete anos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A lembrança que tinha de Seu Martins era de um homem de pouca comunicação, rude, jovem e como traço mais marcante uma força descomunal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Contava a todo mundo a proeza que ele realizou, levando sozinho uma geladeira por dois andares de escada, quando sentiu um ar de preguiça de seus colegas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Martins era simples assim, super na dele e um monstro pra trabalhar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O que estava meio apagado na minha memória é que, nos intervalos de sua jornada,&lt;br /&gt;Martins fazia uns exercícios da escola, sentando num beco, atrás do prédio, onde podia ter paz para raciocinar. Quando tinha dúvidas, se socorria com a turma do Fórum, que sempre dava força a ele, naquela jornada de supletivo de primeiro grau.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Estava meio esquecido também que Martins tinha uma auto-estima quilômetros acima da média.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como era gari, trabalhar lá no Fórum era para ele (e os demais vindos de outros órgãos) um grande negócio, já que o serviço não fazia nem cócegas perto das horas sob sol pelas ruas da cidade. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Isso sugere que ele seguiria a mesma lógica sacana imposta aos chamados “requisitados”. Teria que engolir desaforos, porque a idéia atemorizadora de “ser devolvido” à sua repartição de origem significa um verdadeiro pesadelo.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Poderia ser atemorizadora, mas não para ele. No primeiro desaforo desrespeitoso que recebeu, Martins “meteu a mão na mesa” e disse: me devolva que eu não estou aqui para isso não!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Semana passada, quando a cada dez minutos entrava um cabo eleitoral procurando a votação de tal candidato nas seções de tais cidades, entra na sala do NATT, trajando seu uniforme de gari, um sorridente Martins.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Falante, eloqüente, bem humorado e cheio de polissílabos no vocabulário, Seu Martins agora se chama Martins da Cachoeira, e com um par de CDs nas mãos pedia para que copiasse os dados da sua expressiva votação para deputado estadual, avisando e alfinetando logo, que “o gari já tem computador”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Passado o quase susto, foi se construindo a agradabilíssima surpresa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Seu Martins me contou que é líder sindical, concluiu também o segundo grau, está na lista de chamada para o curso de Filosofia e não conseguiu os R$80,00 reais para se inscrever em direito, seu próximo projeto acadêmico. Ama o jornalismo, mas a sua atividade política já mostrou que seria preciso se vender antes de ter um microfone ou teclado à disposição pra trabalhar no ofício de sua paixão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em vocabulário do próprio Martins, tem que puxar saco para ter espaço nessa área, e aí, deeeesde o tempo lá do Fórum, não é com ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Martins lê Maquiavel e muita sociologia. Recitou para nós a primeira página de O Príncipe e, com certo orgulho, provou ser bom aprendiz. Com apenas R$7,50, conseguiu propagar a sua mensagem de final de ano na mídia. Presenteou o governador com um livro e a dedicatória o fez proclamar o nome Martins em todos os veículos de comunicação, quando não teria como mandar aquelas mensagens natalinas, pagas, reservadas para políticos endinheirados, que tem o saco puxado por aqueles jornalistas que Martins não quis ser.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ainda fomos agraciados com a narrativa de suas participações em debates, brilhantes, sempre trajado de gari, altivo e orgulhoso de ser concursado e não dever favor a nenhum padrinho. Debates com deputados (que delícia ver Martins falar “Vossa Excelência” com tanta trivialidade), empresários, políticos importantes, no âmbito de sua atividade sindical. Em cada uma das passagens, o gari (é assim que ele se denomina!) dava show, travava a verborragia cheia de pose e hipocrisia de quem não sabe o que é ser milagroso como ele. Também segundo o próprio, tem poderes mágicos, consegue fazer milagre e com freqüência mensal. Em uma rádio lhe perguntaram como os conhecimentos de gari poderiam lhe acudir numa administração de um estado. Martins trouxe a sua tese do milagre como resposta: se eu dou comida e moradia a três filhos, mulher, cachorro e um sagüim com o salário mínimo, imagine o que não faria com o que esse Estado arrecada. Assim como eu, tenho certeza que os restos mortais de Marx deram uma gostosa gargalhada naquela hora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Cada um de seus mais de mil votos foi conquistado assim, no corpo-a-corpo como, bem humorado, descreveu o gari. “Posição não atesta capacidade intelectual!”. “É melhor votar num fodido que num bandido!”. “Diga onde você vai, que eu vou varrendo.... vou varrendo, vou varrendo...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E varrendo foi Martins em sua trilha. Para lembrar a Cazuza, e a cada um de nós, que no país em que um torneiro mecânico, semi-analfabeto, retirante, feio e deficiente físico se tornou a mais expressiva personalidade política, ninguém pode se dar o direito de perder as esperanças.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De peito renovado, abro um sorriso e agradeço:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Salve Martins da Cachoeira, o gari.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292257617114860?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292257617114860/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292257617114860' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292257617114860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292257617114860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/o-meu-partido-um-corao-partido.html' title='&quot;O meu partido é um coração partido...&quot;'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292226333965242</id><published>2006-11-07T09:54:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T10:08:16.980-08:00</updated><title type='text'>Tolerância mil</title><content type='html'>Contexto:&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Janeiro de 2006, conversando no TRE, lembrei dessa história que traz uma das características que mais admiro em Oliveiros. Aquela que será provavelmente a mais valiosa herança que ele vai me deixar: a sua amistosidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não tem desafetos, não odeia ninguém, não construiu inimigos e consegue conviver com gente de toda espécie. Simplesmente porque, como Marcelo, seria capaz de dar um odioso disco de Madona a um amigo, só porque ele gosta.&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nesses dias de tão pouca paciência e tão muita afobação, em que “tolerância zero” virou até &lt;i&gt;slogan &lt;/i&gt;engraçado, lembrei-me de um episódio marcante da adolescência, que recomendaria como um antídoto para o estado de espírito que a gente tem hoje.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Que Madona lance a luz sobre essa epidemia de intolerância...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Cursava a segunda série do segundo grau, hoje ensino médio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na época (já) era militante fervoroso e os ideais comunistas eram construídos e debatidos, além da cozinha de casa, com professores e amigos de sala. Um amigo em especial trazia uma afinidade maior, talvez porque o cara tinha um perfil parecido com o meu, era filho de militante perseguido pela ditadura (ele no Chile, eu aqui mesmo) e quase nascera em cima de um Jipe, fugindo do estádio nacional, onde Pinochet fazia um sorteio mata-não-mata. Com esse amigo, além de política, eu debatia quase tudo, todas as formas de arte e, sobretudo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;música.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Na mão dele vi o primeiro exemplar do antológico “Cabeça de Dinossauro”, dos Titãs. Conheci também nesses debates Ratos de Porão, Plebe Rude, Garotos Podres e outros espécimes &lt;i&gt;undergroud&lt;/i&gt; da época, ora em nossos papos no colégio, ora em visitas mútuas. O cara já gostava de &lt;i&gt;funk, &lt;/i&gt;sabendo dançar e tudo. Óbvio, numa versão absolutamente diferente do modelo atual, zero bunda de fora! Era um entrosamento que nascia na sala de aula, se expandia pelo corredor, nas festas em finais de semana, desembocando próximo à área, onde fazíamos uma dupla de ataque perigosa. Aliás, no esporte também tínhamos afinidades por sermos metidos a atletas, ele de handebol, eu de basquete.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Dentro de toda essa afinidade havia um ponto de ruptura, uma discordância praticamente insuperável, por ser uma diferença radical. Na verdade, já naqueles dias, não tínhamos a menor vergonha de sermos radicais em boa parte dos posicionamentos que tomávamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Toda essa celeuma era causada por uma mulher (tinha que ser, né?). Não que a gente tivesse se apaixonado pela mesma. Não que alguma mentira intrigante tivesse sido plantada por uma garota para criar inimizade. Não, nada disso. Simplesmente eu a-do-ra-va (separado, como bicha gosta de falar) a cantora Madona!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu me amarrava nos shows música + coreografia que ela fazia. Gostava como gosta todo mundo chegado a “cultura” &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt;. Gostava por nada. Porque era animado e me dava uma vontade boa de sair dançando, daquelas que hoje os tambores de maracatu me causam. Era uma música pobre, duma mulher que ora falava como uma virgem, ora convidava todo mundo para celebrar um feriado. Ou seja, música-vazia-superficial-de-gosto-pequeno-burguês-imposta-por-uma-coerção-imperialista-das-gravadoras-multinacionais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imperdoável!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu nunca tocava no assunto, mas vez por outra alguém chegava e perguntava “viram o novo clipe de Madona?”. Vixe! Fechou o tempo. Eu me animava todo para comentar, meu amigo me olha com aquela cara de nojo que os baianos fazem antes de perguntar “você é viado, rapá?!”. E assim esse assunto ficou meio censurado por alguns anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Certo dia, como em todos os dias de prova, saímos mais cedo do colégio e subimos caminhando a ladeira rumo ao centro, para fazer hora até a saída do pessoal dos outros colégios, que a gente encontrava para paquerar e conversar besteira na praça. No caminho fizemos um dos programas prediletos, que era parar para comprar/olhar discos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Garimpamos as bandas e sons que curtíamos, mostramos um monte de disco um ao outro, elogiando um, metendo o pau em outro, de forma que escolhemos um ou dois cada para comprar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Desde o primeiro momento, ele me sacaneava com o novo disco de Madona na mão, que custava uma grana, falando pra todo mundo ouvir que eu gostava daquilo. “E aí? Não vai gastar o dinheiro do mês nessa pérola não?!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“Compra o disquinho da Madona, compra”. E eu, levando na boa, respondia já provocando que estava muito legal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A gente foi para o caixa, pagou os discos, eu levando um e ele dois, saímos cada um com sua sacola, cruzando a rua em direção à praça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Antes de chegar ao ponto da paquera, ele me parou no meio da praça, tirou da sacola o disco novo de Madona e disse: “Toma viado, vai ouvir tua porcaria”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu primeiro fiquei sem ação. Depois dei um puta abraço no sacana que naquela hora me passou uma das mais preciosas lições que acumulei na vida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Embora eu saiba “decó” desde aquele dia, só recentemente me restou aprender de verdade: a gente não deve associar um sentimento a uma opinião. A gente não precisa odiar o cara porque discorda dele, nem vice-versa também. O fato de pensar/agir diferente não deve descredenciar ninguém ao nosso convívio. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Essa intolerância, além de ser raiz de desgraças em toda parte do mundo, torna o nosso ciclo de convívio pobre, linear, só de gente que pensa e age igualzinho, que pouco acrescentará à nossa visão de mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Naquela manhã, em frente à Lobras, Marcelo me presenteou de maneira muito singela e surpreendente com essa caríssima lição, em forma de um disco vermelho, da cantora Madona.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292226333965242?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292226333965242/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292226333965242' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292226333965242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292226333965242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/tolerncia-mil.html' title='Tolerância mil'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292205014658034</id><published>2006-11-07T09:47:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:54:10.156-08:00</updated><title type='text'>Meninos, eu vi.</title><content type='html'>Contexto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito de maio de 2005. No Amigão, transmitido ao vivo para todo país, jogaram Treze e Fluminense pelas quartas-de-final da Copa do Brasil.  Um jogo histórico, inesquecível, daqueles que se cometará por década, como o tal time do Campinense, o time do Zé Pinheiro, hexa-campeão paraibano.  Eu tive a honra de estar lá, para viver aquelas duas horas incríveis e sentir a alegria mais intensa que experimentei em minha vida.  Para contar uma história bem contada aos meus netos, resolvi registrar alguns detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;        Era uma noite fria, como são frias todas as noites entre abril e setembro em Campina Grande. Porém, era só no ar que pairava a frieza daquela noite, porque como em todas as ocasiões em que a empolgação é requisitada aos campinenses, a cidade se tornou um caldeirão, borbulhando a vários graus acima de cem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Era o Treze na Copa do Brasil.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era o Treze contra o Fluminense. O Treze ao vivo em mais de 60 milhões de salas brasileiras. Era mais um dia daqueles que eventualmente enchem o peito da Borborema, tornando muito gostoso ter nascido nessa cidade. Era mais um dos momentinhos em que os amigos Brasil a fora ligam e escrevem para exclamar na maior autivez: viu Campina?!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A história já estava feita. Jamais um time da Paraíba chegara tão longe em campeonato nacional. Jamais tínhamos feito tão bonito, figurando tanto tempo nas reportagens esportivas, nos comentários de jornalistas dos gigantes daquele Brasil que aparece e manda nos meios de comunicação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Lembro-me que antes mesmo de começar essa fase da competição já ter dito que tudo queria é que o Treze não saísse de forma vexatória, que não nos expusesse ao ridículo de uma goleada daquelas em que os jogadores já nem comemoram os últimos gols.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Só queria que a gente não tivesse que recorrer àqueles argumentos do tipo salários, tradição do clube, condições de treinamento, alimentação, etc para concluir que de qualquer forma tinha sido uma trajetória histórica. Então fui ao campo sem ambição, sem maiores expectativas, de certa forma justamente para poder escrever essas linhas, para poder contar aos futuros paraibanos como Antônio&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; que naquela noite eu estava lá, não me contaram, não fui espectador, fui a rigor um dos milhares de atores que viveram essa história.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Com a derrota simples na primeira partida, o objetivo de não fazer feio já estava praticamente cumprido. Mas diferente de mim, talvez porque só recentemente fui repatriado, quem nasce em Campina Grande tem espírito&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Marinês,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pensa e deseja tudo grande. Com ambições enormemente maiores que as minhas, a cidade era um pandemônio comparável com a abertura de São João, sexta-feira de Micarande, domingo de campanha eleitoral ou qualquer outro dia em que haja um centímetro de oportunidade para se transformar em uma grande festa. Meu pai saiu só para ver a movimentação e quase não consegue voltar. Parte porque as ruas estavam lotadas e intransitáveis, parte porque não nega ser daqui e se empolgou com a euforia, sem querer mais largá-la.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tinha gente dizendo que vencia, tinha gente dizendo que seria fácil, tinha gente – os mais campinenses de todos - com placa “Galo Rumo a Tóquio”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Veio gente das cidades vizinhas, de João Pessoa, até raposeiro para torcer pelo Galo, mesmo que sob o argumento sacana de que, assim como o Treze, era acima de tudo Campinense.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O estádio estava lotado, completamente pintado de preto e branco. A visão que obtive subindo as escadarias de acesso à arquibancada era, pelo menos, tão emocionante quanto à dos jogadores subindo o túnel. O som numa freqüência que só as multidões conseguem produzir embalavam a maior massa de trezeanos jamais reunida. Um sorriso incontrolável de quem ver o Chiclete com Banana passar me invadiu o rosto e agradeci por estar ali, vivendo aquele fusué. O cenário estava perfeito para o espetáculo que estava por vir, que será narrado repetidamente, por anos e anos, do São José ao Calçadão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O jogo foi um jogo de futebol como o outro qualquer, que passado um primeiro tempo ruim, a equipe da casa pressionou, cercou e encurralou o visitante.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ocorre que de normal nesse caso isso não tinha nada. Para mim não era normal porque quem estava massacrando no segundo tempo era o Treze. Sim, o Treze(!), aquele que eu via treinar lá no PV&lt;a style="" href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Quem estava encurralado era o Fluminense, que vinha de sete vitórias seguidas, campeão carioca, líder do Brasileiro, tendo jogos transmitidos na TV dia sim, dia também. Para o resto da torcida também não estava nada normal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O Treze ainda não tinha feito um gol naquele timinho?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Da Silva perder dois gols daqueles no mesmo jogo? O banderinha daqui, rapaz, anular o gol do Treze?!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tava todo mundo indignado, gente passando mal, Nadja&lt;a style="" href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; chorando de ódio do “time véi bosta que não faz nenhum gol”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando perto do fim foi perdido um daqueles gols impossíveis de se perder (embora todos os times tenham perdido contra o Treze em defesas que a torcida achava normal nosso goleiro fazer), o desespero e indignação se generalizaram. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como o Fluminense tinha um a menos, embora tenha sofrido duas expulsões, já que o Treze cumpria a tradição de um jogador expulso por jogo, ninguém aceitava aquele placar de 0 X 0. Principalmente porque o Flu, o Tricolor das Laranjeiras, era cada vez mais fluzinho. Simulava contusão, criava confusão e botava para fora todo o repertório ironicamente inventado para times pequenos como o Galo apelar em decisões com grandões como o Flu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nesse momento o juiz, do ápice da sua imparcialidade, deu apenas três minutos de acréscimo onde cabiam pelo menos seis. Mais desespero ainda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquilo completou um leque de atitudes tendenciosas adotadas desde o primeiro apito, levando à loucura completa os três ou quatro últimos trezeanos que ainda estavam em seu juízo perfeito àquela altura. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Enquanto metade da torcida já desistia, porque o relógio mostrava que o juiz encerraria o jogo a qualquer momento, a outra metade, da qual eu fazia parte, estava extremante animada, já que o jogo mostrava que o gol tava para vir a qualquer segundo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E foi assim que ele veio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em um lance em que eu vi (e havia) muito mais impedimento que em outro já anulado minutos atrás, a bola ficou pulando, pulando na área, até que, com quase displicência, o jogador trezeano desferiu o chute, fazendo a rede balançar, em uma cena que jamais esquecerei e que para sempre agradecerei estar lá para testemunhar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por dois segundos, devido ao trauma de minutos atrás, hesitei procurando e temendo os sintomas de anulação, como juiz parado, jogador reclamando, torcida calando. Não vieram! E como foi gostoso, enlouquecedor e intenso que eles não tenham vindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Junto comigo explodiu um estádio lotado. Junto comigo enlouqueceu uma multidão até então revoltada, angustiada, desanimada ou conformada. Não havia fôlego bastante para que o grito botasse para fora o que se sentia ali. Não havia pulo alto o bastante para extravasar aquela emoção. Precisaria mais dez anos de meio de rua para eu ter palavrões suficientes para xingar naquela hora. Seria preciso abraçar toda arquibancada-sombra para me sentir suficientemente confraternizado naquele momento. Era definitivamente a mais intensa alegria que jamais experimentei no esporte. Pela rompante que chegou, talvez a mais intensa alegria que conheci na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como é lindo um estádio feliz. Como é linda aquela multidão formada por homem xingando, mulher descabelando, criança chacoalhando no braço do pai, e todo mundo envolvido na “ofegante epidemia”, na mais pura felicidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Era o futebol mostrando a sua magia, fazendo o pequeno bater no grande, cada pobre dali mais feliz que todos os ricos do mundo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Levando estranhos a se abraçarem como irmãos, fazendo Campina, tão diminuta como a própria palavra já diz, se tornar enorme, pois “Grande” era pouco demais para aquele gol.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O que se segue é o que a história resumirá em “o Treze perdeu nos pênaltis”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claro que esse resumo será injusto por negligenciar as defesas do goleiro trezeano nas cobranças, a competência dos nossos batedores, levando a série até às cobranças de goleiro. Será injusto por não lembrar que quem perdeu foi exatamente quem podia, porque Wagner Diniz e Beto (escrevo os nomes para registro) foram grandes astros dessa campanha memorável.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Injusto também por não lembrar que o erro cometido na cobrança capital do trezeano foi aplaudido pela torcida, num reconhecimento velado à grandeza daquela noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O resumo da história talvez também negligencie o fato de que, embora consumada a derrota, a torcida cantava com propriedade o sentimento que enchia meu coração até o momento em que escrevia esta suposta crônica :&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Eu &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;sou trezeano, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;com muito orgulho &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;e muito amor-ôôôô”&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Meu filho, recém nascido&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; PV = Presidente Vargas, estádio do Treze onde seus treinamentos são realizados&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Minha irmã mais nova&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292205014658034?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292205014658034/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292205014658034' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292205014658034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292205014658034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/meninos-eu-vi.html' title='Meninos, eu vi.'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292150880730450</id><published>2006-11-07T09:41:00.001-08:00</published><updated>2006-11-07T09:45:08.823-08:00</updated><title type='text'>Sejamos amenos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Contexto :&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maio de 2005. De tanto ser chamado de “radical”, resolvi registrar essas idéias e sentimentos que, réu confesso, assumo esse rótulo com tranqüilidade e alívio. Mais que isso, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;recomendo-o fortemente, para quem estiver disposto a ser muito mais que um dente na engrenagem,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mais um tijolo no muro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;hr style="height: 2px;"&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Vamos viver na superfície.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fazer, pensar e sentir tudo que se possa ser capaz, desde que não se adentre a um palmo de profundidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos assistir a filmes bobinhos, comédias românticas, "Uma Linda Mulher" e "&lt;i&gt;Notting Hill&lt;/i&gt;", ah que delícia...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos manter conversas no repertório Leão Lobo, falar de coisas que durem segundos, que não impliquem em nada, que não precisem de qualquer esforço de raciocínio ou memória.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São inúmeros os assuntos que podemos manter nessa linha, são quase todos temas das conversas que temos tido ultimamente, tanto da porta para dentro, como para fora de casa.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não me venha com papo-cabeça, porque papo já ta dizendo, não é para usar a cabeça, é só para falar, falar, falar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ninguém vai resolver os problemas do país numa mesa de bar, ninguém vai mudar o mundo no terraço de casa, então para que conversar essas coisas complicadas, macro-economia, Lula e Chavez, corrupção, homossexualidade, relação pai-filho, eleição na Câmara e votação no Congresso? Para que abrir o debate sobre as coisas que chamamos de normal, discutir se são mesmo normais, quem determinou que se tornassem normal e quem fará deixá-las de ser ? Para que isso? Deixar de rir com as piadas do Casseta, as fofocas das novelas, as polêmicas do momento, para se jogar numa prosa que vai deixar todo mundo de testa enrrugada, sem certeza se a próxima frase que falará está correta, ou mesmo se terá uma próxima frase para falar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para que correr o risco de sair da mesa encasquetado com a conversa, intrigado com algumas coisas que ouviu, ruminando até mais tarde no travesseiro?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Afinal a idéia era só se divertir, e não ficar encasquetado com aquele papo de maluco até mais tarde, se virando no travesseiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sem essa de filme profundo, confuso, escuro, lento e sobre gente como a gente. Quero daqueles que "quando nascemos fomos programados" para gostar. Muita explosão, gente linda, super-homens e, principalmente, final feliz, afinal quem gosta de gente feia e tristeza? Quero filme que envolva muito, mas muito figurante mesmo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se tiver na base de milhares é o ideal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora então que a técnica copia-cola serve para aumentar os elencos, quero ver batalha de 50 mil pessoas, desfiles de 100 mil e por aí vai. É fundamental um herói, que se for do presente deve ser descolado, marombado e monosilábico, se for do passado, grosserão e destemido.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se tiver um enredo a ser compreendido, que seja narrado e destrinchado nos diálogos dos personagens.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não deixem nada para eu deduzir, porque não se vai ao cinema para pensar, não é mesmo?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quero filmes que, falando sobre eles, sempre me referirei àquela imagem (ou seqüência), nunca àquele diálogo. O começo deve ser lento e explicativo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O meio tem que ser um pouco instável, com duas ou três possibilidades de desfecho, desde que a mais paz-e-amor delas seja concretizada, porque está na bíblia da telona: "no final dá tudo certo, se não der certo é porque não é o final ainda".&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por favor, não traga música que me obrigue a prestar atenção na letra, porque música é para se ouvir, não para entender. Tem que ser animada, daquelas que "bombam na balada". Tem que ser para consumir em altíssimo volume, de preferência na mala aberta de um carro que encostou no bar de ré e mostrou potência, com seu repertório perfeito para uma festa no meu AP, estrelando Calipso e Psirico. Música tem a função social de animar festa, quando a gente escuta em casa é porque quer sentir um gostinho daquela animação que só as festas têm.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquelas com gente falando baixinho, com dois ou três instrumentos, chegando ao absurdo de se apresentar em show com menos de 25 pessoas no palco, é para quem quer entrar &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em depress￣o. Se"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;em depressão. Se&lt;/span&gt;&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; quiser curtir música, curtindo mesmo, tem que do repertório disponível nos camelôs, com aquelas capas desbotadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Livros, nem pensar. Nem Paulo Coelho, ou o último guia de como fazer qualquer coisa em tantos dias. Livro basta os da escola. Podem até ser bonitinho na estante, mas no meu colo, por horas, páginas e páginas sem uma imagem, é o veneno perfeito para quem quer morrer de tédio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Teatro, tenha paciência! Se não for comédia, é coisa de viado. Quando não, é viado fazendo comédia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pois é. Embora ninguém tenha o despudor para falar assim, na verdade, lá no fundo mesmo, está cada vez mais difícil encontrar quem não se enquadre nesses perfis, condenando a morte a inteligência e uma inesgotável capacidade de nos emocionar que carregamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas que mal tem isso? Se o importante da vida é ser feliz, não interessa se será ouvindo Calipso ou Cordel do Fogo Encantado? &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Na verdade diria que tem todo mal do mundo, pelo desperdício diário que poderá fazer-nos no máximo passar pela vida contentes, em vez de vivê-la na plenitude, extrema e radicalmente felizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Imagine um cego assistindo àquela antológica cena dos alunos sobre as carteiras, em Sociedade dos Poetas Mortos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imagine um surdo no Maracanã lotado, com 100 mil pessoas cantando o hino do clube campeão. Imagine um daltônico diante dos quadros de Van Ghog, ou um nariz congestionado aspirando um saco de pão quentinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Perceba que preciosas oportunidades de se ter a vida em &lt;i style=""&gt;overdose&lt;/i&gt;, na dose que ela sempre é capaz de se oferecer, que se estaria jogando fora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imagine um dos quinze beijos que um “pegador” conseguiu numa tarde de carnaval e compare com o beijo de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; color: black;"&gt;Jack Dawson&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e Rose, naquele carro de vidro embassado, no Titanic.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Compare a sua alegria e a de Heloisa Helena em ver um homem do povo eleito presidente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem curte mais a música, você que tem um AP onde poderia haver uma festa, ou o menino do mangue, ouvindo Chico Science falando das paredes do seu quintal?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Talvez assim a gente se disponha a correr o risco de se aprofundar, de "ser radical" uma vez por outra, respirar fundo e dar várias pernadas e braçadas rumo ao fundo, sem sentir saudades da tranqüilidade da superfície.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O risco do mergulho é um preço muito pequeno a se pagar para ver os meninos de pé nas carteiras, ouvir um Maracanã lotado, cheirar pão quentinho (hummmm), ver cada detalhe de Van Gogh, amar como Jack e Rose e, ouvindo Chico Science, chorar com Heloisa Helena indignada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Para isso é preciso que vejamos também filme europeu, latino-americano, iraniano, seja lá de onde for, para que pelo menos corramos o risco de entrarmos no cinema uma pessoa X e sairmos Y, mais informada, mais sensível, mais compreensiva, mais inteligente, mais qualquer coisas, desde que não fiquemos os mesmos (ou menos) que entramos.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É preciso de vez em quando, de preferência mais em quando que de vez, ouvir música de gente que quer, antes de ficar milionário e cantar no Faustão, fazer música.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ouvir gente do bairro, da sua cidade, que resolveu botar um violão nas costas e viver de música, falando das coisas que tornam, ou pelo menos deveriam tornar, o ser humano uma espécie superior, especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Leiamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Qualquer coisa, seja lá o que for, de &lt;i style=""&gt;out-door &lt;/i&gt;a romance. Mas que tragamos para o cotidiano esse hábito enriquecedor e libertador.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Segundo Milton, um vaqueiro que conheci no interior do interior, quem lê pode domar o mundo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É preciso que você vá ao teatro e, por favor, me chame.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vamos falar qualquer dia sobre coisas intrigantes, que não tenhamos respostas, nem clichês prontos para cada frase.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aqueles papos do tipo que a gente suspirar e conclui: puts! Nunca tinha pensado sobre isso, sabia?&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vamos viver na plenitude, explorar nossas potencialidades, usar pelo menos 10% dos 10% que dispomos da nossa cabeça animal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos chorar, gargalhar, nos indignar, nos aprofundar em todas as emoções e idéias que estejam ao nosso alcance.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não temamos o risco de ser o chato da roda, de ficar deslocado nela, porque do jeito que ela anda,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tão vazia, tão pouquinha, vivendo um dia atrás do outro, tudo igual, igual, igual... faz muito mais medo conseguir se misturar facilmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Comecemos a quebrar o paradigma dominante, em que música, TV, cinema, teatro, etc são meros meios de entretenimento, pura diversão, veja-ria-esqueça, para que não nos mantenhamos como um rebanho divertidamente entretido, sorridente, enquanto a vida, aquela intensa, que remete a sangue pulsando na veia, vai passando, passando...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Morri.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292150880730450?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292150880730450/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292150880730450' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292150880730450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292150880730450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/sejamos-amenos.html' title='Sejamos amenos'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292148923106353</id><published>2006-11-07T09:41:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:44:49.240-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Contexto :&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maio de 2005. De tanto ser chamado de “radical”, resolvi registrar essas idéias e sentimentos que, réu confesso, assumo esse rótulo com tranqüilidade e alívio. Mais que isso, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;recomendo-o fortemente, para quem estiver disposto a ser muito mais que um dente na engrenagem,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mais um tijolo no muro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;hr style="height: 2px;"&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Vamos viver na superfície.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fazer, pensar e sentir tudo que se possa ser capaz, desde que não se adentre a um palmo de profundidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos assistir a filmes bobinhos, comédias românticas, "Uma Linda Mulher" e "&lt;i&gt;Notting Hill&lt;/i&gt;", ah que delícia...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos manter conversas no repertório Leão Lobo, falar de coisas que durem segundos, que não impliquem em nada, que não precisem de qualquer esforço de raciocínio ou memória.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São inúmeros os assuntos que podemos manter nessa linha, são quase todos temas das conversas que temos tido ultimamente, tanto da porta para dentro, como para fora de casa.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não me venha com papo-cabeça, porque papo já ta dizendo, não é para usar a cabeça, é só para falar, falar, falar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ninguém vai resolver os problemas do país numa mesa de bar, ninguém vai mudar o mundo no terraço de casa, então para que conversar essas coisas complicadas, macro-economia, Lula e Chavez, corrupção, homossexualidade, relação pai-filho, eleição na Câmara e votação no Congresso? Para que abrir o debate sobre as coisas que chamamos de normal, discutir se são mesmo normais, quem determinou que se tornassem normal e quem fará deixá-las de ser ? Para que isso? Deixar de rir com as piadas do Casseta, as fofocas das novelas, as polêmicas do momento, para se jogar numa prosa que vai deixar todo mundo de testa enrrugada, sem certeza se a próxima frase que falará está correta, ou mesmo se terá uma próxima frase para falar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para que correr o risco de sair da mesa encasquetado com a conversa, intrigado com algumas coisas que ouviu, ruminando até mais tarde no travesseiro?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Afinal a idéia era só se divertir, e não ficar encasquetado com aquele papo de maluco até mais tarde, se virando no travesseiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sem essa de filme profundo, confuso, escuro, lento e sobre gente como a gente. Quero daqueles que "quando nascemos fomos programados" para gostar. Muita explosão, gente linda, super-homens e, principalmente, final feliz, afinal quem gosta de gente feia e tristeza? Quero filme que envolva muito, mas muito figurante mesmo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se tiver na base de milhares é o ideal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora então que a técnica copia-cola serve para aumentar os elencos, quero ver batalha de 50 mil pessoas, desfiles de 100 mil e por aí vai. É fundamental um herói, que se for do presente deve ser descolado, marombado e monosilábico, se for do passado, grosserão e destemido.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se tiver um enredo a ser compreendido, que seja narrado e destrinchado nos diálogos dos personagens.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não deixem nada para eu deduzir, porque não se vai ao cinema para pensar, não é mesmo?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quero filmes que, falando sobre eles, sempre me referirei àquela imagem (ou seqüência), nunca àquele diálogo. O começo deve ser lento e explicativo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O meio tem que ser um pouco instável, com duas ou três possibilidades de desfecho, desde que a mais paz-e-amor delas seja concretizada, porque está na bíblia da telona: "no final dá tudo certo, se não der certo é porque não é o final ainda".&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por favor, não traga música que me obrigue a prestar atenção na letra, porque música é para se ouvir, não para entender. Tem que ser animada, daquelas que "bombam na balada". Tem que ser para consumir em altíssimo volume, de preferência na mala aberta de um carro que encostou no bar de ré e mostrou potência, com seu repertório perfeito para uma festa no meu AP, estrelando Calipso e Psirico. Música tem a função social de animar festa, quando a gente escuta em casa é porque quer sentir um gostinho daquela animação que só as festas têm.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquelas com gente falando baixinho, com dois ou três instrumentos, chegando ao absurdo de se apresentar em show com menos de 25 pessoas no palco, é para quem quer entrar &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em depress￣o. Se"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;em depressão. Se&lt;/span&gt;&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; quiser curtir música, curtindo mesmo, tem que do repertório disponível nos camelôs, com aquelas capas desbotadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Livros, nem pensar. Nem Paulo Coelho, ou o último guia de como fazer qualquer coisa em tantos dias. Livro basta os da escola. Podem até ser bonitinho na estante, mas no meu colo, por horas, páginas e páginas sem uma imagem, é o veneno perfeito para quem quer morrer de tédio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Teatro, tenha paciência! Se não for comédia, é coisa de viado. Quando não, é viado fazendo comédia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pois é. Embora ninguém tenha o despudor para falar assim, na verdade, lá no fundo mesmo, está cada vez mais difícil encontrar quem não se enquadre nesses perfis, condenando a morte a inteligência e uma inesgotável capacidade de nos emocionar que carregamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas que mal tem isso? Se o importante da vida é ser feliz, não interessa se será ouvindo Calipso ou Cordel do Fogo Encantado? &lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Na verdade diria que tem todo mal do mundo, pelo desperdício diário que poderá fazer-nos no máximo passar pela vida contentes, em vez de vivê-la na plenitude, extrema e radicalmente felizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Imagine um cego assistindo àquela antológica cena dos alunos sobre as carteiras, em Sociedade dos Poetas Mortos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imagine um surdo no Maracanã lotado, com 100 mil pessoas cantando o hino do clube campeão. Imagine um daltônico diante dos quadros de Van Ghog, ou um nariz congestionado aspirando um saco de pão quentinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Perceba que preciosas oportunidades de se ter a vida em &lt;i style=""&gt;overdose&lt;/i&gt;, na dose que ela sempre é capaz de se oferecer, que se estaria jogando fora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imagine um dos quinze beijos que um “pegador” conseguiu numa tarde de carnaval e compare com o beijo de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; color: black;"&gt;Jack Dawson&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e Rose, naquele carro de vidro embassado, no Titanic.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Compare a sua alegria e a de Heloisa Helena em ver um homem do povo eleito presidente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem curte mais a música, você que tem um AP onde poderia haver uma festa, ou o menino do mangue, ouvindo Chico Science falando das paredes do seu quintal?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Talvez assim a gente se disponha a correr o risco de se aprofundar, de "ser radical" uma vez por outra, respirar fundo e dar várias pernadas e braçadas rumo ao fundo, sem sentir saudades da tranqüilidade da superfície.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O risco do mergulho é um preço muito pequeno a se pagar para ver os meninos de pé nas carteiras, ouvir um Maracanã lotado, cheirar pão quentinho (hummmm), ver cada detalhe de Van Gogh, amar como Jack e Rose e, ouvindo Chico Science, chorar com Heloisa Helena indignada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Para isso é preciso que vejamos também filme europeu, latino-americano, iraniano, seja lá de onde for, para que pelo menos corramos o risco de entrarmos no cinema uma pessoa X e sairmos Y, mais informada, mais sensível, mais compreensiva, mais inteligente, mais qualquer coisas, desde que não fiquemos os mesmos (ou menos) que entramos.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É preciso de vez em quando, de preferência mais em quando que de vez, ouvir música de gente que quer, antes de ficar milionário e cantar no Faustão, fazer música.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ouvir gente do bairro, da sua cidade, que resolveu botar um violão nas costas e viver de música, falando das coisas que tornam, ou pelo menos deveriam tornar, o ser humano uma espécie superior, especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Leiamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Qualquer coisa, seja lá o que for, de &lt;i style=""&gt;out-door &lt;/i&gt;a romance. Mas que tragamos para o cotidiano esse hábito enriquecedor e libertador.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Segundo Milton, um vaqueiro que conheci no interior do interior, quem lê pode domar o mundo.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É preciso que você vá ao teatro e, por favor, me chame.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vamos falar qualquer dia sobre coisas intrigantes, que não tenhamos respostas, nem clichês prontos para cada frase.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aqueles papos do tipo que a gente suspirar e conclui: puts! Nunca tinha pensado sobre isso, sabia?&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vamos viver na plenitude, explorar nossas potencialidades, usar pelo menos 10% dos 10% que dispomos da nossa cabeça animal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vamos chorar, gargalhar, nos indignar, nos aprofundar em todas as emoções e idéias que estejam ao nosso alcance.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não temamos o risco de ser o chato da roda, de ficar deslocado nela, porque do jeito que ela anda,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tão vazia, tão pouquinha, vivendo um dia atrás do outro, tudo igual, igual, igual... faz muito mais medo conseguir se misturar facilmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Comecemos a quebrar o paradigma dominante, em que música, TV, cinema, teatro, etc são meros meios de entretenimento, pura diversão, veja-ria-esqueça, para que não nos mantenhamos como um rebanho divertidamente entretido, sorridente, enquanto a vida, aquela intensa, que remete a sangue pulsando na veia, vai passando, passando...&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Morri.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292148923106353?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292148923106353/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292148923106353' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292148923106353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292148923106353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/contexto-maio-de-2005.html' title=''/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292127155219659</id><published>2006-11-07T09:38:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:41:11.566-08:00</updated><title type='text'>Romper ou corromper</title><content type='html'>Contexto:&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Julho de 2005. Atento à “crise” política que está em toda tv-rádio-jornal-Internet, resolvi registrar a minha impressão, minha forma de compreender essa aparente avalanche que ferve no país.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Texto....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Quando o cenário político ofereceu todas as variáveis favoráveis à chegada do PT ao poder nacional, dando de fato a sensação que Duda Mendonça brilhantemente traduziu em “Agora é Lula”, deu-se a falsa impressão que chegava a hora da virada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;De um lado o governo FHC terminava melancolicamente, ostentando praticamente como única façanha a já esgarçada alegria de “o pobre agora está comendo mais frango”, a mesma que o trouxera ao Planalto, longínquos oito anos antes, a reboque do Plano Real. De amarguras tinha recordes de desemprego, inflação projetada de dezoito por cento ao ano, as privatizações frustrando as expectativas de melhores serviços e preços, uma estrutura estatal desmanchada, além de mais uma dezenas de outras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;As outras forças de grande musculatura política, PFL e PMDB, não engoliam a antipatia velada do candidato oficial, imposto goela a baixo por FHC, e estavam por isso uma afogada em escândalos de grampo e painel do Senado, a outra pronta para ir com Lula assim que fosse chamada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O único adversário possível de bater o tetra-candidato Lula era a sua própria candidatura, se construída em parâmetros fáceis demais de ser batidos, ou repetisse estereótipos já derrotados nas vezes anteriores.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Esse perigo foi igualmente afastado com o nascimento do “Lulinha paz e amor”, em cenário cor-de-rosa em vez de vermelho, que abriu as portas da classe média preconceituosa, limpando o caminho rumo a sonhada rampa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando a euforia crescia e a frase “agora é Lula” já soava “puts! Parece que agora é Lula mesmo!”, um fato muito sério passou discreto pelos olhos e corações empolgados daqueles dias.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Diante de uma tremida do mercado, todos os candidatos, inclusive o operário, foram às pressas ao Planalto assinar uma “Carta aos Brasileiros”, que de “aos brasileiros” só tinha o título, avisando às forças econômicas que ninguém mexeria naquele joguinho animado de enriquecer especulador, há anos jogado por aqui. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outros fatos igualmente sintomáticos desfilavam na frente de olhos cegos de alegria e expectativas. O candidato à vice era um megaindustrial do PL, formando fileiras com a turma do PTB de Roberto Jefersson, que embora tenha fama nacional recente, é uma das raposas mais antigas do parlamento, além do PP, honrosamente habitado por Dorneles, Delfin, Maluff &amp; Cia LTDA, e o PL da Igreja Universal. Na base de “o que vale é voto na urna”, sempre mais oportunista que Dadá Maravilha, ACM e sua turma também eram bem vindos na reta final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Na verdade não era exatamente empolgação que cegava aqueles olhos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Boa parte deles era cega simplesmente porque habitava aquela faixa de discernimento de quem se emociona com Globo Repórter e se diverte com Faustão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A outra parte, mais perspicaz, apostava que todo aquele capital político, acumulado pela comoção nacional que levava Lula ao governo, seria gasto metade em um “chute na bunda” do relicário que o rodeava, outra metade numa trombada de frente com as lendárias “forças ocultas” que dominam os destinos nem tanto democráticos do hemisfério sul. Esta segunda metade sabia, como bem definiu Frei Betto, que Lula chegava ao governo, mas não chegava ao poder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Em primeiro de janeiro de 2003 este país era só expectativa. A turma Globo Repórter-Faustão esperava salário mínimo de R$500,00 a partir de maio. As velhas raposas e os interesses por elas representados esperavam que Lula cumprisse à risca a “Carta aos Brasileiros”, deixando tudo como estava e sempre esteve, inclusive a confortável proximidade delas com o poder.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O pessoal de mais discernimento aguardava de bandeira na mão e carro de som ligado a hora em que o presidente democraticamente eleito meteria a mão na mesa e gritaria que “esse país agora só tem um dono: seu povo!”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ignorando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; color: black;"&gt;Bill Cosby (“eu não sei o segredo do sucesso, mas o do fracasso é querer agradar a todo mundo”)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;, o caminho escolhido pelo Governo Lula foi o fio da navalha, o equilíbrio sobre uma linha tênue que desenha uma fronteira caótica, buscando inaugurar uma interseção quase impensável entre o conjunto de expectativas e interesses, provavelmente excludentes, que haviam se instalado. O objetivo estratégico parecia ser a transição lenta para um modelo político-econômico mais autônimo, mais nacionalista e justo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Seria um tratamento homeopático, de forma que no final de oito ou doze anos, em um governo seguinte, mais à esquerda, com o mesmo apoio popular, se tivesse condições para virar a mesa tão boas quanto Lula teve para chegar a Brasília. O desafio era a habilidade para manusear o conjunto de variáveis conflitantes que se apresentavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Do lado econômico essa receita parece ter sido mais feliz.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O equilíbrio das contas públicas à base de superávit primário gigante, arrecadação voraz e exporta-tudo, foi mantido em um ritmo de crescimento que chegou a alegrar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelo caminho, ficaram algumas baixas sérias, mas administráveis, como a perda dos fundadores do PSOL. Um morde-sopra com Europa e EUA tem dado bons avanços nas relações exteriores e comerciais, registrando talvez a ala deste governo mais capaz de agradar a todas as expectativas. Enquanto na economia a tentativa de decepcionar um pouquinho e corresponder bastante a todos seguiu com considerável sucesso, na política o cenário é mais viciado e, consequentemente, mais difícil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Das variáveis que davam o governo ao PT mas não o poder, o modelo político é o menos disfarçado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O partido do governo chega com apenas 92 dos 257 deputados necessários para se aprovar um mero projeto de lei, ou dos 345 para mudar uma linha da constituição, sendo o cenário no Senado ainda mais hostil. Como aprovar mudanças então?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como governar? Apelar para o civismo dos representantes do povo, lembrando-os que os interesses do país têm que estar acima dos individuais e coorporativos? Na Suíça, talvez.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;No Brasil daqui a 200 anos, espero eu. Hoje, ou se lançaria o povo na rua, nos modelos Venezuela-Chaves e Argentina-Kirchner, ou se abriria o livro de nomeações, reunindo os abutres por cargos e,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;num jogo quase “quer quanto pelo seu voto?”, se trocaria cargo por apoio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Esta foi a opção do governo Lula. Este foi, talvez, seu pecado original.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O expediente secular do “toma-lá-da-cá” é indomável.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A história mostra que a sede de quem pede não tem limite e empurrará para longe os limites éticos de quem precisa dar. Rapidamente cargos não saciam esta sede de quem pede, levando quem dá logo para as mensalidades. Com o mine-parlamentarismo aparentemente implantado no executivo, Lula se mostrava desenvolto no papel de chefe de Estado, enquanto que Dirceu e sua turma se viciavam e se comprometiam no modelo de governo que escolheram construir.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É exatamente neste comprometimento que se origina toda a fragilidade imposta à estratégia inicialmente traçada (agradar a todos enquanto se prepara para virar). É precisamente por aí que ela começa a ruir e precisará ser substituída, ou pelo menos se reinventar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É preciso se perceber que inflação de primeiro mundo, polícia federal na rua, liderança internacional exercida por Lula, vitórias na OMC, pregões eletrônicos fazendo licitações de verdade, reforma agrária produtiva, respeito aos movimentos sociais, reestruturação do ensino público, software livre na veia, água para o norte do Nordeste, autonomia no petróleo e um carisma ainda imbatível do Presidente-candidato são algumas das realidades que, além contrariar interesses de toda a elite política e econômica, desenham para 2006 um cenário praticamente irreversível de sucesso para o PT-Governo Lula.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Diante disto o que resta ao interesses contrariados? O que resta àqueles que ficaram de fora do trem de adesão, ou vêem nos novos rumos os seus interesses seculares em apuros?&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Resta o “golpe”. A rasteira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Não o golpe denunciado pela cúpula encalacrada do PT como forma de defesa, supondo uma teoria da conspiração mais vulgar para justificar o escarcéu em que aparentemente está metida. O golpe que agora é dado é um ippon, uma virada que reverte a situação de absurda vantagem que apresenta o oponente, de forma que num movimento repentino, como uma entrevista à Folha de São Paulo, possa jogá-lo na lona, vencido e de preferência sem capacidade ou possibilidade de reação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assim como no judô, o ponto ideal para se aplicar o ippon é aquele em que o adversário apresenta uma fragilidade fatal. Fatal porque é facilmente atacada e, sobretudo, porque nesta fragilidade se apóia toda a sua estrutura. No caso do governo do PT um congresso voraz no lema “dá-cá”, ao ponto de eleger o medonho Severino, parece ter criado esta fragilidade,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;conduzindo a cúpula do partido a um lamaçal que tornou o governo da esperança vulnerável ao golpe capital das elites, outrora torcedoras do medo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É neste ponto que o ataque está sendo feito. Com toda força e agilidade que interesses representados por Veja-Folha de São Paulo – Estadão – Globo – ACM – Bonhausen - PSDB são capazes de despejar. Neste momento toda a estrutura petista está a caminho da lona. Por enquanto, só a figura do presidente é poupada. Nitidamente para não virar bagunça geral, como se não se quisesse botar a ruínas o quartel que se deseja ocupar daqui a pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Embora pareça ter sido de supetão, o reboliço que está instalado, revelando uma cúpula podre do partido emblemado pela ética, é um fato previsível, de certa forma parte de uma seqüência, do espetáculo que iniciou nas alianças e concessões feitas pelo ainda candidato Lula, em meados de 2001.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Com um pouco de lucidez enxerga-se que uma série de desafios está no ar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Qual o poder de reação que a figura ainda emblemática do presidente pode esboçar?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Heloisa Helena tinha razão? Para trazer mudança de fato é preciso romper estruturalmente? Há alguma maneira suave de transição que não implique em contaminação pelos venenos mais sujos da estrutura de poder que temos?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Que opções nos restam em curto prazo? Se a eleição fosse hoje à tarde, em quem se votaria para presidente? Quem estaria menos desabonado que o já desabonado governo atual?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Com o modelo político atual tem como governar sem sujar as mãos? Haverá esse dia em que estaremos tão de pé que poderemos “meter a mão na mesa” e enfrentar o modelo político-econômico que nos é imposto? Será que Chaves e Kirchner escolheram melhor? Estas são as perguntas macro a serem respondias. Esse é o ganho que a tal crise pode nos trazer no atacado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;No varejo, fica a panfletagem da impressa que pode, frenética em destruir o sentimento de aspirações que o brasileiro comum começa a ter.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aspiração de ser um país mais limpo, de ter uma opção ética e nacionalista de poder. Afinal, povo que aspira, daqui a pouco vai querer sonhar e realizar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Aí complica, certo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292127155219659?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292127155219659/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292127155219659' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292127155219659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292127155219659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/romper-ou-corromper.html' title='Romper ou corromper'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292110056723732</id><published>2006-11-07T09:32:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:38:20.570-08:00</updated><title type='text'>Sorria, você esteve no TRE da Bahia</title><content type='html'>Contexto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março de 2005.  Voltando a Paraíba para fazer doutorado, tinha um sentimento de gratidão pelos anos que passei na Bahia, por tudo que acumulei de bom no período que estive em Salvador.  O TRE-Ba é um pedaço importante desse período,  e muito curioso, porque as coisas aconteceram lá na mesma sequência de cada fase que vivi como "estrangeiro", a quase mil km da Paraíba.  Na saída, fiz esse registro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Gente, o período que estive no TRE-BA coincide mais que cronologicamente com os anos que morei na Bahia, porque dentro do Tribunal passei por todas as etapas que fizeram da minha estadia na “melhor cidade da América do Sul” mais um daqueles períodos felizes da minha vida, sempre tão abonada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que aconteceu comigo nesse prédio da paralela é um resumo das experiências vividas nesses seis anos longe de mãe (como Painho gosta que eu fale).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Foi difícil chegar, difícil entender como as coisas funcionam e, principalmente, entender como as pessoas funcionam. Como todo início, houve centenas de arestas a se aparar entre o normal que vinha comigo e o normal que encontrei em vocês.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por ter sido mais árdua, essa primeira etapa (como em quase tudo na vida, aliás) foi das mais instrutivas. Passado o primeiro momento, iniciou-se as duas etapas seguintes, que passaram como voando e, na minha avaliação, completariam a tríade vim, vi e venci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aqui eu vi, aprendi muito sobre trabalho e pessoas, como há tempo não crescia tanto profissionalmente e provavelmente jamais tinha enriquecido como pessoa. Desenvolvi muitas novas habilidades e competências. Descobri os Tribunais que existem dentro de um TRE e levarei uma bagagem invejável comigo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aqui, além de Paraíba, eu fui programador, chefe de setor, o menino do SVC, atacante do time da SI, grevista, sindicalista empolgado, animador de auditório em treinamentos chatíssimos de urna eletrônica, coordenador, e, melhor que tudo, acredito ter conseguido ser sempre Guga, na essência daquele que chegou há seis anos, sem se achar melhor ou pior, “não desejando o mal a quase ninguém”. É exatamente esse período que merece o registro que agora faço. É essa etapa que me traz uma certa obrigação de devolver de alguma forma tudo de bom que aqui me foi dado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No TRE-BA recebi espaço para trabalhar tranqüilamente, para sugerir, inventar, apresentar idéias e opiniões, às vezes ignoradas, mas sempre pude trazê-las. No TRE-BA, mesmo no meio de sua era chamada “negra”, encontrei espaço para descordar, apoio para resistir, companhia para se posicionar e a chance de descordar, até duramente várias vezes, mas sempre mantendo a ternura, ao ponto de não conseguir eleger um desafeto nesse tempo todo. Trabalhando aqui eu fiz amigos, conquistei pessoas e incrementei meu mundo com novas fatias maravilhosas, desde a impavidez de Djooorge até as loucuras de Hadad e Luciana (cada uma a seu modo). Nesses processos recebi das pessoas grande parte da alegria que senti na Bahia. Senti alegria de conviver, senti a felicidade de ter gente para me ensinar, apoiar, ter paciência com perguntas e dificuldades primária para alguém que, soldado raso, vinha da infantaria. Adorei encontrar nos corredores formais de um Tribunal gente que não se encaixa, gente que não foi feita em séria, os chamados malucos, bem representados por Joel (esse réu confesso), Zé da Palha e Sidjinhi. Senti aconchego ao ser bem recebido em um meio de certa maneira já formado, em turmas de amigos já sedimentadas, em grupos de trabalhos já completos e entrosados. Dos que tiveram as relações profissionais extrapoladas em laços de amizade, levarei um vínculo praticamente inquebrável com a Bahia, talvez tão forte quanto a naturalidade soteropolitana do meu filho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A exemplo da chegada, quando desembarcava vindo da Paraíba, só que agora em sentido contrário, levo da Bahia e do seu micro mundo TRE-BA a mais profunda gratidão, a enorme alegria e orgulho de ter sido e continuar sendo parte desse planetinha e, no fundo do coração, a certeza que a nossa relação não se acaba aqui. Seja para visitar com uma enorme freqüência ou para me&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;instalar novamente, definitivamente voltarei.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É com a sensação de “venci” que parto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelas emoções que experimentei, pelas alegrias que encontrei e pelo aprendizado que acumulei, levo a sensação que prosperei nessa terra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E é com este sentimento positivo que deixo um beijo no coração de todos, desse Paraíba que parte, mais uma vez, buscando novos horizontes.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Guga (Paraíba, segundo Bruno)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292110056723732?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292110056723732/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292110056723732' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292110056723732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292110056723732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/sorria-voc-esteve-no-tre-da-bahia.html' title='Sorria, você esteve no TRE da Bahia'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116292072973971988</id><published>2006-11-07T09:28:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:32:09.753-08:00</updated><title type='text'>É Carnaval na Bahia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Contexto:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Fevereiro de 2005, com Mi grávida de nove meses não brincamos o carnaval. Em casa, assistindo pela TV e convivendo com a galera que estava na farra, fui sedimentando observações que já fazia há muito tempo sobre a festa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como a gente estará se afastando de Salvador em breve, resolvi registrar antes que as observações se dissipem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;h2 style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O trânsito está cheio de cones, protegendo caminhões que carregam e descarregam um entulho esquisito, muito mais parecido com lixo que com matéria prima da alegria.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É praticamente impossível alguém vislumbrar o cenário que aquele monte de ferro e folhas de madeira, tiradas aos poucos do caminhão que atrapalha o trânsito, são capazes de compor.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem conhece já sente o coração acelerado, projetando na cabeça o pandemônio que estará em ação daqui a alguns meses, ou dias. Os lugares estão ficando cada vez mais lotados, as filas agora são para tudo e ainda maiores.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É gringo batendo em gringo, gente perdida, gente pedindo informação, gente querendo adivinhar e, quase sempre, errando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os &lt;i style=""&gt;outdoors&lt;/i&gt; avisam os últimos ensaios, festas, feijoadas, lavagem, abadás, camarotes, camisas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tudo está se esgotando, embora a festa não tenha nem começado.&lt;/h2&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É isso. A cidade está no clima.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem vai já se entrosou e combinou, acertou dia, hora, local, bebida e outras cositas mais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quem vem já reservou hotel, arrego, bloco e encontros, agora só falta vir. A atmosfera é de final de campeonato, quando os capitães ainda estão trocando flâmulas, adrenalina a mil, vibração total, embora ainda não esteja acontecendo nada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Os primeiros acordes são locais e moderados. A turistada pesada ainda não chegou, a grande massa de pipoca tem trabalho amanhã, por isso não veio hoje e se veio, pegou leve. É o aquecimento, primeiros 15 min, quando os dois times “estão se estudando”. O desenho geral da festa já está montado, é possível nessa fase se fazer a melhor observação de como funciona todo o balé.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O observador ainda pode se movimentar nos circuitos, ainda acha vaga para estacionar, bebida gelada na rua e, se for voltar cedo, pode até trazer as crianças.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O carnaval já está no ar, mais ainda em tintas leve, como numa versão dietética, sem o peso que tem potencial para se apresentar. Os primeiros dias da festa, fora do calendário oficial e nacional, são uma bela alternativa para quem não tem a verve, o fogo e vigor necessários para o ápice da farra. Talvez até por isso sejam os dias chamados dos alternativos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sexta-feira.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O tempo fechou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora tá todo mundo &lt;st1:personname productid="em campo. Turista"&gt;em campo. Turista&lt;/st1:PersonName&gt;, morador, folião de bloco, pipoca (não deu para tirá-los, ainda...), comerciantes e toda a estrutura institucional que, invisível, faz a festa funcionar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Agora é para valer, está “valendo três pontos”, é a hora do salve-se quem puder, onde geralmente quem pode não quer nem pensar em ser salvo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em todas as suas dimensões o carnaval de Salvador está na rua, com tudo que já se falou sobre ele e mais inúmeros novos capítulos sendo escritos em cada esquina. Para ser brincado, curtido, vivido e quando não restar opção de um verbo similar, ou sangue correndo nas veias, o carnaval está na rua para ser observado, assistido e traduzido em um registro escrito.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A primeira dimensão que salta aos olhos é a da organização. Profissionalíssima, de uma eficiência comparável a Marines matando, a estrutura que coordena o carnaval faz a silenciosa mágica de manter 2 milhões de pessoas, 300 atrações e três circuitos fluindo freneticamente, onde todos encontram o que precisam para cumprir seu papel.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por mais silenciosa que consiga ser, é ao mesmo tempo impossível não percebê-la. Na ressaca da primeira manhã, em todas as rodas de comentários e avaliações da noite anterior o assunto vem à tona.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tudo está funcionado perfeitamente! Trio não quebra, bloco não atrasa, atração não cancela, TV transmitiu tudo, a polícia, o banheiro, o moleque do isopor de cerveja, o guarda de trânsito, tudo, tudo que deveria estar, estava, fazendo o que devia e como devia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É a mais absoluta ordem em uma ambiente que tinha tudo para ser caótico. A festa é também privada e portanto um grande negócio, nos dando uma impressão desconfortável que o poder público é um empregado, que empresta o salão para os grandes grupos do carnaval façam sua festa e, claro,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;façam seus milhões.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Os trios não são mais o elemento fundamental da festa. Os blocos são.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eles definem as atrações, lotam as ruas, são filmados, entrevistados e perseguidos por todos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dão o desenho do carnaval, definem os locais e horários onde cada ator do espetáculo vai estar, seja por interesse, seja por obrigação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O trio é um componente, muito importante, mas apenas um componente, contido na mega estrutura bloco.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Todas as cores do país estão presentes na festa, tudo de bom e de ruim de ser brasileiro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Meu amigo Joel didaticamente me esclareceria que é um micro mundo, onde os elementos que formam o macro estão lá devidamente representados. A diversidade de sons, danças, raças, tradições, maneiras de festejar e respeito às diferenças estão ombro a ombro na cidade. Ressalvaria uma grande interseção que se destaca nessa torre de babel carnavalesca, um ponto em comum no meio de um zoológico de expressões da festa, que é a enorme alegria e orgulho de ser baiano.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mesmo que para cada um deles “ser baiano” tenha significado e, principalmente, intensidade muito diferente, todos carregam esse sentimento (ou “energia” como um baiano diria) que parece ser meio causa, meio conseqüência da grandeza do carnaval que se faz aqui. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nesses dias você pode ainda perceber que a Bahia é irreverente, tem uma musicalidade incrível, sabe e gosta como pouca gente de fazer uma farra. Que ela é africana, inegável e deliciosamente africana.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Definitivamente, um lugar muito encantado para nascer um país. Esses elementos fazem uma festa de colorido variado e intenso, impossível de não se apaixonar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Entretanto, por mais colorido que seja o carnaval, o olho de um sociólogo pode retratá-lo em um quadro preto e branco, que nos remete ao macro mundo que, segundo Joel,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não pode ser negado. O caráter privado da festa leva a um ambiente onde brancos transitam folgados, animados pelas melhores atrações, com acesso às melhores bebidas e ambientes, enquanto os pretos se esforçam para não intervir neste deleite. São pretos servindo, segurando corda, empurrando preto, batendo, apanhando, prendendo e sendo preso, espremido entre a corda e o andaime do camarote, garimpando um centímetro de asfalto para o botar o pé, e tudo que de direito lhe resta, sempre que facilite ou pelo menos não atrapalhe o desfile dos blocos de brancos, sendo aplaudidos por camarotes lotados por brancos, onde quem é preto está &lt;st1:personname productid="em servi￧o. O"&gt;em serviço. O&lt;/st1:PersonName&gt; sociólogo diria, agora cientificamente, que o Brasil nasceu aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O baiano responderia ao sociólogo dizendo que faz uma festa tão extraordinária que participar dela, mesmo como figurante, é um privilégio que vale a pena ser vivido. Com os lugares certos e nas horas certas, tarefa mais difícil a cada ano, brincar e ser inesquecivelmente feliz no carnaval da Bahia ainda é possível.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Como um sociólogo baiano concluiria, eu tenho que concordar com os dois.&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Terça-feira.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O dia começa com cara de fim. Tá todo mundo se despedindo desde a primeira hora, convidando para o próximo ano, agradecendo e dizendo o quanto foi bom.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uns agradecem que o fim dos dias chegou milésimos antes que o fim das forças, uns acham que devia ter terminado desde ontem, outros tem lágrimas nos olhos, de saudade e vontade de mais um diazinho de festa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quem trabalhou está sempre satisfeito, com a missão cumprida ou o lucro obtido. Quem brincou leva no coração e no currículo uma belíssima história, para um dia juntar os filhos na sala, pegar um monte de pipoca, suspirar fundo e, orgulhoso, começar a narrativa: uma vez a gente foi passar o carnaval em Salvador...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116292072973971988?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116292072973971988/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116292072973971988' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292072973971988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116292072973971988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/carnaval-na-bahia.html' title='É Carnaval na Bahia'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116291979624258846</id><published>2006-11-07T09:07:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:19:14.116-08:00</updated><title type='text'>Os 100 qualidade.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;Contexto: &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outubro de 2004. Em uma discussão regada a caipirosca e guaiamum, veio à tona um assunto que pairava minha cabeça recentemente, que é a cara de loja R$1,99 que as livrarias estão tomando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Todas loucas para vender tudo e a todos, sem nenhuma preocupação com a qualidade do que está sendo vendido.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como acho livro um troço sagrado, quase divino, me incomodei muito e resolvi registrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;hr style="height: 2px;"&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Que a televisão é um veículo de péssima qualidade de informação ninguém mais duvida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Saímos de uma época onde se catava dois ou três programas ridículos, do nível que surpreendia como aquilo poderia continuar indo para o ar, e chegamos ao ponto de se precisar de alguns minutos de concentração para lembrar de um programa que realmente valha a pena ver.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A TV involuiu do patamar de veículo de comunicação, caminhando para meio de mera diversão e chegando à tônica do quanto pior melhor que temos hoje.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assim, para quem não é evangélico e tem o segundo grau&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;completo, assistir TV hoje é um rito de ligar, correr canal para cima, para baixo, se entediar e desligar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Apelemos então para o cinema.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelo menos para o cinema que chega ao shopping que a gente freqüenta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aí a situação não é menos triste.&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Elimine os filmes de super orçamentos, os chamados “&lt;i style=""&gt;bkockbusters&lt;/i&gt;”, via de regra de Hollywood, que contam sempre a mesma história, apenas passadas em tempos ou lugares diferentes. São precedidos por &lt;i style=""&gt;outdoors&lt;/i&gt;, propagandas na tv, cartazes de “em breve” nos cinemas, críticas em todos os jornais e matérias no Vídeo Show.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Elimine também as chamadas comédias românticas, que têm a obrigação de mandar todos os espectadores para casa com o ar de “oh, que lindo”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por fim, elimine (pelo amor de deus, elimine!) aqueles filmes de heróis da porrada, tiroreio, policias veteranos do Vietnã &amp; CIA LTDA.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que nos resta? Nos resta o cinema nacional, que renasce, sempre com dois filmes em cartaz: um com cara de cinema, como “Abril Despedaçado”, “Madame Satã”, “O Homem que Copiava”, “O Invasor”; outro com cara de programa da Rede Globo, sendo que com duas horas de duração, como “Os Normais”, “Sexo, Amor e Traição”, “A Taça do Mundo é Nossa”. O importante é que está lotando as salas e tirando da cabeça da gente que cinema implica em atores falando inglês + legenda. Nos resta por fim alguma coisa daquele mundo habitado por pessoas que fazem cinema como uma expressão artística.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não necessariamente filme para intelectual. São os filmes de Almodovar, o cinema latino americano, argentino vai muito bem aliás, alguns americanos que fogem do estilo “veja e esqueça” e os europeus, que às vezes dá para digerir.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Conclusão : o cinema também vai mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Corramos para o livro, a nossa casinha de tijolos nessa fuga desesperada do lobo da má qualidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Com o livro é diferente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Com o livro tem que ser diferente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Primeiramente, porque quem consome livro é gente que lê (dããã) e gente que lê já vem de fábrica gostando de boa televisão, boa música, bom cinema etc.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É gente que exige qualidade da informação, que chama de bestial ou banal qualquer coisa que possa ser produzida por alguém sem um talento especial para aquilo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uma música com estrofes de quatro versos, a primeira rimando com a terceira, a segunda com a quarta? Blargh! Não encanta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Letrinhas de amor apaixonado e saudoso? É Brega. Ensinando dança daquilo e daquilo outro? É brown (baixaria, em baianês), só desce no meio de uma farra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Programa de pegadinha, carnificina urbana, auditório de domingo à tarde? É tv &lt;i style=""&gt;trash&lt;/i&gt;. Cinema do tipo “veja e esqueça”? Se não tiver naaada para fazer, pode ser que veja. Se tiver, esqueça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Depois porque livro carrega uma quantidade de informação muito grande e registra de forma mais solene o que carrega.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você pode falar muito sobre um assunto, mas se alguém&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pede para você escrever aquilo num livro, tudo muda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se pensa 200 vezes antes de escrever e se lê outras 200 antes de dizer que está pronto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Salvo para aqueles que têm uma certa fluência no ramo e as palavras emanam mais tranqüilamente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Só que, para se chegar a essa fluência, precisa-se ter lido muito e carregar na cabeça uma bagagem razoável da língua e do assunto. De uma forma ou de outra, geralmente, o resultado de um processo de escrita surge com mais qualidade que aquilo que simplesmente se falou.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Outra característica do livro é exigir raciocínio do consumidor.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A mesma história lida por duas pessoas compõe dois mundo diferentes.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A fisionomia das personagens, a visualização dos ambientes, as intenções escondidas atrás de cada frase, as emoções trazidas por um parágrafo, a compreensão tiradas das entrelinhas de um capítulo, cada coizinha dessa ganha uma individualidade dada pelo leitor.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se ele não cumprir a sua parte, a história trazida nas letras está morta, não existe.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Desta forma o livro instiga o leitor na sua capacidade de raciocínio, percepção e sensibilidade, ao mesmo tempo que desenvolve esse poder a cada leitura que ele realiza.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assim, quem tem o hábito da leitura ou tem um discernimento superior que aqueles que não tem, ou acabará o desenvolvendo, porque o livro é uma verdadeira catuaba para a mente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esses fatores sugerem a sensação que a nossa casinha de tijolos está livre dos namoros na TV, testes de fidelidade, Alien X Predador, o Arrocha e o Domingo Legaaaal. Só sugerem, infelizmente, porque a versão &lt;i style=""&gt;blockbuster&lt;/i&gt; para as livrarias já começa a se espalhar para todo lado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Comecemos pelo fenômeno Harry Porter que, como toda coqueluche, concordo com Nelson Rodrigues, não serve.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não posso negar a alegria de ver a pirralhada trocar o &lt;i style=""&gt;Cartoon&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;Network&lt;/i&gt; por uma maçaroca de 300 páginas, chegando ainda a demonstrar muito mais fascinação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mesmo que tenham sido tangidas pela mídia, quase como gado, para cima daquele exemplar. Não vou nem insistir no fenômeno Paulo Coelho, que o pessoal considera boa literatura, se respaldando nos milhões de exemplares vendidos (assim como Amado Batista ou a Eguinha Pocotó).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quero&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;só me focar em dois rótulos que são ícones dessa fase do livro de massa : os mais vendidos e os 100 maiores &lt;i style=""&gt;nãoseioque&lt;/i&gt; de &lt;i style=""&gt;qualquercoisa&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A primeira prateleira de cada livraria, ali de frente para a porta, como uma comissão de recepção, é uma pilha de livros espremidos, com uma plaqueta alardeante que os credencia como “Os&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mais Vendidos”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São os livros que estão nos cartazes, que o cara deu entrevista em Jô Soares, ou que gira em torno de uma “ celebridade” (no sentido torpe que aquela novela associou à palavra).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São comerciais, são feitos para quem não gosta de ler. Foram escritos pensando exclusivamente em vender e procuram se manter numa superficialidade que não assuste o leitor típico de Paulo Coelho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Biografia de jogador de futebol, piadas, o livro que deu origem ao filme que está fazendo sucesso no momento e todos os assuntos candidatos a alguma notícia no jornal da TV, que esteja na mente da maioria das pessoas alfabetizadas do país.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por isso são os mais vendidos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A segunda é uma grife, algo como uma série Sexta-Feira 13 literária, com o mesmo formato, às vezes a mesma capa e, principalmente, o mesmo jeitão no título : Os 100 &lt;adjetivo&gt; &lt;substantivo&gt; do &lt;expressão&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que atrai neles também é um assunto da moda e principalmente a facilidade de estar dividido por 100. Por mais cansativo e pouco atraente que um texto possa ser, por mais que eu não tenha o hábito de ficar num lugar parado, fazendo a mesma coisa e ainda tendo que raciocinar, a centésima parte dele eu encaro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Depois eu abro, em um outro dia, leio outra centésima parte e vou digerindo, quase ruminando, na velocidade que minha paciência de telespectador permite para a leitura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esses fenômenos são rachaduras lamentáveis na alvenaria do livro, porque ao invés de levar o padrão de raciocínio quase bestial necessário para assistir ao Fantástico, ou ao último lançamento de Hollywood, para aquele um pouquinho mais elaborado necessário para se absorver e saborear um bom livro, está fazendo exatamente o contrário.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Está baixando o livro para o patamar da trivialidade, à caça de uma massa deseducada, que agora nem nos livros terá um caminho para se educar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu poderia ser mais otimista, como sempre costumo ser, e celebrar o fato de que pelo menos o povo começa a ler mais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu poderia fazer também uma análise sociológica manjadíssima sobre o nível cultural do povo etc.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O fato é que além de que o nível é esse há 500 anos e essa explosão dos livros “comerciais”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é bem recente e ela é que me incomoda no momento.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim que conseguir ler a pilha que a recente fase &lt;i style=""&gt;humus laborius &lt;/i&gt;deixou acumular, vou sair por aí, buscando outras livrarias, talvez as menores, certamente as que não estão nos &lt;i style=""&gt;shoppings&lt;/i&gt;, esperando agora encontrar uma que tenha uma prateleira enorme, bem destacada para Os 100 Livros Menos Vendidos do Mundo.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Deve ser lá onde eu vou encontrar os melhores exemplares.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Porque, afinal,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;com livro tem que ser diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116291979624258846?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116291979624258846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116291979624258846' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291979624258846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291979624258846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/os-100-qualidade.html' title='Os 100 qualidade.'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116291917669173901</id><published>2006-11-07T08:58:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T09:06:16.716-08:00</updated><title type='text'>Rudan</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;C&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ontexto:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Setembro de 2004. No meu aniversário deste ano, Mi, de uma forma muito poética, me presenteou um cavalo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era uma caixinha de presente, que quando abri tinha um cavalinho de plástico dentro de um curralzinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquilo significava que eu ganhara um cavalo, que o pai dela, meu sócio, iria procurar para ela comprar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Há cerca de um mês ele comprou e só agora eu pude fugir&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de Salvador para conhecê-lo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A sensação que trouxe da fazenda depois do final de semana é o que tentei registrar aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;hr style="height: 2px;"&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;“Filme de índio”. Era assim que eu chamava os melhores faroestes da TV na minha infância.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Meu pai, viciado no gênero, nunca perdia uma tal de sessão uestern, das tarde de sábado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando eu botava a cabeça na porta, era para perguntar : tem índio?!&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quanto mais tivesse, melhor seria o filme.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tem mais, tinha que ter batalha também.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Índio conversando, índio fazendo reunião com soldado, índio plantando, não tinha a menor graça. Se não aparecesse aquele círculo contínuo de índio, girando ao redor do forte (igualzinho ao Forte Apache que eu tinha), naquela tática idiota que parecia treino de tiro ao alvo para os soldados, o filme ficava logo chato.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Bom mesmo é quando a batalha cruzava rios a toda velocidade, naquelas perseguições implacáveis.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os índios demonificados, com aquela cara de mau que arrepia a alma, querendo pegar os coitadinhos dos soldados, desesperados para chegar no forte.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A água subia num belo espetáculo, quando as duas tropas cruzavam o rio a toda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Gostava também de Zorro. Um diferente do mexicano, que tinha um índio amigo chamado Tonto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um tinha um cavalo branco, outro um pampa, aqueles manchados de marrom e branco.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ainda pirralho eu já tinha impressão que aquelas seriam marcas da minha infância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Agora depois cresci, deixei de assistir um monte de coisa boa, outro monte deixou de passar. O mais incrível é que só agora venho descobri que preciso ver todos aqueles filmes de novo. De repente, percebi que um dos componentes mais determinantes daqueles tipo de filme passava despercebido nos meus olhos. Uma figura cuja ausência faria daquelas aventuras eletrizantes num filme francês, chato, dos mais “cabeças”. Para mim, este elemento ficou como um figurante coadjuvante, aparecendo menos que o figurante, que já não tinha nada a ver com a cena principal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Eram os cavalos! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Rapaz, impressionante como meus olhos só viam da sela para cima. Cego, cego, cego.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um bicho daquele tamanho nunca me chamou atenção.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelo menos naquele tempo, porque agora é outra história. Agora eu tenho um. Um cavalo de verdade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Pois é. É um negócio muito estranho ter um cavalo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ninguém tem cavalo. Sinceramente, você já viu alguém na rua e imaginou montada num cavalo?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Jamais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dá pra pensar a gatinha no sofá alisando outra, sendo essa peludona. Ou o troglodita arrastando/sendo arrastado por um &lt;i style=""&gt;hot&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;valley.&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas cavalo não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Você gosta de animal? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Gosto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tem um?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tenho, claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Qual?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Onze em cada dez perguntadores estariam esperando resposta do tipo “uma cachorrinho lindo”, ou “Ming, meu gato siamês”, ou no máximo, com certo constrangimento, o cara poderia responder “eu crio um ramster”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas um cavalo?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ah não, ninguém espera que outra pessoa tenha um cavalo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu pelo menos jamais esperaria. Se não esperaria que alguém&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o tivesse, imagine ter?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Um cavalo é um bicho diferente,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que você gosta dele, que lhe serve muito e que lhe dá um lazer maravilhoso, como cavalgar de braço aberto, no meio do mato, debaixo de uma chuvinha fina.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É uma&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;delícia. Aí você monta demais e passa o dia seguinte descadeirado. Mas muito feliz, como aquela canseira que a gente sente quando joga futebol, toma um banhozinho e põe os pés para cima no sofá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uhmmmm, que beleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O gostar do cavalo também é diferente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É como homem gosta de homem, no sentido “macho que gosta de macho”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você acha ele uma figuraça, tem o maior cuidado com ele, quer que ele seja bem tratado, sempre pergunta por ele quando está longe e sente saudade da companhia. Mas tudo isso, sem viadagem. Sem muita melação. Quando reencontra você adora, mas externa isso dando uns tapas aqui, uns empurrõezinhos ali, e sai com ele para curtir a vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;É um gostar sem meiguice.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um carinho sem dengo. É assim porque se trata de um bicho enorme, com uma força física literalmente animalesca e que precisa ser conduzido com certa firmeza, quase virilidade, para que fique claro quem determina o caminho do passeio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Daí para você manter aquele xodó que mantém com bichinhos, fica um negócio descabido. Quase ridículo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Isso tudo que tá descrito acima serve para qualquer cavalo, mas tem um monte coisa que não diz respeito a “qualquer cavalo”. Coisas que só um cavalo tem. Coisas que só dizem respeito a Rudan, o meu cavalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A primeira delas é esse nome, “Rudan”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pode parecer que é homenagem a um deus Gótico, que sempre se apresentava montado em um enorme cavalo branco.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou o nome do cavalo em que o general Alemão desfilou na Champs-Élysées, quando Paris foi tomada na segunda guerra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um nome imponente, que inspira um motivo histórico. E é mesmo um nome histórico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um apelido que meu pai tinha na juventude, quando vendia sapato, dentre os quais o de uma famosa marca da época, chamada Rudan.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tudo bem que não é uma história imponente, de encher os peitos, mas é história.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como é do meu pai, enche meu&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;peito sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Depois a aparência. Rudan é um cavalo ordinário com pinta de extraordinário.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ordinário porque não é um puro-sangue, ou daqueles engomadinhos de exposição, que vem de fazenda de gente que vive disso, fazer cavalo bonito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por outro lado é um cavalo que no meio dos ordinários tem um porte assim, de mais “retadão”, mais cavalo que os outros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claaaaro que isso pode parecer (e ser) babação do dono, mas Rudan é assim. Eu juro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Pelagem escura que brilha bonito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A cara dele parecer a barba de um cinqüentão, que tá aparecendo os primeiros cabelos brancos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assim como o cinqüentão, aquele pelinho branco vai se espalhar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De acordo com o especialista no ramo, meu sócio, depois de castrado (aaaai!) ele vai passar por esse efeito maicoujeqsiano, ficando cada vez mais branquinho, até ficar da cor de leite. Não é vitiligo, é um processo normal mesmo. Segundo o mesmo especialista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Rudan é elétrico. Como é novinho, ele tem energia demais. Tão novinho que vai trocar dentes, que ainda tem dente para nascer. Tudo isso, claro, segundo o especialista.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O povo lá diz que ele ainda vai “refazer” muito, que o cavalinho daquele “refazendo” vai virar um cavalão danado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Embora não tenha noção do que seja um cavalo “refazer”, esse comentários me animaram muito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O bicho também não é de ficar muito quieto, tá sempre pronto para acelerar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se você levantar o braço para ajeitar o boné, ele dá logo um pulo para frente e aperta o passo, achando que vai ser chicoteado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não há necessidade de açoitá-lo, ou, reproduzindo a recomendação que recebi, “carece nem chicote”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para abrir a porteira, o cavaleiro não muito fluente sofre um pouco, porque esta é uma manobra que demanda alguns segundos de paralisia do cavalo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aí não é com Rudan.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Encostou, levou mais de 5s para abrir, complicou. Ele já se virou, deu dois passos para um lado, um para frente, empurrou a porteira com a cara, enfim, lascou tudo. Aí tem que dar uma voltinha por ali, até chegar àquela posição novamente.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A pilha dele é alcalina, então ficar parado não dá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É como minha sobrinha, que de tanta energia, pegava o cabelo da gente e apertava trincando os dentes, até se tremer de tanta força, só pra dar vazão na “ziguezira” que tinha dentro dela.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Rudan é assim, Vivele de quatro patas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Rudan também é bom de pisada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você acelera o viageiro&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e ele vai no vuc-vuc, parecendo o trem, na maior velocidade, sem mudar o passo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Passei várias vezes na porteira da frente para o povo ver a pisada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aí era só elogio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para fazer ele galopar precisa muita velocidade, porque antes disso ele segura no viageiro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cabeça impinada, postura perfeita e tome perna.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O melhor é que o cavaleiro mesmo praticamente estreante no ramo não pula nada da sela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Agora eu vou deixar Rudam descansar. Deixar ele refazendo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para quando eu conseguir escapar da gincana diária, correr para perto dele, dá-lhes uns tapinhas para matar a saudade e partir, feito menino, curtindo a companhia do amigão, brincando de Forte Apache.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Passo em que o cavalo mantém seu corpo praticamente parado, movendo as patas em pares alternado, dando assim maior conforto ao cavaleiro por chacoalhar menos.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116291917669173901?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116291917669173901/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116291917669173901' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291917669173901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291917669173901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/rudan.html' title='Rudan'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116291188273764528</id><published>2006-11-07T06:56:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T07:04:42.750-08:00</updated><title type='text'>As vítimas da desigualdade</title><content type='html'>Contexto&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assistindo ao debate de candidatos a prefeito de Salvador, fiquei indignado com a visão elitista de todos que falaram da violência e miséria urbanas.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O grande problema era não poder andar no carro de janela aberta, não poder caminhar na praia, não poder morar numa casa fora de condomínio.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ninguém, por não sentir na pele, percebia que estava falando de gente morrendo de fome, gente de bem sem oportunidade, gente disposta rendida à mendigagem. Nem os candidatos, nem o jornalista que mediava.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Isso bateu com os vários flagrantes que presencio diariamente, de pessoas da classe média e alta descrevendo o mundo, com extrema miopia, daqui de cima.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O Brasil é líder mundial de “desigualdade social”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nas grande cidades brasileiras, a “desigualdade social” é gritante, onde condomínio de luxo é vizinho de favela.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Boa parte dos candidatos a prefeito tem na sua receitinha papa-voto o chavão de combate a tal da “desigualdade social”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Mas afinal o que é&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e de onde vem a desigualdade social?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Na verdade existem duas desigualdades.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uma&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é aquela que tá na ponta da língua de quem quer se mostrar politizado, aqueles que trazem no discurso um palmo de lucidez acima da turma do “tem é que botar polícia em todo canto”, ou “bandido bom é bandido morto”, ou a minha predileta : “esse negócio de desarmamento vai tirar a arma do homem de bem e deixar o bandido armado”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Essa última é boa demais. O cara tá indignado porque a lei tomou a arma do homem decente, lhe roubando a chance de virar bandido por conta de uma desentendimento no baralhinho com amigos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;É com essa desigualdade, a primeira,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que se explica o enorme índice de violência, a origem do poder do tráfico, a insegurança quase paranóica que domina os moradores de grandes centros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Sobretudo aqueles que estão na região superior da escala.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É gente que já foi criada com o manual de sobrevivência urbano (talvez inspirado no de Mariguela), que não vacila,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que não dá beijo demorado na despedida em frente ao prédio da namorada, que não pára em sinal à noite, que se aproxima do carro como quem não quer nada e, de repente, entra-liga-e-sai, para não dar chance ao assaltante que estava de olho. E por aí vai...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Essa desigualdade explica o MST invadindo fazenda e partindo para os finalmentes no campo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Explica também aquela cara apavorada, de futuro perdido, do mulecote que mete o revolve na sua cabeça no sinal de trânsito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Explica ainda aquele o olhar vazio do pirralho de 10 anos que lhe vende amendoim, “só pra me ajudar tio”, na mesa de bar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Nos sentimos vítimas dessa desigualdade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nós, da classe média para cima, não podemos mais andar tranqüilos nas ruas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nos sentimos vítimas porque não dá para tomar uma cervejinha sem se esforçar para abstrair aquele pobre mendigo. Nada de usar o relógio que ganhou do pai, nada de ir àquele show que o ingresso foi barato demais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Carnaval só em bloco ou camarote, porque na pipoca “o bicho pega”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A tal da desigualdade tem deixado o povão uma fera.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não dá mais para freqüentar ambiente popular. Como vítimas somos obrigados a nos isolar e viver numa redoma formada de janela de carro, &lt;i style=""&gt;playgroud&lt;/i&gt; do prédio, muro do condomínio e paredes do shopping.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Estamos ilhados nessa selva que a desigualdade semeou ao redor da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Uma outra desigualdade, a segunda, bem menos badalada, raramente confessada, é a mãe de todas. É a desigualdade que eu vou chamar de pessoal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É a diferença que, inconscientemente (quero crer, para não pirar) a gente faz entre uma pessoa do nosso mundo e outra de fora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Para ter a dimensão perfeita dessa desigualdade vamos montar uma equação, bastante didática, através de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;notícias reais que já chegaram a todos nós :&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;1 – Um executivo da Shell e sua esposa foram barbaramente assassinados em condomínio &lt;st1:personname productid="em São Paulo." st="on"&gt;em São Paulo.&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;2 – O irmão de Zezé de Camargo foi seqüestrado e teve um pedaço de sua orelha arrancada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;3 – Aquela estudante de medicina teve seu corpo todo marcado pela violência do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;namorado, engenheiro, numa crise de ciúmes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Mais noticías :&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;1 – Qualquer jornal que você lê hoje vai ter notícia de morte associada a guerra do tráfico no Rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;2 – Toda semana algumas donas de casa tem a bolsa rasgada e o dinheiro roubado nas feiras ou ônibus da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;3 – Marido foi preso ontem na periferia porque chegou bêbado em casa e bateu na mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Agora lembre do impacto que as notícias do primeiro grupo trouxeram a sua cabeça.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Subtraia pela relevância que deu às notícias do tipo do segundo grupo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pronto, esse é o resultado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É a desigualde pessoal, a porção da social que cada um carrega dentro de si.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Que não se pronuncia, que não se confessa, mas que está impregnada como praga na lavoura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Uma coisa é você saber que aquele estudante que saiu daqui para tentar a vida nos EUA passou até fome e teve que pedir na frente de lanchonete. Outra é o pedinte na frente do bar a quem você diz que não tem trocado. Os dois estão com fome, mas o segundo não lhe impressiona. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A criança no banco de traz olha o mendigo pela janela e efetivamente vê de lá outro ser de outra espécie.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É aquela espécie que tá na pipoca do carnaval, que lota o show de R$5,00, que pede nos bares. É a espécie que,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;míopes&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e de barriga cheia,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;consideramos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;os algozes que nos sitiam na cidade,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nos fazem vítima da desigualdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Quem nasceu comendo três vezes por dia, estudou desde os 4 anos de idade, perdeu boas tardes de sono nas aulas de inglês, se matou no bom cursinho para passar no vestibular e queimou as pestanas por quatro anos se sente, naturalmente, digno da vida confortável que conseguiu com seu próprio esforço.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não dá para se sentir culpado, se o cara ralou desde 4 anos de idade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quantos não foram preguiçosos na escola?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quantos não desistiram na faculdade?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quantos nem no vestibular passaram?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ele não.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi lá, fez o dele.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E agora não tem direito de andar na rua por conta da desigualdade social.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que fazer?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Botar o filho no banco de traz, pagar o transporte para o inglês e repetir o ciclo para a próxima geração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ele vai cometer com o filho o mesmo erro que o pai cometeu com ele.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Esqueceu de mostrar que gente é gente dentro ou fora do carro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Multidão é multidão, tanto dentro do bloco como na entrada daquele show barato. Que maioria esmagadora da outra espécie ralou três vezes mais que ele, jamais conseguiu uma tarde para dormir, baba só em pensar na chance de ir a escola, chega aos trinta anos suando a camisa sete dias por semana e, mesmo assim, tem que escolher entre o gás e a conta de luz no fim do mês. Esqueceu de dizer que o mendigo está lá porque só ele pode andar de carro, e não vice-versa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Do lado de lá, oprimido, parte da outra espécie se sente menor. Não nos encara de frente, olhando nos olhos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não vai a todo local e se sente invasor quando entra no shopping para disputa espaço. Parte. Felizmente, só parte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Como acabar com essa desigualdade?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não é assunto para candidato a prefeito. É preciso que cada lado se movimente rumo ao fim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Vou começar não morando no condomínio, não indo buscar no inglês e reconhecendo que sou algoz e não vítima da miséria urbana.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Eu recomendo que todo mundo que está do lado de dentro do carro comece a se mexer, porque do lado de lá “o povo tá comendo vidro”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O pedinte do sinal tá botando a arma e pedindo para entrar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O moleque largou amendoim e está vendendo cocaína para seu filho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E aquela turma que tapava buraco em beira de estrada e pedia moedinha pelo serviço se juntou debaixo de barraca, hasteou uma bandeira vermelha e, logo logo, vai quebrar sua cerca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116291188273764528?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116291188273764528/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116291188273764528' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291188273764528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291188273764528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/as-vtimas-da-desigualdade.html' title='As vítimas da desigualdade'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116291139578191256</id><published>2006-11-07T06:40:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T06:56:35.803-08:00</updated><title type='text'>O que é um ponto branco numa mancha escura?</title><content type='html'>Contexto&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;08 de julho 2004, cheguei de Porto Alegre e encontrei uma caixinha sobre a cama.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tinha uma roupinha de bebê com o escudo do São Paulo e a ultra-sonografia em um porta-retrato.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pirei da mais gostosas de todas as loucuras.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Acho que esse texto abre uma série, que irá desde o ponto até ....&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;(Esse  é o  meu favorito!)&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Todo mundo já ouviu ou leu uma daquelas piadas no formato de adivinhação, sempre envolvendo um ponto de alguma cor em algum lugar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que é um ponto azul voando alto no céu?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É um urublue.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que é um ponto prateado no jardim?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É uma formiga de aparelho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um ponto amarelo no mar? Ruffles, a batata da onda. E por aí vai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O que mais impressiona é quantidade de piadas que existem neste formato e a imaginação do povo para dar novos significados a um ponto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É incrível como um ponto, a forma geométrica mais primitiva, mais resumida e limitada, pode ser tudo no mundo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Depois de ouvir duzentas adivinhações, rendido à inesgotável capacidade de metamorfose do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ponto, você cansa de tentar adivinhar e deixa essa besteira para lá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pô, um ponto é um ponto e ponto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aí um dia que você abre uma caixa de presente, encontra uma roupa de bebê com o escudo do seu time e aquela foto esquisita num porta-retrato.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelos milionésimos de segundo que o cérebro precisa para matar a charada, você se pergunta: o que é um ponto branco numa mancha escura?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A resposta é simples: tudo!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nada que a imaginação popular tenha se esforçado para multiplicar o significado de um ponto é páreo para o exponencial de significado que aquele ponto tem. O nada que lhe aparece aos olhos é o complemento do tudo que aquilo representa. É como se alguém tivesse isolado a proteína que curará o câncer, ou exterminará a AIDS, ou não deixará ninguém mais morrer de doença alguma.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É uma porrinha de nada que mexe e mexerá com a sua existência de forma intensa,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;revolucionária e exagerada como nenhum adjetivo que conheço pode expressar. O retrato do meu filho na ultra-sonografia é a imagem que vem com a resolução perfeita para o sentimento que carrega: indescritível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O primeiro filho (no comum de dois gêneros),&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é uma espátula que divide o bolo da sua vida em duas partes que jamais se misturarão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ele é o anúncio do nascimento de três novas pessoas no mundo. Ele, o pai e a mãe.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De uma forma muito mágica você percebe que é a segunda metade da sua vida que começa, onde você seguirá em caminho contrário da primeira, partindo da posição de protagonista, personagem principal e evolutivamente ocupando o posto de coadjuvante, figurante, figurinista, maquiador, produtor, operador de câmera e, por fim, platéia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De tão grande é a magia do fenômeno que não há melancolia nessa constatação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É com a alegria do pedreiro todo sorridente, dependurado no andaime, ou do agricultor de sorriso aberto, zero dentes, cara rachada e coração cheio, que você se orgulha dos seus novos papéis.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Que coisa maluca pode fazer alguém com essa trilha pela frente estar se sentindo sorteado, eleito, o “rabudo” do ano? Por favor não responda,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não me explique, para que continue deliciosamente mágica como é. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O momento que registro é especialmente gostoso.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É o período em que ter filho é só bônus, tudo tá no crédito, é a estação da chuva.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O ponto que apelidei de “cabeção”, meio por prenúncio, meio pela sua estética inicial, ainda não chora, não tem fome, não está doente, não custa nada, enfim, não pede, só dá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Somando a isso conta-se a minha constrangedora felicidade de poder pensar no filho fora dos padrões que fui pensado (será que se cria? Tem comida para mais um? O pai vai estar solto? ).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Até agora não senti a famosa responsabilidade que pesa aos ombros de todo novo pai.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Só consigo pensar no fato (ou feto?) como “o amanhecer de um lindo dia”, que Kátia cantava nos sábados de faxina.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Sendo racional, diria que talvez porque como tudo nos meus deliciosos 32 anos de existência veio na hora certa, na idade certa, da pessoa perfeita, e muito facilmente concebido. Não o sendo, que aliás prefiro, diria que vou esquecer aquelas aulas de biologia que minhas limitações na matéria me impuseram tanto esforço para guardar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não me venha com esse papo de óvulo, espermatozóide, “crossover”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;meioses repetidas, embrião, blá, blá, blá, etc.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquele ponto é um milagre, com tudo de transcendental, ilógico, imponderável e absurdo que o bom milagre carrega. É materialização de tudo que fui , sou e serei. É causa, fato e repercussão. O antes, durante e depois.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É o antes porque dá um veredito sobre a vida que tive até então.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Felizmente um veredito&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;favorável, porque me sinto digno de tê-lo. Sem hipócrita modesta diria que se estivesse na fila para nascer gostaria de ser escolhido por um pai como eu. Pelo que sinto, pelo que penso, pelo que procuro ser e sou. Porque acredito que se fosse o meu o padrão de comportamento, o planeta estaria melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ainda no passado, ele também acaba com aqueles vacilos que lhe batem sempre que se pensa como pai, do tipo “será que estou pronto?” “Tá na hora?”. Ele chega e lhe mostra que já devia ter vindo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ele dá forma concreta a uma responsabilidade que lhe guiava diariamente, lá no subconsciente, em cada passo que dava.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A necessidade de ter uma resposta verdadeira e digna para as perguntas que você imaginava seu filho&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;fazendo por cada ato do dia a dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em quem votar, em que passeata participar ou não participar, em que movimento se envolver, dar ou não esmola no sinal, no que fazer para compor o mundo que ele habitará e o que não fazer para não&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“deixar para o meu filho a Pampa pobre que herdei do meu pai”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mais particularmente sua ausência era uma angústia silenciosa, uma frustração que me ameaçava, como um perigo diário, porque tinha muito medo que meu pai não conhecesse meu filho. Que nós três não desfrutássemos em matéria aquela tríade causa-fato-repercussão, que não tivesse o momento sacro de apresentar-lhes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para um, dizer o orgulho que tenho do outro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para o outro, apresentar a primeira e talvez maior responsabilidade da sua vida, que é fazer jus a sua ascendência.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era um pouco de paranóia, mas sentia muito isso.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“Sentia”, porque na primeira prosa que tiver com o ponto vou apresentar-lhe o velho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;No primeiro &lt;i style=""&gt;e-mail&lt;/i&gt; que passar para o velho, vai a foto do ponto.&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O ponto é presente porque, por mais que o planeta terra se esforce para dizer o contrário, ele é o único acontecimento da sua vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não está acontecendo nada no trabalho, nada na cidade, nada no prédio, nada no país, muito menos no mundo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A única coisa que você vive no momento é aquela imagem.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Bate uma letargia que você se esquece o que está fazendo e cada lugar que passa durante o dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nada no mundo lhe aflige. Tudo que se quer é correr para casa para falar no assunto até o sono deixar. Completando o gozo do momento, acompanha o brilho nos olhos da mãe, que por ser ela, sinto grande parte de tudo tão bom que tenho experimentado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;É também futuro, porque ao olhar no espelho você é outro cara.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não sei como, mas o fulano que está lá não é mais você, é o pai do ponto, é Sr Cabeção.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Para quem&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ainda não tinha se acostumado a ser o marido da sua mulher, ser o pai do ponto é fácil demais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dá vontade de botar um &lt;i style=""&gt;outdoor&lt;/i&gt; na cidade, de um lado o ponto, do outro o autor da façanha. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não me lembro como foi meu nascimento neste mundo, só posso imaginar a quantidade de descobertas que fiz por hora, nos primeiros dias de vida.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Posso imaginar também quantos sensações tive quando bebê e, por ser um bebê,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;como todas foram inéditas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eu só sei que se foi metade do prazer de renascer como pai, nunca mais eu vou ter pena daquela figurinha enrugada e indefesa que tá sempre chorando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A língua nos ensina que o ponto significa o fim de um período.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquele ponto na ultra-sonografia, ao contrário, é o início de todos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h1&gt;&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116291139578191256?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116291139578191256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116291139578191256' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291139578191256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291139578191256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/o-que-um-ponto-branco-numa-mancha_07.html' title='O que é um ponto branco numa mancha escura?'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116291034611028787</id><published>2006-11-07T06:29:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T06:39:06.286-08:00</updated><title type='text'>"Quem busca o interior, vai morar no interior. Quem busca o capital, vai morar na capital"</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Contexto&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No contato com o povo da roça eu vivenciei uma teoria manjada, mas que nunca será compreendida plenamente sem que se conviva com os dois extremos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cidade grande é o mundo da grana, dos equipamentos, da praticidade, das coisas, do “ter”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Interior é das pessoas, da natureza, dos sentimentos, das relações, do “ser”.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Acho que não agüentaria viver em quaisquer dos extremos, mas tenho mais apetite para o lado do interior&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesse espírito, tenho observado e aprendido muito com esses dois seres com anatomias idênticas, mas com comportamentos tão diferentes que pedem exame de DNA, contagem de cromossomo, ressonância magnética, eletro-escambau-lograma , para comprovar que são de fato a mesma espécie: o playboy e o vaqueiro. Agora tá registrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;/div&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;hr /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Acordou atrasado, conferiu no relógio do DVD e se rendeu ao seu, também digital.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tentou a sagrada prorrogação de dez minutos de sono, mas a cabeça a mil já começava a desempilhar as pendências. Desistiu. Desligou o ar, abriu a cortina, de leve, aos pouquinhos, deu uma bizoiada nas varandas da vizinhança, viu que estava tudo no lugar. Banho quente, sempre quente, em uma das quatro estações da ducha, mas quente, ouvindo um CDzinho para quebrar a monotonia. Se enxugou com a mesma pressa de todos os dias, já no automático se sentou de controle remoto na mão, deu bom dia ao Brasil, enquanto mastigava algo pronto, que veio direto da embalagem, ou, no máximo, fez uma escala no microondas. Gostoso, dá pra comer. Armou-se para a batalha com chaves, celular, invólucro de couro cheio de papéis, metade débito, metade crédito, noves fora nada,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;crachá, o que couber mais nas duas mão, juntas, forjando um baldinho de dedos. Fez a checagem duas ou três vezes, sempre em vão, saiu com a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Desceu sem suar, elevador, espelho, tô bem, alisou daqui, puxou dali, tô bem,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bom dia, bom dia, bom dia, bom dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Acionou o alarme, o portão, o rádio, o ar, o carro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Distribuiu o arsenal que carregava e saiu. Vidro fechado, ligado, cantarolando, relaxado, mas ligado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dez, vinte, quase 30 minutos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Música ruim, “quero não obrigado”, música boa, &lt;i style=""&gt;out-door&lt;/i&gt; , notícia ruim, “tenho não, neném”, notícia boa, propaganda, &lt;i style=""&gt;out-door&lt;/i&gt;,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“precisa não irmão”,&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;out-door&lt;/i&gt;,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ops, estacionamento.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Computador, Internet, cadeira que gira, que corre, que serve até para sentar. Agenda, reunião, computador, telefone. Almoçou no refeitório, discordou da má qualidade da comida, pagou, foi ao banheiro, “opa! Como é que tá? Beleza? Licença” . Escovou os dentes. Computador, telefone, agenda, reunião. Não necessariamente nessa ordem.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi ao banco, da sua cadeira, que também serve para isso,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pagou tudo e guardou os recibos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Encheu o baldinho de novo, “té segunda, té segunda”. Acionou alarme, carro, rádio, farol. Ouviu música, notícia e leu placa, disse um monte de não a pedestres. Chegou. Ligado, parou, olhou ao redor, ligado, entrou e desacionou tudo. Ligou a TV e escolheu 31 dos 169 canais para assistir, ligou para mãe, falou com amigos, ou amigo, dependendo do dia ou dos últimos dias. “Ah, vamos marcar alguma coisa”. “Vamos, eu te ligo para confirmar”. Dormiu. Acordou sem pressa. Abriu a cortina de uma vez, olhou para o céu e viu que dá praia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ligou, combinou, furou, saiu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Freiou, acelerou, freiou, acelerou, xingou e chegou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Comeu, bebeu, banhou, ligou, xingou, levantou, abraçou, conversou, riu e pagou. Acelerou, freiou, acelerou, freiou e chegou. Sem xingar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foliou, leu, escolheu, combinou e saiu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Assistiu. Ou riu, ou chorou, ou se irritou, ou curtiu, ou se arrependeu. “Ou” inclusivo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Voltou, se conectou, consultou o saldo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cinco dígitos. feliz, sorriu. Feliz, dormiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                        &lt;/span&gt;O outro acordou antes da hora.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Procurou luz pela janela escancarada e viu que ainda era noite. Noite mesmo, tudo preto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Silêncio demais, os bichos ainda dormem. Dormiu também. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acordou na hora e pela janela, que parecia ainda mais escancarada, viu que já não era tão noite.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um vermelhinho já se juntava com o pretume. O berro do galo lhe confirmou. Levantou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arrependido e angustiado voltou a deitar. Esquecera de rezar. Rezou, rezou e rezou. Levantou, agora sim, podia seguir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não acordou a mulher porque já não a achou na cama. Esfregou os olhos, se esticou todo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Jogou água no rosto, ge-la-da, como todo dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como todos os dias do ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Diiiiia”, saudou a mulher com um sorriso.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não bastou, lhe abraçou, e puxou a prosa matinal, sempre bem baixinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aquele cheiro de café que vai até os ossos incensava a cozinha. Esticou a conversa e com o humor de toda manhã se desmanchou na risada. “Psssssiiiiuu!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Teve que se controlar. Uma mordida aqui, um gole lá e uma voltinha até o alpendre.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em goles cuidadosos, de pouquinho, para não queimar, bebeu café e respirou fundo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Expirou fundo também e naquele ritmo de uma olhada na paisagem entre cada passo, lentamente, sempre lentamente, voltou. Comeu mais, conversou mais e, como inevitável, sorriu mais, e alto. “Psssssiuuuu”. Ainda mais alto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Atendeu e riu baixinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Beijou um , beijou o outro e a outra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se vestiu, se calçou , se esticou todo de novo e, depois de ouvir os estalos das costelas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;saiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caminhou, encontrou Libano (Líbano, adaptado ao seu sotaque), bateu aquela prosinha monóloga de todo dia, alisou daqui, alisou dali, dois tapinhas no pescoço forte, e montou. Esporou o amigo, sem pena, por achar que ele não precisa, e partiu sincronizado na pisada. Peito, rabo, corda, banco, balde, foice, corda, peito, foice, coice.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Suou, parou e bebeu água. Puxou, empurrou, bateu, amarrou, suspendeu, pisou, enficou, forçou, quebrou, prendeu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por horas foi ágil como os seus dotes permitem, sereno com sua índole impõe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Parou, bateu a poeira, juntou tudo, limpou o que tinha de limpar, prendeu quem tinha de prender, soltou quem era de soltar. Repassou cada canto do curral para não esquecer nada e saiu tranquilo, com a certeza de que nada tinha esquecido. Montou sem prosear e em duas esporadas chegou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Libano sempre volta mais rápido que vai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Benção”, “benção”, “benção”. A sinfonia cristã lhe recebeu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se lavou e foi lembrado que o sol esquenta, mas a água não. Se sentou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Olhou para todos num convite, respirou fundo para rezar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se transportou dali por alguns segundos. No ar, um barulho surdo que cada um só ouve o seu. Também com a respiração sinalizou o retorno à mesa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Comeram enquanto conversaram, brincaram enquanto comeram. Como sempre, virou bagunça, então com um olhar repreendeu. De pronto, o silêncio voltou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Continuaram comendo. Pediu um pouco mais de água, que também de pronto, sempre de pronto, foi atendido.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se pegou na brincadeira de novo, e dela muito sorriu, sem precisar repreender.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pelo menos por enquanto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se esticou todo, ouviu os estalos, empurrou o prato e olhou para o nada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Depois de mais um tempinho, fez ouvir aquela respiração profunda que muda a cena e se levantou. Conversando foi até o alpendre, pendurou-se deitado como a rede permite, pediu silêncio, que, óbvio, se fez, e cochilou. Quando acordou já foi se esticando e depois dos estalos, só depois, se levantou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Beijou uns alisou a cabeça dos outros, deu mais umas três recomendações que também serão atendidas e partiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fez mais um monte de força.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi ágil mais um monte de vezes e voltou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Voltou exausto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tomou banho, ge-la-do. Gostoso.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mais uma prozinha na cozinha, foi atualizado do nada que acontecera naquela tarde e sentou para comer. Menos barulhento, comeu, tomou café, respirou bem fundo, olhando para a paisagem formada só de céu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Levantou e caminho até o alpendre.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Saquinho numa mão, xícara na outra, se sentou para fumar. Sentado, escolheu o papel, juntou o fumo, entre uma olhada no céu e outra lambeu o necessário, tomou mais um golinho e acendeu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Viu que não funcionou, deu mais uma olhada no céu, acendeu e tragou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Com a mulher conversou sobre a roça, as crianças, o tempo, o tudo e o nada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Soube que a bezerra do vizinho foi encontrada, morta, com a ajuda de urubus.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se espantou por um segundo, se resignou no outro e continuo a prosa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Peito cheio, contou que a vaca manchada tinha se levantado, se gabando do remédio de folha que seu pai lhe ensinara.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A mulher lhe sorriu com orgulho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Por ali ficaram entre silêncios e frases curtas, contemplando o nada até que o sono bateu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Entrou e, sem pressa, dormiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Acordou, bem mais devagar que ontem.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Olhou para o céu, o tempo estava feio, tudo azul e sol grande.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Comeu vagarosamente, penteou um, amarrou a outra, juntou todos e saiu. Devagazinho, prozeando, “diiiiia”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“diiiiiiiiia”, “diiiiiiia”, saudava a vizinhança pelo caminho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se benzeu, escolheu o lugar de sempre, se emocionou como sempre e se sentou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fez questão de cantar cada canto, rezar cada reza e repetir cada petição. Entrou na fila, recebeu o corpo, comeu sem mastigar, se benzeu, e, emocionado, saiu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Encontrou todos de sempre, perguntou tudo de sempre, riu como sempre, deu as mesmas repostas, e se despediu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na casa da mãe pediu benção, deixou a prole, pegou o sexto e partiram. Agora só os dois.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Diiiiiia, tá de quanto dona Rosa?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Faz por cinco, seu Pedro?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É de quando essa macaxeira?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tá feia essa carne, viu Zé? Separaram algumas coisas, compraram outras, desistiram de outras, devolveram as mesmas. Caminharam mais, compraram mais, conversaram mais, reclamaram de novo e sorriram com as explicações que obtiveram. Pechincharam bastante, o bastante para encher o cesto. Nem todo. Suados, cansados e tranqüilos caminharam, ele na mão esquerda, ela na direita, carregando a quinzena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele parou na venda, ela seguiu. Derramou um gole no chão, bebeu, fez careta, se arrepiou e gostou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fez as mesmas perguntas, teve as mesmas respostas, ouviu uns causos, contou outros, bebeu, sorriu até que cansou. Partiu. Pediu a benção de novo e sentou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tomou café, comeu bolo e proseou. Fez um cigarro, enquanto reclamava do barulho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Acendeu e fumou ouvindo conselhos. Novos e velhos, às vezes um às vezes o outro, às vezes os dois ao mesmo tempo. Pediu a benção mais uma vez, esperou que a prole também pedisse e saiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caminhou, caminhou, subiu, desceu. Sem prosa, cansado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A volta sempre é maior. Só o caminho, a paciência não. Preferiu repreender que responder. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chegou, se banhou, bem geladinho. Trocou de roupa, beijou todos e foi beijado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Da porta do quartinho viu no berço um pessoinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Feliz, sorriu.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Feliz, dormiu.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h1&gt;&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:14;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116291034611028787?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116291034611028787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116291034611028787' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291034611028787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116291034611028787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/quem-busca-o-interior-vai-morar-no.html' title='&quot;Quem busca o interior, vai morar no interior. Quem busca o capital, vai morar na capital&quot;'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116284692767493605</id><published>2006-11-06T12:58:00.000-08:00</published><updated>2006-11-06T13:02:07.686-08:00</updated><title type='text'>Filé, brother e cumpade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Contexto&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Junho de 2004, depois de me aproximar mais da família de Milena, fiquei cada vez mais deslumbrado com as coisas de fazenda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;As pessoas, os hábitos os lugares, tudo me fascina muito. Cada vez sinto mais vontade fazer parte, de ser do ramo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ora penso que tenho recebido essa paixão por osmose, via Antônio Carlos (o bom , pai de Mi). Ora nem penso, só curto e me deixo mergulhar.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tá registrado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;hr style="height: 2px;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;    Morando na capital, eu já sofri muita piada por ter nascido e vivido maior parte da vida no interior. Aquelas palavras com “ti” (ou “te”) e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“di” (ou “de”), que o pessoal da capital pronuncia “tchi” e “dji” são terríveis. Quando começava a falar, lembrava que chegaria a hora em que todos entreolham-se, com aquele deboche sacana na cabeça. Que inferno! Cheguei a contar numa música (Uns Dias, dos Paralamas) 21 palavras com “tchi” e “dji”. Levei dois anos sem cantar, até aprender o capitês, quando a música virou “Uns&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Djias”. Pior que isso é quando o cidadão lhe pede para repetir o que você disse a cada cinco minutos, porque simplesmente não entende seu paraibês.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Some-se no caldo tudo que você não conhece e não está acostumado, como uma cidade de 50 mil ruas, que leva um ano para parar de se perder, os engarrafamentos, de verdade, com força. Daqueles de ficar uma hora de carro desligado, que faria a confusãozinha da frente do seu colégio parecer uma via expressa. A impressão lhe bate é muito clara : para você todo mundo é comediante,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;para todo mundo você é Paraíba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agora depois de adaptado ao grande centro, virado urbanóide, todo esquematizado, antenado, globalizado e todos os “ados” que metade das pessoas que falam não sabe um quinto do que está dizendo, estou sofrendo a revanche. É a rebordosa, a vingança da roça contra os sabidos da capital.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tudo porque apesar do interior, fui criado numa cidade que não é do campo, que está longe daquele “kit” estrada-igreja-prefeitura-delegacia-BancoDoBrasil-Correios.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Consequentemente, nunca montei em quadrúpede algum, creio que conheci vaca nos livros da escola antes de uma passar na minha frente, e, apesar da quebradeira da família, meus objetos de desejo eram bicicleta e autorama.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou seja, do interior mas metido a urbano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É com esse histórico que começo a me aproximar do mundo rural.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Apesar do processo de encantamento e início de uma forte paixão, sigo&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sem o menor pedigree para esse planeta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Chego da cidade grande, cheio de carro bonito, todo qualquercoisa”ado”, e sou, de novo, motivo de piada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não sei montar a cavalo, não tenho força para espremer o peito da vaca, tenho a maior dificuldade para acordar de madrugada, me canso só olhando o volume de trabalho que uma pessoa do campo faz em uma hora, mais uma vez o povo não entende o que eu falo nem fala como eu e toda vez que eu faço uma pergunta (das 8 mil diárias) sobre como as coisas funcionam, a resposta vem com&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;riso ou uma expressão facial que diz “isso é que é ser ignorante!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tenho passado pelo mesmo processo de deslumbre e adaptação que passei cinco ou seis anos atrás, quando cheguei na capital.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Descubro setecentas coisas novas por dia e sinto necessidade de desenvolver outras centenas de habilidades para me encaixar no novo cenário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cinco anos atrás, recém chegado na capital, ainda chamando os amigos de “filé” (agora são brother), eu saía do trabalho quando caiu uma daquelas trombas d’água que me fez pensar, quase que instintivamente, na plenitude do meu sotaque : “pense num bâin&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de chuva bom do carai&lt;a style="" href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;!”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ainda abestalhado com tudo que acontecia na cidade grande, segui displicente até uma enrascada típica da capital: engarrafamento.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Naquele dia eu descobri que chuva não tem nada a ver com bâin e que só louco pode sorrir debaixo de uma.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foram 3 horas de carro parado, desligadinho da Silva, ouvindo notícias de desabamento pela cidade e aquele informativo do trânsito que a certa hora, invertendo a lógica comum do serviço, passou listar os lugares da cidade onde &lt;b style=""&gt;não &lt;/b&gt;estava travado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Alguns dias atrás, saí de cavalo, todo serelepe, na 2.518.321ª lição de equitação que, autodidata no ramo, me submeto. Igualmente displicente, conduzi o animal (é assim que se chama cavalo por lá) até um vilarejo e passei por um local que o cavalo costumava ficar amarrado desde o dia que pode com uma corda no pescoço.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pronto. Para que?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O cavalo empacou&lt;a style="" href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e minhas habilidades extremamente resumidas de vaqueiro só conseguiram surtir um monte de grito sem sentido (eu já tinha visto vaqueiro gritar aquelas coisas).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Puxão de um lado, puxão de outro e nada. Gavião nem aí pra mim. Ali eu fiquei, engarrafado de novo, por um bom tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Além de aprender a me locomover de novo, é preciso reaprender a morar, a conversar, a pensar, a me vestir, a falar, a dirigir, a comer, a beber, a trabalhar, a fazer amizades, a comprar, a jogar futebol. É preciso reaprender a viver.&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi desafiador e intenso fazer isso uma vez, saindo da mesa de mainha para a praça de alimentação do shopping. &lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tem sido ainda mais prazeroso e renovador o segundo recomeço. O primeiro significou uma imensa ampliação dos meus contatos com o mundo das coisas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São elas que dominam as pedras e mentes da capital.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O segundo tem sido uma viagem à simplicidade, um passeio pela nudez da espécie.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Uma instigante jornada pelo mundo que parece ter sido montado sobre um tapete de pureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;                Cumpade, eu recomendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr style="font-size: 78%;" align="left" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; bain = banho, em paraibês&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; tradução impublicável&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Fenômeno transcendental, em que o cavalo que até cinco segundos atrás respondia à rédea como a tv ao controle remoto, toma votande própria, não reage a estímulos externos,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em um estado que beira o autismo, ignora a presença e todos os estribuchos do cavaleiro.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116284692767493605?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116284692767493605/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116284692767493605' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284692767493605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284692767493605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/fil-brother-e-cumpade.html' title='Filé, brother e cumpade'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116284626527076275</id><published>2006-11-06T12:46:00.000-08:00</published><updated>2006-11-06T12:52:15.966-08:00</updated><title type='text'>Político é tudo ladrão. Como você e eu.</title><content type='html'>Contexto    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maio de 2004, após a explosão do escândalo de Valdomiro Diniz, assessor de José Dirceu no palácio do Planalto, Celso Pita foi preso na CPI do Banestado e documentos da Suíça comprovaram as já sabidas contas de Paulo Maluf, com milhões desviados da avenida Roberto Marinho e do Túnel Ayrton Senna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No TRE, trabalhando no último dia do prazo para alistamento, vi um monte de gente colocando amigos para serem atendidos em detrimento de uma fila de 4 mil pessoas que esperavam debaixo do sol. Toda essa questão do texto me veio à mente novamente e bateu o estalo que finalmente de idéia começa a se transformar em ação : vou escrever sobre isso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="post-create.g?blogID=37249284#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;Texto...&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Você pode não entender nada de política, ser daqueles que têm horror à palavra.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pode ser da turma que não entende nada do assunto (graaaande galera, que pena), mas se tiver capacidade ou paciência para falar durante cinco segundos do tema, certamente gastará esse tempo de cara fechada, voz rouca de ódio, num desabafo indignado, dizendo: político é tudo ladrão! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Como discordar?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você acordou com as contas de Valdomiro, tomou café com o dinheiro suiço do Maluf, almoça com Celso Pita preso e tenta dividir o resto do dia com Eurico, Jader, o eterno pessoal do orçamento e mais uma turma de encher quatro páginas. Ocorre, infelizmente, que quem fala assim quase sempre tá certo, mas raramente, muito raramente mesmo, tem direito de reclamar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Como não tem direito? Vejamos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A indignação causada por notícias de corrupção na política é uma dor que dá no coração quando a gente pensa que esse cidadão está ocupando um cargo para o qual foi eleito, com a obrigação cívica de representar seus eleitores e acaba fazendo um negócio desses, roubando, armando trambique, passando por cima das leis, tomando vantagem de sua posição em detrimento de outras pessoas, privilegiando seus interesses pessoais e violando o interesse coletivo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Enfim, cometendo uma série de interminável de absurdos. Só que, infelizmente, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;os mesmos absurdos que todo mundo faz no seu dia-a-dia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O cidadão revoltado com as contas do Maluf carrega no bolso uma carteira de estudante do curso de inglês Brack Naight, que se existe ele não sabe onde fica.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A mocinha que não aceita o prefeito da cidade empregando parentes é mesma caixa de banco que atende ao namorado pela lateral do caixa, diante de uma democrática fila (nada mais democrático que uma fila!).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dentre seus dez amigos mais próximos, quem não tem CD pirata? Quem não sonega imposto de renda? Nem que seja um pouquinho, aquele recibo ninja e tal? Quem nunca “conversou” um guarda para aliviar numa multa, ou pior, apelou para aquele peixe lá no departamento de trânsito, já que o guarda multou o carro em movimento, sem aquela prozinha cortês, “como é que a gente ajeita isso?”, “rapá, vamu resolver por aqui mermo, né não?”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Vai dizer que os programas do seu computador têm licença, tudo bonitinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O pior que acordar rodeado por políticos corruptos é perceber que eles são, na essência, a representações dos cidadãos que somos. Eles são os nossos mais verdadeiros e legítimos representantes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De uma gente que chama trambique de jeitinho, ladrão de esperto e que prefere se-dar-bem que ter sucesso (depois de ralar muito).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você fica por último no bar, com o dinheiro que a turma foi deixando, e quando percebe que deixaram uns poucos reais a mais, paga a conta sem contribuir e vai dormir sem a menor preocupação de devolver um realzinho para cada um que estava na mesa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Antes de deitar vê o deputado acusado de desvio de verba do orçamento e se revolta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A diferença dele para o cara do bar é o montante.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um teve acesso a unidades, se apropriou de unidades.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Outro teve acesso a milhões e ficou com milhares.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Respeitadas as proporções, foi até menos ladrão que o cara do bar, se é que existe menos ou mais ladrão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;     &lt;/o:p&gt;Portanto, se suas esperanças de ver gente honesta na política estavam depositadas na ilusão de escolher as pessoas certas, lamento: vai morrer escolhendo e se revoltando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O caminho para esse quadro não está na urna, na seção eleitoral, de dois em dois anos. Está na sua casa, no ponto de ônibus, no seu trabalho, no seu futebol, na sua escola e na de seu filho, onde quer que você vá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Não existe sociedade honesta governada por gente corrupta. Nem vice-versa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nenhum dos dois dura mais que alguns anos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando a postura natural for a honestidade, o honesto se aproxima vertiginosamente do mínimo esperado e ser corrupto se torna pecado mortal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Já viu candidato dizendo “vote em mim, eu nunca bati na minha mãe”?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Já leu &lt;i style=""&gt;outdoor&lt;/i&gt; de campanha com o lema “Fulaninho, esse não estupra criancinhas”?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou no sentido contrário: “Cicrano, cheira cocaína diariamente, mas faz”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claro que não. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;No primeiro caso, porque comportamentos que representam o obviamente correto para o padrão da cidade não servem de propaganda.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;No segundo, porque costumes que agridem violentamente a moral coletiva são inadmissíveis para qualquer homem público.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como a honestidade ainda é diferencial, da sala de aula no dia de prova até no seu joguinho de baralho do sábado, ser honesto dá propaganda e ser ladrão é admissível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;     &lt;/o:p&gt;Um vôo rasante pelo mundo nos ensinará que grandes países não se fazem de grandes líderes, políticos ou heróis.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se fazem de grandes pessoas, pessoas comuns, que se batem pelas calçadas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se a idéia é se livrar dos corruptos, o primeiro passo é a gente mudar de lado, deixando de ser.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Fazendo assim, talvez dentre meus filhos eles serão minoria.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Dentre meus netos, inadmissíveis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116284626527076275?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116284626527076275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116284626527076275' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284626527076275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284626527076275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/poltico-tudo-ladro-como-voc-e-eu.html' title='Político é tudo ladrão. Como você e eu.'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37249284.post-116284568348661825</id><published>2006-11-06T12:29:00.000-08:00</published><updated>2006-11-06T12:41:23.493-08:00</updated><title type='text'>Maria Clara bateu na minha filha</title><content type='html'>Contexto&lt;br /&gt; &lt;h1&gt;&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h1&gt;    &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Maio de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;2004.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Após um capítulo da novela “Celebridades”, da (eca!) Rede Globo, fui cercado pelos comentários de uma cena de espancamento que ocorrera na noite anterior.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na segunda, já no trabalho, o comentário era geral, sempre no senso comum de alma lavada, de “bem feito pra ela”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando abri o site do Estado de São Paulo, vi que a novela atingira seu maior índice de audiência no dia da pancadaria.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Bateu-me aquela sensação chata que pelo menos mensalmente me atinge: todo mundo pirou ou eu não sou desse planeta?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Resolvi escrever, esperando iniciar uma série de outras crônicas sobre as coisas que me rodeiam.&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;/div&gt;  &lt;hr&gt;&lt;/hl&gt;    Sábado passado, numa &lt;i style=""&gt;overdose&lt;/i&gt; nacional, se injetou morfina simultaneamente em cerca de 40 milhões de brasileiros inocentes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Alguns nem tanto.        &lt;p class="MsoBodyText2" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;Debaixo do “barato” produzido pela droga, essa multidão sentou-se e assistiu às cenas de barbárie, daquelas que até os mais apelativos dos programas estilo banho-de-sangue costumam pedir a retirada de crianças da sala e, aos adultos que ficam, que trinquem os dentes que vem coisa da pesada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era a super Maria Clara Diniz, destruindo a cara da rival Laura Sei Lá o Que, em horário nobre, para uma torcida &lt;st1:personname productid="em esp￭rito Coliseu" st="on"&gt;em  espírito Coliseu&lt;/st1:personname&gt;, todos de polegar para baixo, exigindo e comemorando a aniquilação da cristã malvada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText2" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;         Você viu a surra de Laura?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;/span&gt;Viu Maria Clara arrepiando ontem?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText2" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;-         Rapaz, a novela foi o bicho! Perdeste!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText2" style="margin-left: 18pt; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2"&gt;Seguia a massa morfinada, ainda cheia dos paus,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;na manhã seguinte.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Eu aprendi ainda na adolescência que não adianta argumentar com bêbado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ninguém, em sã consciência, gasta energia dando lição de moral no bebum, que no dia seguinte não terá registrado sequer que lhe encontrou, avalie o que você disse.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ignora-se como pode o papelão que ele está fazendo e, na manhã seguinte, da-lhe o puxão de orelha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Passada a cachaça, ou morfina, prepare a orelha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Uma família já está doente quando a violência explicita, bárbara, animalesca, diante dos seus olhos a aflige, mas é esquecida &lt;st1:personname productid="em minutos. Se" st="on"&gt;em minutos. Se&lt;/st1:personname&gt; essa família acha a seqüência de espancamento mais uma cena, dentro de um conjunto de outras dispersas, eu diria que o doente está em estado grave, com risco de morte.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;No extremo, quase impensável, quando a família torce para que a violência ocorra e, comemorando, leva a alma lavada para cama após a seção pancadaria, lamento, a família foi a óbito. Morreu.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Falo “família” porque se me referir a “sociedade” o leitor corre para os dois refúgios clássicos via consciência tranqüila: 1) sociedade é algo grande demais para me sentir responsável por ela; 2) é papo de sociólogo paranóico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como eu quero atenção e reação, falo “família”, boto logo a mãe no meio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Desde de moleque na rua, essa tática nunca falhou.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Por mais que os instintos nos convidem, não podemos nos deixar levar pela porção animal que carregamos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como jogar fora 6000 anos de civilização, de acúmulo de conhecimento, de aprimoramento da forma de vida e se comportar como o mero australoptecus? A gente não pode voltar para a selva. É lá onde se resolve as diferenças na pancada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando a televisão conduz a multidão para essa catarse de vingança, está prestando um desserviço incalculável às salas que invade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Além de banalizar a violência, leva ao cúmulo de aprensentá-la como uma forma justificada para se agir junto aos desafetos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;/p&gt;      O que dizer à filhinha que partiu para cima da rival da escola, na manhã seguinte?-         Mamãe, me expulsarão por quê?  Tô de castigo por quê? Eu fiz igual à Maria Clara.  Todo mundo adora ela!    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 18pt;"&gt;Silêncio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Essa é única resposta que lhe resta.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;É mentira a idéia que a gente sabe que na televisão é tudo de brincadeirinha e, por isso, ninguém se baseia no que passa lá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claro que é mentira. Sua filha está com o cabelo igual ao da Darlene, fala igual a Jaqueline (Caracas, é mesmo!.) quer ser Maria Clara quando crescer e namorar com o Fernando.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Como negar que a televisão determina a realidade?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Não se pode absorver a televisão, escudado no argumento que ela não inventa a violência, simplesmente reproduz a realidade, num papel legítimo de veículo de comunicação &lt;st1:personname productid="em massa.  Outra" st="on"&gt;em massa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Outra&lt;/st1:personname&gt; mentira. Desde quando periferia é habitada só por gente bonita, todo mundo vive feliz, é gordinho e vira até empresário de casa de show (de samba)?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Onde fica essa periferia onde basta a menina saçaricar um bocado que vai acabar apresentando programa de televisão? Que país é esse que no meio de 50 pessoas, de lugares diferentes, ambientes diferentes, só se tem 1 ou 2 pretos fora da cozinha? Onde é esse Brasil onde o negro é fotógrafo, bem empregado, todo charmoso, tratado sempre com respeito e vive na piscina? Se isso é a realidade, eu quero me mudar para esse lugar ontem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Não creio que esse é um país onde as pessoas resolvem suas diferenças aos tapas, em banheiros de festinhas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas temo seriamente por ser um país que se diverte vendo a pancadaria e delira com um rosto desfigurado pela violência.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando isso está plantado impunemente no nosso cotidiano, resta um quadro desolador a se pintar das gerações formadas na banalidade do que é e deveria ser taxado de bárbaro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText2" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando Maria Clara lançou seus golpes sobre Laura, atingiu em cheio a cara da minha filha.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Impotente, por não ter nascido ainda, ela correu para o pai, que aqui partiu em sua defesa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37249284-116284568348661825?l=zedegugacg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedegugacg.blogspot.com/feeds/116284568348661825/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37249284&amp;postID=116284568348661825' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284568348661825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37249284/posts/default/116284568348661825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedegugacg.blogspot.com/2006/11/maria-clara-bateu-na-minha-filha_06.html' title='Maria Clara bateu na minha filha'/><author><name>Guga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06981401209976016921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
